Jorge Rodrigues e Cátia Inverno
Uma das vezes que o coordenador da ADIRN, Jorge Rodrigues, se encontrou consigo próprio, foi no caminho primitivo de Santiago. Cátia Inverno, a quem damos a Última Página de Honra, começou a lidar com mortos na altura em que desejou ser mãe.
Uma das vezes que o coordenador da ADIRN, Jorge Rodrigues, se encontrou consigo próprio, foi no caminho primitivo de Santiago. Trezentos e trinta e três quilómetros entre Oviedo e Santiago de Compostela, com uma mochila de onze quilos às costas. Subidas íngremes e longas. Um passo de cada vez, sem a pressão do quotidiano. Uma aprendizagem sobre o sentido da vida. Uma experiência arrebatadora, como a que também teve ao fazer mergulho nas águas profundas do Atlântico, junto à ilha de Santiago, em Cabo Verde. O engenheiro agrónomo, que adora desportos náuticos e reside em Tomar, já viu muitos e belos locais do mundo, mas é nos regressos a casa e às belezas naturais dos concelhos do Ribatejo Norte que ele mais se encanta. É a ele e àquelas paisagens e gentes que as habitam, que damos a Última Página de Honra desta semana.
Trabalhar numa agência funerária não é um trabalho como outro qualquer. Nem é uma actividade com que se sonhe em criança, como cabeleireira, futebolista, médico ou piloto de aviões. Cátia Inverno, a quem damos a Última Página de Honra, começou a lidar com mortos na altura em que desejou ser mãe. E não foi por morbidez, mas porque, no emprego que tinha, não lhe permitiam ter um horário flexível. Pôs de parte o curso de gestão, fez a formação de técnica funerária e, desde então, na Funerária Torrejana, que pratica uma flexibilidade total, com disponibilidade diária de 24 horas, todos os dias do ano, vai aprendendo muito e cada vez mais. Sobre a morte, mas principalmente sobre a vida e os vivos. Gosta do que faz e gosta que o seu trabalho seja reconhecido. Sente-se grata quando isso acontece, embora nem sempre aconteça. Seja por força do sofrimento… ou por força do hábito.


