Instituições de Santarém testam robôs para vigiar e fazer companhia a idosos
Solidão dos idosos e a falta de trabalhadores nas instituições sociais estão a acelerar a procura de soluções tecnológicas. A União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém está a testar um robô capaz de fazer companhia a idosos, detectar situações de perigo e alertar familiares. Luís Jacob acredita que, dentro de cinco anos, a presença de robôs no apoio domiciliário poderá ser encarada com naturalidade.
Os robôs podem estar prestes a entrar na vida dos idosos acompanhados pelas instituições sociais, não para substituir os cuidados humanos, mas para ajudar a combater a solidão e garantir maior segurança a quem passa grande parte do dia sem companhia. A possibilidade está a ser estudada pela União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social (UDIPSS) de Santarém, que está a testar um robô social destinado ao apoio domiciliário. A revelação foi feita pelo presidente da instituição, Luís Jacob, em declarações a O MIRANTE, numa altura em que o envelhecimento da população e a falta de profissionais colocam desafios cada vez maiores às respostas sociais.
O responsável chama a atenção para uma realidade que considera preocupante: muitos idosos recebem apoio domiciliário durante apenas uma hora por dia e permanecem sozinhos nas restantes 23 horas. Um período em que uma queda, um problema súbito de saúde ou qualquer outra emergência pode passar despercebida. “As nossas funcionárias vão a casa dos utentes uma hora por dia. Significa que o utente está sozinho nas restantes 23 horas por dia. Se ele cair, se tiver algum problema, ninguém está lá perto”, alertou. É precisamente para tentar responder a este vazio de acompanhamento que estão a ser desenvolvidas e testadas soluções de inteligência artificial e robótica. “Nós estamos a testar neste momento um robô no apoio domiciliário, um robô social, para fazer companhia ao utente”, revelou Luís Jacob. A intenção é que estes equipamentos possam acompanhar os idosos ao longo do dia, identificar situações de risco e comunicar com familiares ou outras pessoas responsáveis sempre que seja necessária ajuda. “Nós estamos a treinar robôs para acompanhar a pessoa 24 horas por dia. Robôs no sentido de que informem a família, ou alguém, que o utente caiu, que está a precisar de ajuda, e até treinados para fazer companhia”, explicou.
A aposta na tecnologia surge também como resposta à crescente dificuldade das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) em contratar trabalhadores, sobretudo ajudantes de acção directa e técnicos especializados. Um problema que condiciona a capacidade de resposta das instituições e que, segundo Luís Jacob, não poderá ser resolvido apenas através do recrutamento de profissionais estrangeiros. “A imigração resolve uma parte dos problemas, mas não resolve todos, e nós temos de ser criativos nessas novas soluções”, defendeu. O presidente da UDIPSS de Santarém reconhece que a ideia de um robô a fazer companhia a uma pessoa idosa ainda pode causar estranheza, mas acredita que a evolução tecnológica acabará por transformar a forma como a sociedade encara estas soluções. “É claro que isso pode parecer estranho agora, mas eu acho que daqui a cinco anos vamos estar a falar nisso já com outra normalidade”, afirmou.


