“Se os empregados não pressionarem os patrões nunca conquistam nada”

“Se os empregados não pressionarem os patrões nunca conquistam nada”

Manuel Caetano Valente é alentejano mas foi em Vialonga que deixou a sua marca na comunidade. Foi militar, trabalhou na metalomecânica e na indústria vidreira. Sindicalista, foi eleito presidente da junta durante oito anos e sempre esteve envolvido no movimento associativo. É hoje o presidente da assembleia-geral da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vialonga.

Se os trabalhadores nunca pressionarem os seus patrões reclamando por melhores salários e condições de trabalho correm o risco de receberem sempre menos do que merecem. A convicção é de Manuel Caetano Valente, 75 anos, dirigente associativo, ex-autarca, sindicalista e um rosto conhecido na comunidade.
Acredita que a vida de trabalho se faz de empenho e entrega à profissão que se desenvolve mas alerta que é preciso os trabalhadores nunca adormecerem na forma. Depois de várias profissões, foi na indústria do vidro que fez carreira e onde aprendeu que sem luta nada se consegue. “Sempre fui um homem que nunca fugiu do trabalho. Quando estava numa fábrica de moldes para a indústria vidreira envolvi-me no movimento sindical e fiz parte do Sindicato dos Vidreiros e da Federação da Cerâmica, Cimento e Vidro. Eram precisas mudanças”, recorda.
Trabalhar com ferro fundido que fazia imenso pó foi o começo da jornada de luta que arrancou com greves de oito horas em frente às máquinas. “Estávamos todos a ficar com os pulmões obstruídos e a nossa grande luta foi para que se começasse a meter aspiradores junto das buchas dos tornos mecânicos. Foi uma luta que ganhámos”, recorda a O MIRANTE. E vai mais longe: “Se nos acomodarmos e deixarmos as coisas andar nada nunca muda”, remata.
Manuel Caetano Valente é hoje o presidente da assembleia-geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vialonga mas sempre esteve ligado ao movimento associativo da comunidade. Natural de Sobral da Adiça, concelho de Moura, Manuel Valente veio para a região de Lisboa aos 14 anos para procurar trabalho e conseguir meter o pão na mesa. Começou como marçano – um moço de recados – em lojas de Lisboa e ia levar as mercadorias à casa dos clientes. Ainda esteve numa casa de alta costura no Chiado antes de ser recrutado para cumprir o serviço militar na Marinha e, mais tarde, embarcar para a Guerra do Ultramar. Quando voltou tirou um curso profissional de torneiro mecânico e fresador e trabalhou em várias empresas metalomecânicas até se estabelecer de vez numa vidreira.
No trabalho, os seus valores fundamentais são a força de vontade e a honestidade. “Tira-me do sério as pessoas que não sabem trabalhar em equipa e os oportunistas que aparecem para atingir objectivos pessoais e não do colectivo”, refere.

Dinheiro europeu deu nova vida a Vialonga

Manuel Valente abraçou um convite e foi eleito presidente de junta, cargo que exerceu durante oito anos. “Quando cheguei a Vialonga a terra não tinha quase nada. Havia a Casa do Povo, um grupo desportivo, os bombeiros e mais nada. Nem acessos como deve ser nós tínhamos. Só começaram a chegar com as obras da Expo 98”, recorda. Envolveu-se no movimento associativo, criou a Associação Cultural e Desportiva do Parque Residencial e esteve na Associação de Bem-Estar Infantil de Vialonga (ABEIV).
“Com a entrada na Comunidade Europeia começaram a aparecer as possibilidades de nos candidatarmos aos quadros comunitários de apoio e desenvolvemos projectos de luta contra a pobreza, integração social e criámos, por exemplo, o infantário da Aboboreira, creches familiares, centro de dia, centro de convívio, o pavilhão do Olival de Fora e pré-escolares. Tenho muito orgulho em ter contribuído para tudo isso”, confessa.
Actualmente os bombeiros ainda precisam de amortizar os quase 200 mil euros que lhes coube de comparticipação pelas obras de construção do novo quartel. “Se aparecesse um mecenas que nos ajudasse a pagar isso, amanhã ia-me embora”, remata o dirigente, que espera poder abandonar o cargo com a associação livre desse encargo financeiro.

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