Sociedade | 05-11-2026 12:00

Inquilinos despejados na Golegã para dar lugar a alugueres a preços milionários durante a Feira do Cavalo

Coração da feira é inteiramente dedicado ao cavalo - foto O MIRANTE

Há relatos de inquilinos obrigados a deixar as casas durante a Feira Nacional do Cavalo para que os senhorios possam alugá-las a visitantes por valores exorbitantes, que chegam aos 5 ou 6 mil euros numa semana. Câmara da Golegã garante que nunca recebeu queixas e aponta para a existência de um mercado paralelo de arrendamento.

Na Golegã, a Feira Nacional do Cavalo é um dos maiores motores da economia local, mas o negócio milionário que cresce à sua volta tem também um lado menos conhecido. Há relatos de inquilinos que são obrigados a abandonar temporariamente as habitações durante os dias da feira para que os proprietários possam arrendá-las a visitantes e participantes dispostos a pagar valores muito elevados por uma estadia na capital do cavalo. A situação levanta questões sobre a pressão imobiliária numa vila onde, durante cerca de dez dias por ano, uma casa pode representar uma fonte de rendimento muito superior à de vários meses de arrendamento convencional.
A Câmara Municipal da Golegã afirma, contudo, que nunca recebeu queixas relacionadas com estas situações e considera que, a verificarem-se, estarão associadas ao mercado paralelo da habitação. A dimensão económica do fenómeno está documentada no Pedido de Inventariação da Feira da Golegã, que reconhece o impacto significativo do certame na compra, venda e arrendamento de imóveis. O documento destaca que os prédios situados nas imediações do Largo do Arneiro são particularmente valorizados pela localização e pelo potencial de exploração comercial. A procura de alojamento durante Novembro ultrapassa largamente a capacidade hoteleira da vila, levando milhares de visitantes a procurar casas e quartos particulares, muitas vezes reservados com meses de antecedência. O negócio estende-se a garagens, espaços comerciais e outros imóveis adaptados temporariamente às necessidades da feira. A valorização imobiliária também atrai compradores de fora do concelho, sobretudo ligados ao mundo equestre, que adquirem segundas habitações para utilizar durante o evento. Para muitos residentes, o aluguer temporário constitui uma importante fonte de rendimento complementar. Mas há uma diferença entre aproveitar legitimamente as oportunidades económicas proporcionadas pela feira e colocar em causa a estabilidade habitacional de quem vive na Golegã durante todo o ano. Os relatos que O MIRANTE recebeu de afastamento temporário de inquilinos, embora sem queixas formalizadas junto da autarquia, expõem uma realidade que merece esclarecimento, sobretudo porque parece existir na Golegã a prática de alugar casas sem contratos realizados, sem passar recibos, precisamente para haver um aproveitamento na altura da Feira Nacional do Cavalo, que leva à Golegã cerca de um milhão de pessoas numa semana.

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