Sociedade | 04-11-2026 13:26
Mães no Rossio querem investigação independente às cargas policiais
As Mães no Rossio querem uma investigação independente às cargas policiais sobre os manifestantes pelo direito à habitação e pedem ao Presidente da República e ao Governo que actuem para garantir o respeito pelos direitos fundamentais.
O movimento Mães no Rossio, contra as cargas policiais sobre os manifestantes acampados pelo direito à habitação, pediu às principais instituições portuguesas que actuem para garantir o respeito pelos direitos fundamentais e impedir que “a força substitua a política”.
Numa carta aberta dirigida ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, aos deputados, ao Ministério Público (MP), à Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) e à Provedoria de Justiça, o movimento apela a que “as instituições façam o seu trabalho para que a força não substitua a política, o direito e o diálogo”.
“Somos contra o abuso, a desumanização e a indiferença. Pedimos respeito pelos direitos fundamentais. Pedimos diálogo. Pedimos uma democracia sem medo dos cidadãos”, refere a missiva, subscrita por 74 mulheres de áreas como as artes, a política, a ciência e a cidadania, numa homenagem ao ano da revolução.
Entre as primeiras subscritoras estão a rapper Capicua, a escritora Lídia Jorge, as cantoras Gisela João, Carminho, Mayra Andrade e Selma Uamusse, as apresentadoras Catarina Furtado, Filomena Cautela e Inês Lopes Gonçalves, a jornalista Inês Maria Meneses e as actrizes Maria de Medeiros e Rita Blanco. A lista inclui ainda a pintora Graça Morais, a escultora Joana Vasconcelos, as catedráticas Teresa Pizarro Beleza e Maria de Lurdes Rodrigues, a filósofa Maria Filomena Molder, a arquitecta e ex-deputada Helena Roseta, a economista Susana Peralta e a cientista Maria Manuel Mota.
Recorde-se que desde 10 de Outubro têm-se sucedido no país manifestações pelo direito à habitação. Entre as reivindicações estão a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e a fixação de tectos “verdadeiramente acessíveis” para as rendas.
Na madrugada de domingo, a PSP voltou a dispersar as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção foi marcada por cargas policiais e pelo arremesso de objectos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
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