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Agasalhado Serafim Floco das Neves

Edição de 26.01.2017 | Emails do Outro Mundo

Lamento informar-te mas chegaram más notícias. O Tribunal condenou aquele energúmeno de Tomar que andou à porrada num bar e tirou uma vista a um adversário com um caco de vidro, a pagar uma indemnização de 175 mil euros à vítima. Ou seja, condenou os contribuintes a pagar uma vez que o tipo que fez aquilo não deve ganhar para cervejas quanto mais para indemnizações.
É verdade que se ele não pagar vai para a prisão com uma condenação de quatro anos. Mas também é verdade que até lá vai andar aí pelos bares a beber copos e que depois de ser engavetado vai sair ao fim de pouco tempo por bom comportamento e porque as prisões estão a deitar por fora...ou a deitar para fora, ou lá o que é. A única dúvida com que eu fico é sobre que imposto indirecto será lançado este ano para o Estado continuar a pagar as indemnizações a que esta rapaziada vai sendo condenada?
Falo-te disto para que não entres em euforias quando lês notícias de sentenças que implicam o pagamento de indemnizações. É que nessas, tal como nas outras que demoraram anos e anos a ser proferidas, a justiça sai sempre coxa. É certo que o Estado vai pagar, quando paga, uma parte da indemnização às vítimas mas é dos nossos impostos que sai o dinheiro e não dos bolsos de quem fez merda. E ainda temos que pagar a comida e a água do banho aos presos e ouvi-los reclamar das ementas.
Dizes no teu último e-mail que Portugal é um país sempre alerta, seja por causa da chuva, do frio, do estado do mar, da geada, da neve, do vento, do calor, da seborreia ou dos bicos de papagaio. Tens razão e foi por causa desse exagero que eu já deixei de me preocupar com os alertas da protecção civil sobre o frio polar; com os avisos do Director Geral de Saúde, Francisco George, sobre a gripe dos frangos; com as angustiantes notas de imprensa das operações stop que todos os jornais reproduzem como se estivessem a dar notícias e com a histeria dos ambientalistas cá da região por causa da central nuclear de Almaraz.
Se queres que te diga, tirei todos os canais informativos da lista de canais que tenho em uso, reabasteci a garrafeira e o frigorífico nas promoções de Janeiro e sinto-me em forma. Como costumava dizer a minha avó materna, o que é demais é moléstia e aquela treta toda estava a afectar-me a moleirinha.
A notícia de que o nosso operacional mor das cheias, incêndios e calamidades em geral, Joaquim Chambel, tinha sido obrigado a entregar a farda à general com estrelas e tudo, voltando a ser funcionário da Câmara de Abrantes também ajudou a este meu estado de beatitude, confesso.
O que eu não consigo dispensar são as notícias que me fazem sorrir. Uma das últimas foi a dos contadores da água que, segundo alguns jornais, estão a rebentar com o frio, ou a rebentar de frio. Li aquilo e tive pena que não tenham escrito que estão a rebentar como pipocas. Estão a pipocar, seria a expressão que mais me agradaria.
Podes achar que estou a ser contraditório porque acabei de dizer que não quero saber de alertas de calamidades e já estou a falar de uma calamidade mas não é bem assim. Isto é tudo uma questão da escolha das palavras. Acagaçarem-nos com a chegada de uma frente polar é uma coisa. Mas se nos disserem que na frente polar vêm pinguins, ursos brancos a andar de trenó, focas a equilibrar bolas na ponta dos focinhos e iglos com esquimós lá dentro, a coisa muda de figura. Muda ou não muda, Serafim?
Saudações térmicas
Manuel Serra d’Aire

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