Sociedade | 06-11-2026 10:00

Coelhos maltratados em Ourém e galinhas entre cadáveres em Ferreira do Zêzere

Coelhos maltratados em Ourém e galinhas entre cadáveres em Ferreira do Zêzere
Alegados maus-tratos em explorações foram alvo de denúncia em imagens divulgadas pela Frente Animal - foto DR

Imagens mostram alegados maus-tratos a coelhos numa exploração pecuária no Zambujal. Há também registos de animais vivos e mortos em fossas de dejectos. Associação Frente Animal apresentou queixa à GNR e pediu inspecção urgente.

Uma exploração de coelhos situada no Zambujal, na freguesia de Atouguia, concelho de Ourém, está no centro de uma denúncia de alegados maus-tratos a animais apresentada pela associação Frente Animal. As imagens a que O MIRANTE teve acesso revelam situações particularmente preocupantes, incluindo um trabalhador que surge a bater coelhos contra o chão, animais ensanguentados e outros aparentemente doentes no interior das gaiolas. Há ainda coelhos presos entre dejectos acumulados nas fossas existentes por baixo das estruturas, alguns aparentemente ainda vivos, bem como dezenas de animais mortos armazenados em arcas frigoríficas.
Segundo a associação, as imagens chegaram à sua posse através de uma denúncia anónima e motivaram a apresentação de uma queixa à Guarda Nacional Republicana (GNR). A situação foi também comunicada à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), a 23 de Outubro, com um pedido de fiscalização urgente às condições em que os animais são mantidos. O MIRANTE contactou a GNR para esclarecer que diligências foram desencadeadas na sequência da denúncia e se já foi realizada alguma fiscalização à exploração mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.
A situação em Ourém integra um conjunto de denúncias relativas a três explorações de produção animal na região Centro. Além da cunicultura de Atouguia, a associação Frente Animal denuncia a existência de aves mortas e em decomposição entre galinhas vivas numa exploração avícola que identifica como pertencendo à Zêzerovo, no concelho de Ferreira do Zêzere. Nas imagens a que O MIRANTE teve acesso, são visíveis galinhas em espaços muito limitados, aparentemente sem condições para se manterem de pé numa posição natural. Há também aves que aparentam estar doentes e outras aparentemente mortas, algumas entre os ovos, levantando questões sobre as condições de higiene e bem-estar animal nas instalações.
A terceira denúncia diz respeito a uma unidade da Ovolíquido, empresa ligada ao grupo Clara & Gema, em Souto da Carpalhosa, no concelho de Leiria, onde as imagens divulgadas mostram alegadamente ratos vivos e roedores mortos no interior dos pavilhões. O MIRANTE contactou a Zêzerovo e a Clara & Gema para obter esclarecimentos sobre as situações denunciadas, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. O nosso jornal também tentou contacto com a exploração em Atouguia, mas sem sucesso.

Associação exige uma inspecção urgente às explorações
A Frente Animal afirma que o material recolhido foi analisado por três especialistas independentes, nas áreas da medicina veterinária, direito e saúde pública. Os pareceres abordam questões relacionadas com o bem-estar animal, o eventual enquadramento legal das situações denunciadas e os riscos sanitários associados à presença de animais mortos e à acumulação de dejectos.
A Frente Animal exige uma inspecção urgente da DGAV às três explorações e defende que as autoridades de saúde avaliem os eventuais riscos para as populações vizinhas. A associação aproveita ainda para reforçar a campanha pelo fim das gaiolas na produção animal em Portugal, lembrando que, segundo dados da Comissão Europeia que cita, 67,1% das galinhas poedeiras no país vivem em gaiolas, contra uma média de 35,5% na União Europeia.

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