O cancro tem cura se os sinais no corpo não forem ignorados

Liga Portuguesa Contra o Cancro organizou colóquio para alertar para a importância do diagnóstico precoce

Especialistas acreditam que número de cancros vai aumentar 41% nos próximos 20 anos e lembram a importância do diagnóstico atempado. Os rastreios têm um papel importante mas não são para todos. Estar atento aos sinais e visitar o médico são os primeiros passos para a cura de uma das doenças do século.

Em 2020 sete mil pessoas receberam, em Portugal, um diagnóstico de cancro da mama, o que dá uma média de 19 casos por dia.  Mas se é verdade que um diagnóstico de cancro é duro de se receber também é uma certeza que evitá-lo só vai agravar a doença e diminuir as hipóteses de cura. E o que também se sabe é que quanto mais informada e esclarecida estiver a população mais serão os que vão estar atentos aos sinais e realizar exames de rastreio ou diagnóstico. Estas foram algumas das ideias defendidas por três especialistas de Oncologia, no colóquio “Falar de Rastreio como Prevenção do Cancro”, organizado pela Liga Portuguesa Contra o Cancro – Núcleo Regional do Sul, no Dia Mundial do Cancro, assinalado a 4 de Fevereiro.
O colóquio, que decorreu na Casa do Brasil, em Santarém, pretendeu sensibilizar a população para a importância do diagnóstico atempado e para não se deixar de procurar um médico quando há sinais que não devem ser ignorados. Porque ainda acontece, alertou a directora do serviço de Senologia do Hospital Distrital de Santarém, Madalena Nogueira, muitas pessoas proporem-se a um exame de rastreio quando já têm “lesões palpáveis” ou outros sinais evidentes de cancro que, neste caso, deviam ser analisados numa consulta de diagnóstico da especialidade.
No caso do cancro da mama, o que mais mulheres mata em Portugal (cinco por dia, em 2020), Madalena Nogueira lembra que um rastreio através de mamografia é um “exame de primeira linha” para mulheres entre os 50 e 69 anos sem sinais da doença. Considera até que, embora acarretasse um grande esforço financeiro para os cofres do Estado, este tipo de exame deveria ser alargado para mulheres a partir dos 40 anos. De acordo com a médica foram diagnosticados em 2020 mais de dois milhões de casos de cancro da mama no mundo, um número que tenderá a aumentar 41% até 2040.

Taxa de rastreios do cancro da mama fixa-se nos 60%

Apesar de existir cada vez mais informação e campanhas de sensibilização sobre a importância do rastreio e diagóstico precoce, a médica Marta Pojo referiu que a taxa de participação nos rastreios de cancro da mama organizados pela LPCC é de 60%. No distrito de Santarém, em 2020, foram rastreadas 4.865 mulheres, das quais 66 tiveram que ser submetidas a exames mais específicos e 24 tinham cancro de mama.
Além dos rastreios ao cancro da mama que são feitos pela Liga tem-se apostado em rastreios oportunísticos ao cancro de pele e cancro oral, em franjas da população consideradas mais propensas a desenvolver a doença. No que diz respeito ao primeiro foram realizadas, em 2021, 42 acções de rastreio, tendo sido detectadas 460 lesões pré-malignas e 135 casos de cancro.
Sobre o cancro de pele e as acções de rastreio organizadas pela Liga, o dermatologista do HDS, César Martins, considerou relevante haver uma maior cooperação entre as duas entidades com o objectivo de acelerar o tratamento oncológico. Uma medida que a coordenadora da Liga, Carmo Couto, reconheceu como importante, comprometendo-se a iniciar esse diálogo.
César Martins considerou ainda fundamental fomentar-se na sociedade uma mudança de comportamentos, que deve começar nas escolas. Isto porque, lembrou, a maior parte da população continua a não respeitar, por exemplo, os horários em que não deve ser feita a exposição solar ou a utilizar adequadamente o protector solar.

Texto publicado em Fevereiro de 2022

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