Ambientalistas alertam para riscos dos centros de dados e exigem regras mais apertadas
Investimentos previstos para Abrantes estão a levantar preocupações sobre o consumo de água e energia e os reais benefícios para as populações. O movimento ambientalista proTEJO exige transparência e uma avaliação conjunta dos impactos dos dois centros de dados anunciados para o concelho.
A instalação de dois grandes centros de dados em Abrantes continua a suscitar dúvidas sobre os impactos ambientais e as contrapartidas económicas para o território. O movimento ambientalista proTEJO considera que a falta de informação pública sobre os projectos da EDC One e da Hyperion alimenta a preocupação, sobretudo quanto ao consumo de água e energia e aos efeitos cumulativos das duas infraestruturas. O assunto esteve em debate num encontro online promovido pelo proTEJO, Movimento Rio Douro e Plataforma Água Sustentável, que reuniu ambientalistas, investigadores e um representante da EDC One. Paulo Constantino, do proTEJO, defendeu que os investimentos devem ser sujeitos a um escrutínio público efectivo, considerando insuficientes os esclarecimentos prestados até agora sobre aquilo que as populações terão efectivamente a ganhar.
Ricardo Eiras, responsável da EDC One, garantiu que o centro de dados previsto para a zona do Pego não utilizará água do Tejo. O arrefecimento será assegurado por circuitos com líquido refrigerante e equipamentos a seco, embora esta solução implique maior consumo eléctrico nos dias quentes. O responsável apontou um consumo de cerca de 50 metros cúbicos de água por dia para os trabalhadores, sem apresentar valores globais para a infraestrutura. O projecto prevê aproveitar as antigas instalações industriais da RPP Solar e criar uma solução habitacional para os primeiros 280 trabalhadores. O estudo de impacte ambiental está ainda em elaboração. No debate, a activista espanhola Aurora Gómez Delgado alertou para os riscos associados à expansão destas infraestruturas, evocando o projecto da Meta em Talavera de la Reina. O investigador Pedro Soares defendeu que a discussão deve ir além da eficiência tecnológica e questionar quem beneficia da economia digital. O proTEJO insiste na necessidade de limites vinculativos aos consumos de água e energia e de uma avaliação ambiental conjunta dos dois projectos de Abrantes. Apesar de reconhecer a abertura da EDC One ao diálogo, Paulo Constantino avisa que, sem informação pública e regras claras, a apreensão das populações continuará.


