Empresa de reciclagem na Lamarosa contesta queixas de ruído e garante cumprir limites legais
Um eleito do Chega foi à última reunião de câmara de Torres Novas dar conta de alegadas queixas de moradores da Lamarosa relacionadas com ruído e dispersão de partículas de alumínio provenientes da RVO Reciclagem, assunto que remonta a 2023. A empresa garante a O MIRANTE que investiu cerca de um milhão de euros para resolver os problemas e que cumpre limites legais.
As queixas relacionadas com o ruído e a dispersão de partículas de alumínio provenientes da unidade 2 da RVO Reciclagem, na Lamarosa, concelho de Torres Novas, voltaram a ser levantadas na última reunião do executivo municipal. Ricardo Caixinha, eleito do Chega, alertou para a persistência de alegados problemas denunciados por moradores que vivem junto à unidade industrial. No entanto, em esclarecimentos prestados a O MIRANTE, a empresa contraria essa informação e garante que as situações identificadas foram corrigidas, apresentando resultados de avaliações ambientais que, segundo afirma, comprovam o cumprimento da legislação desde 2025.
Na reunião de câmara, Ricardo Caixinha referiu que um morador apresentou várias denúncias relativas ao funcionamento da unidade industrial, instalada na proximidade de habitações. Segundo o eleito, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) terá confirmado níveis de ruído superiores aos limites legais e a presença de detritos provenientes de trituradoras a céu aberto.
Em resposta a O MIRANTE, a gerência da RVO esclarece que os problemas identificados remontam a 2023 e que, desde então, foram implementadas várias medidas correctivas, num investimento de cerca de um milhão de euros. Entre as intervenções realizadas estão o reforço da insonorização do moinho granulador, alterações nos portões e portas da zona de produção, limpeza e despoeiramento do pavilhão e instalação de um novo sistema de tratamento de efluentes gasosos, destinado à filtragem de partículas.
A empresa destaca ainda a construção de um novo pavilhão com 1.800 metros quadrados, permitindo realizar a trituração em espaço fechado e reduzir a propagação de ruído e partículas para o exterior. Segundo a RVO, as avaliações efectuadas após as primeiras fiscalizações da CCDR, em 2023 e 2024, já tinham demonstrado conformidade legal relativamente às emissões gasosas e à qualidade do ar ambiente, embora os resultados das medições de ruído tenham motivado medidas correctivas. Após a conclusão das intervenções, novas avaliações realizadas por uma entidade externa certificada terão confirmado o cumprimento dos limites legais em todos os parâmetros analisados.
Última vistoria da CCDR não identificou problemas
A empresa acrescenta que os resultados foram apresentados em assembleia de freguesia e que a última vistoria da CCDR, realizada em Setembro de 2025, não identificou problemas específicos relacionados com estas matérias. Considera, por isso, que as situações descritas na reunião de câmara não correspondem aos resultados das avaliações disponíveis desde 2025. O MIRANTE solicitou também esclarecimentos à CCDR, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.
O presidente da Câmara de Torres Novas, José Trincão Marques (PS), esclareceu que a denúncia chegou ao município em Setembro de 2024 e foi encaminhada para a CCDR. O vereador Tiago Ferreira (PSD), que acompanhou o caso anteriormente, recordou a importância económica da RVO, empresa com uma facturação de cerca de 100 milhões de euros, mas defendeu que a actividade industrial deve ser compatível com a qualidade de vida dos moradores.


