Sociedade | 05-11-2026 09:17

Câmara da Chamusca vai criar gabinete para reforçar fiscalização do Eco Parque do Relvão

Câmara da Chamusca vai criar gabinete para reforçar fiscalização do Eco Parque do Relvão

Comissão de Acompanhamento do Eco Parque do Relvão voltou a reunir após vários anos de inactividade, mas persistem dificuldades na resposta aos problemas ambientais. O vereador João Santos critica a falta de articulação com as entidades fiscalizadoras e o presidente da Câmara da Chamusca, Nuno Mira, anuncia a criação de um gabinete municipal para acompanhar semanalmente a actividade do complexo.

A Câmara Municipal da Chamusca vai criar um gabinete dedicado ao acompanhamento do Eco Parque do Relvão, na Carregueira, numa tentativa de reforçar a vigilância sobre um complexo industrial marcado por sucessivos incidentes ambientais, incêndios e queixas da população. O anúncio foi feito pelo presidente do município, Nuno Mira, na reunião de executivo de 4 de Novembro, depois de o vereador João Santos ter alertado para as dificuldades que continuam a existir na articulação com as entidades responsáveis pela fiscalização.

O assunto surgiu na sequência da realização de uma reunião da Comissão de Acompanhamento do Eco Parque do Relvão, que esteve vários anos sem reunir. No encontro foram identificados diversos constrangimentos, incluindo dificuldades sentidas pelos próprios funcionários na resolução de problemas e na obtenção de respostas das entidades competentes. “Não pode ser aceitável se houver um problema ter que contactar a IGAMAOT por email”, criticou João Santos, referindo-se à Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Nuno Mira reconheceu as limitações existentes, sobretudo na articulação com organismos exteriores à autarquia. “Concordo que não está funcional, mas é em relação às actividades externas ao município”, afirmou. O autarca anunciou a intenção de criar um gabinete municipal com um funcionário dedicado ao acompanhamento regular do complexo. “Vamos criar um gabinete de acompanhamento do eco parque para termos uma pessoa que visite e trabalhe todas as semanas no acompanhamento do eco parque”, explicou. Reconheceu, contudo, que o município não tem poderes para alterar os procedimentos das restantes entidades. “Vamos e temos que reclamar”, acrescentou.

Comissão esteve anos sem reunir apesar dos problemas ambientais

A reactivação da comissão acontece depois de sucessivas críticas à sua inactividade. Em Março de 2024, O MIRANTE noticiou que o organismo não reunia desde a pandemia, apesar das preocupações com a qualidade do ar e da água e das ocorrências registadas no complexo. Na altura, o último registo público da actividade da comissão no portal municipal remontava a Julho de 2018. Os incidentes entretanto registados reforçaram as preocupações. Em Março deste ano foi detectada uma escorrência negra, acompanhada de um odor intenso, que atingiu uma ribeira e levou à intervenção do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente da GNR e da Agência Portuguesa do Ambiente. Em Abril, um incêndio nas instalações da Ribtejo mobilizou mais de três dezenas de bombeiros. A 12 de Setembro, outro fogo, desta vez nas instalações da Resitejo, obrigou à mobilização de cerca de 80 operacionais e 24 viaturas. A estes episódios juntam-se as queixas recorrentes sobre maus cheiros, circulação intensa de camiões e transporte de resíduos, problemas que continuam a afectar a qualidade de vida das populações.

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