Sociedade | 06-11-2026 18:22

Cuidadores informais de Benavente dão voz ao desgaste de quem não pode parar

Cuidadores informais de Benavente dão voz ao desgaste de quem não pode parar

Diagnóstico apresentado no I Fórum "Cuidar em Rede", em Samora Correia, revelou que 55% dos cuidadores inquiridos consideram que a sua saúde piorou desde que começaram a cuidar de familiares dependentes. Apoio psicológico, descanso e ajuda financeira estão entre as principais necessidades identificadas.

Mais de metade dos cuidadores informais inquiridos no concelho de Benavente considera que a sua saúde piorou desde que assumiu a responsabilidade de cuidar de um familiar dependente. O dado foi apresentado no I Fórum "Cuidar em Rede", realizado a 6 de Novembro, no Centro Cultural de Samora Correia. O diagnóstico revelou ainda que 88% dos cuidadores são mulheres, 93% vivem com a pessoa cuidada e 67% têm entre 50 e 60 anos. Entre as pessoas que recebem cuidados, 40% têm 70 ou mais anos e 26% são menores de 18 anos.
A ansiedade, as dores físicas, a falta de energia e o cansaço extremo estão entre as consequências mais referidas. A maioria dos cuidadores dorme entre cinco e sete horas por noite, mas 15% não ultrapassam as quatro horas. Cerca de três quartos indicaram que cuidar origina despesas adicionais. O apoio psicológico surgiu como a principal necessidade, a par do descanso do cuidador, da ajuda financeira e de maior apoio na prestação de cuidados. Segundo a equipa responsável pelo acompanhamento destas famílias, existem 57 cuidadores com o Estatuto do Cuidador Informal reconhecido no concelho, embora muitos outros desempenhem estas funções sem esse reconhecimento.
Durante a tarde, o fórum deu voz a vários cuidadores que partilharam experiências de dedicação, mas também de desgaste e dificuldades. Filomena Louro contou como deixou o emprego para cuidar dos pais e acabou por desenvolver uma depressão. Maria João Inglês, que há 16 anos cuida do marido, António, diagnosticado com esclerose múltipla, relatou as dificuldades em encontrar quem a substitua quando precisa de se ausentar. Ana Rita Garcia e Carla Oliveira deram também testemunhos sobre os desafios de cuidar de familiares com necessidades permanentes.

As histórias destas famílias, os obstáculos no acesso aos apoios e as respostas existentes no concelho de Benavente são desenvolvidos em edição impressa de O MIRANTE.

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