Médico abandona Torres Novas sem dar consultas
Médico abandonou o concelho de Torres Novas ao fim de dois dias e não chegou a dar consultas. Presidente do município lamenta que o clínico tenha desistido da contratação que incluía a cedência de habitação camarária. CDU não perdoa a promessa falhada e acusa o PS de trair a população.
A população da União de Freguesias de Brogueira, Parceiros de Igreja e Alcorochel vai continuar sem médico de família, apesar de ter sido anunciada, pelo presidente do município, Pedro Ferreira, a entrada ao serviço de um novo clínico no final de Maio. Em causa está a decisão do profissional de saúde, originário de Vila Nova de Gaia, que depois de ter chegado a acordo com a Câmara de Torres Novas e o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo para entrar ao serviço voltou atrás e preferiu aceitar uma proposta para trabalhar mais perto da sua residência, no norte do país.
Em declarações a O MIRANTE, Pedro Ferreira explicou que o médico de família chegou a ficar hospedado durante dois dias numa unidade hoteleira do concelho porque quis aguardar que o apartamento – situado na Rua Cândido dos Reis – que lhe ia ser cedido pela autarquia reunisse todas as condições de habitabilidade.
O autarca referiu ainda que posteriormente o clínico começou a levantar questões relacionadas com as despesas que iria ter em quilómetros sempre que quisesse deslocar-se a Vila Nova de Gaia, que dista cerca de 215 quilómetros de Torres Novas. “Essa era uma questão que podia ser trabalhada, não era por isso que a situação não se resolvia”, sustentou Pedro Ferreira lamentando que o médico tenha aceitado negociar essa questão numa reunião agendada para terça-feira, 7 de Junho, mas que já não se realizou porque “disse [no domingo] que tinha arranjado emprego no Porto”.
Sobre o facto de o município ter investido na preparação de um apartamento para ceder ao médico, e que implicou gastos na ligação de água, luz e mobiliário de cozinha, Pedro Ferreira considera que não foi em vão, porque ficará “disponível para receber outros médicos” que aceitem trabalhar no concelho, onde a falta de médicos tem sido um problema difícil de resolver.
A entrada deste médico de família, por contrato de prestação de serviços com possibilidade de integração na rede de médicos do centro de saúde, ia dar resposta aos 700 utentes de Parceiros de Igreja e Alcorochel e utentes afectos ao posto médico de Chancelaria.
CDU acusa PS de traição
A CDU de Torres Novas não deixou passar em branco o anúncio falhado feito por Pedro Ferreira, a 17 de Maio, em reunião do executivo camarário. Num comunicado onde destaca a necessidade urgente da contratação de um médico de família para as unidades de saúde de Alcorochel e Parceiros de Igreja, a coligação escreve que “o PS voltou a trair as populações”.
“A Câmara de Torres Novas, mais uma vez, deu prioridade ao anúncio em vez de preparar as condições oferecidas ao médico, que entretanto terá desistido de trabalhar no concelho”, lê-se no mesmo documento, onde acrescentam que o PS “recusa assumir de forma séria o problema da falta de médicos que é grave no concelho”.
A O MIRANTE, Pedro Ferreira disse lamentar esta tomada de posição da CDU, garantindo que os socialistas que governam o município se têm esforçado para conseguir captar médicos de família para trabalhar no concelho. “Tenho a minha consciência tranquila por saber que fiz o melhor e só lamento que [o médico] tenha acertado connosco e depois não tenha cumprido. Sem sermos Ministério da Saúde estamos a dar o nosso melhor para contratar médicos”, vincou.
Quem também alinhou com o tom critico da CDU foi o porta-voz da Comissão de Utentes do Médio Tejo, Manuel Soares, que considera que houve “desorganização e falta de seriedade” por parte da Câmara de Torres Novas na condução deste processo que levou demasiado tempo. Em Constância, deu como exemplo, um problema semelhante resolveu-se em três dias.
Solução pode estar no regresso de médica
O problema da falta de médicos de família nas unidades de saúde de Parceiros de Igreja e Alcorochel pode vir a resolver-se ainda durante o mês de Julho com o regresso ao serviço da médica Raquel Badilha. A informação foi avançada a O MIRANTE pelo presidente do município, Pedro Ferreira, que remeteu explicações mais pormenorizadas para o ACES do Médio Tejo. O nosso jornal contactou a directora deste ACES, Diana Leiria, mas sem sucesso até à data de fecho desta edição.
A médica Raquel Badilha, recorde-se, já foi notícia em O MIRANTE por ter dado consultas à porta do posto de saúde de Alcorochel porque a administrativa que deveria abrir a porta à hora do expediente chegou atrasada. Na altura, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo disse ter-se tratado de um imprevisto.


