Frente Animal apresenta coordenadas GPS para sustentar denúncias de maus-tratos na Zêzerovo
Depois de a Zêzerovo ter levantado dúvidas sobre a origem das imagens de alegados maus-tratos a animais, a associação Frente Animal divulgou registos GPS que, garante, comprovam que os vídeos foram captados numa exploração da empresa em Ferreira do Zêzere. Associação exige a divulgação das auditorias de bem-estar animal e insiste numa fiscalização urgente.
A polémica em torno das condições em que são mantidas galinhas numa exploração avícola da Zêzerovo, em Ferreira do Zêzere, ganhou novos contornos. A associação Frente Animal divulgou um comunicado, a 5 de Novembro, no qual apresenta coordenadas GPS que, segundo afirma, comprovam que os vídeos de galinhas mortas entre aves vivas foram captados nas instalações da empresa, na Cruz da Frazoeira, freguesia de Paio Mendes.
A divulgação surge depois de a Zêzerovo ter manifestado, em declarações à comunicação social, incluindo O MIRANTE, “reservas quanto à origem, ao contexto e à representatividade das imagens divulgadas”, afirmando não conseguir estabelecer uma correspondência concreta e verificável entre os registos e as suas instalações.
A Frente Animal contesta essa posição e garante que os vídeos foram captados entre 27 e 29 de Agosto de 2026, apresentando coordenadas GPS que identifica como correspondendo à exploração da Zêzerovo. Segundo a associação, os ficheiros originais não foram editados e estão disponíveis para verificação pelas autoridades. A localização terá sido comunicada à Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e ao Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR a 23 de Outubro.
Nas imagens anteriormente divulgadas são visíveis galinhas aparentemente mortas entre aves vivas, animais com perda acentuada de penas e condições que levantam dúvidas sobre o bem-estar animal. A associação refere ainda a presença de roedores nas instalações.
A Frente Animal questiona também a certificação de bem-estar animal invocada pela Zêzerovo, que afirma realizar auditorias regulares, algumas sem aviso prévio. A associação exige que a empresa identifique a entidade certificadora, esclareça se as auditorias abrangem os pavilhões com gaiolas e divulgue os resultados da última inspecção. A organização insiste numa fiscalização presencial urgente da DGAV e desafia a empresa a apresentar uma data para abandonar a utilização de gaiolas na produção avícola.
Denúncias abrangem também Ourém e Leiria
O caso da Zêzerovo integra um conjunto de três denúncias apresentadas pela Frente Animal às autoridades. Em Ourém, uma exploração de coelhos no Zambujal, freguesia de Atouguia, foi denunciada após a divulgação de imagens de alegadas agressões a animais e de coelhos vivos e mortos entre dejectos.
A terceira situação envolve uma unidade da Ovolíquido, ligada ao grupo Clara & Gema, em Souto da Carpalhosa, Leiria, onde foi denunciada a presença de roedores vivos e mortos. Na sequência das denúncias, O MIRANTE também estas duas empresas para obter esclarecimentos sobre as situações relatadas, mas não recebeu resposta.


