Sociedade | 04-11-2026 11:51
Nova liderança da Câmara da Chamusca desbloqueia conflito histórico com Centro Social da Carregueira
Acordo entre a Câmara da Chamusca e o Centro de Apoio Social da Carregueira foi aprovado por unanimidade na última reunião do executivo municipal, que decorreu esta terça-feira, 4 de Novembro. O entendimento prevê o pagamento de cerca de 579 mil euros à instituição e coloca um ponto final à vista num litígio que se arrasta há mais de uma década, marcado por processos judiciais, dificuldades financeiras e ameaças de encerramento de uma das principais instituições sociais do concelho. Falta agora a homologação judicial.
Mais de dez anos depois de um conflito que marcou a vida política e social do concelho da Chamusca, a Câmara Municipal deu um passo decisivo para resolver o diferendo com o Centro de Apoio Social da Carregueira (CASC). O acordo, que envolve uma verba de cerca de 579 mil euros, foi aprovado por unanimidade na última reunião de câmara, faltando agora a intervenção do juiz para que o entendimento possa produzir os seus efeitos judiciais e encerrar os processos que opõem as duas entidades. “Hoje é um bom dia para a freguesia da Carregueira e para o concelho da Chamusca”, afirmou o presidente da autarquia, Nuno Mira, assinalando o significado de uma decisão que pretende ultrapassar anos de confrontos e devolver estabilidade a uma instituição que atravessa graves dificuldades financeiras.
O entendimento representa uma mudança na relação entre o município e o CASC, presidido por Horácio Ruivo, depois de sucessivos anos de divergências durante a presidência de Paulo Queimado. Na origem do conflito estiveram compromissos financeiros relacionados com a construção do lar de idosos da Carregueira e com contrapartidas provenientes da instalação de empresas no Eco Parque do Relvão.
Como O MIRANTE tem noticiado, a instituição reclamava verbas que considerava serem-lhe devidas, enquanto o anterior executivo municipal sustentava que os compromissos assumidos estavam cumpridos. O diferendo acabou nos tribunais, com o CASC a reclamar cerca de 859 mil euros e o município a apresentar uma reconvenção próxima dos 715 mil euros. O processo ganhou um novo rumo com a chegada de Nuno Mira à presidência da câmara. O autarca defendeu a necessidade de encontrar uma solução negociada, considerando incompreensível que um município mantivesse um conflito judicial com uma instituição particular de solidariedade social que presta respostas essenciais à população.
Em Setembro foi anunciado um entendimento financeiro, posteriormente discutido na assembleia municipal, onde a alteração orçamental necessária para acomodar a despesa suscitou críticas da oposição devido à documentação disponibilizada. A aprovação agora alcançada no executivo municipal constitui mais uma etapa para a concretização do acordo. A decisão surge numa altura particularmente delicada para o CASC. A instituição, que apoia cerca de 150 utentes e emprega aproximadamente 70 trabalhadores, acumulou um passivo próximo de um milhão de euros. Em Setembro de 2025, os funcionários realizaram a primeira greve da história da instituição, exigindo o pagamento de subsídios e retroactivos salariais em atraso. Em Fevereiro deste ano, Nuno Mira revelou que existiam cinco vencimentos por pagar.
A recuperação financeira poderá beneficiar também de um entendimento com a Segurança Social, que permitirá disponibilizar 14 camas para pessoas com alta hospitalar sem resposta imediata, com uma receita anual potencial superior a 300 mil euros. Depois de anos de processos judiciais, acusações e incerteza, a aprovação unânime abre caminho a uma nova fase na vida do Centro de Apoio Social da Carregueira.
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