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“Um euro na junta vale dez na câmara”

“Um euro na junta vale dez na câmara”

É o mais jovem presidente de freguesia no concelho de Rio Maior e aos 33 anos desdobra-se nas funções de autarca, empregado e pai. Leandro Jorge cresceu na aldeia de Cabeça Gorda e cedo se ligou à política. Hoje lidera a União de Freguesias de São João da Ribeira e Ribeira de São João.

Edição de 26.01.2017 | Identidade Profissional

Cresceu na Cabeça Gorda, uma aldeia de São João da Ribeira, concelho de Rio Maior, e hoje vive na União de Freguesias de São João da Ribeira e Ribeira de São João. Leandro Jorge tem 33 anos e desde os 22 anos que está ligado à junta, primeiro como secretário e desde 2013 como o líder de uma união de freguesias que diz ter sido pacífica. “Continua a existir um bairrismo mas esta foi a união do concelho com menos problemas”, afirma.
Aquele que é o mais novo presidente das juntas de freguesia do concelho de Rio Maior trabalha numa loja de produtos agro-pecuários. Passou tardes e fins-de-semana na Comissão de Melhoramentos, Actividades Recreativas e Culturais de Cabeça Gorda onde contribuiu para o seu funcionamento com um grupo de jovens. “Nunca camuflei o que sou, vim de uma família modesta e os meus pais tiveram dificuldades em me manter na escola. Deram tudo o que podiam e a maior riqueza que passaram a mim e ao meu irmão foram os bons valores”, afirma.
A escola nunca lhe despertou muito interesse e a universidade nunca esteve nos seus planos. “Queria ter o meu ordenado e poder fazer a minha vida”, diz Leandro. Cerca dos 16 anos um acidente de mota tirou-o da escola e só depois dos 20 é que terminou o secundário à noite. “Lembro-me dos meus amigos obrigarem-me a ir às Tasquinhas de Rio Maior, estava a cair animicamente e tive de esquecer as motas”, conta Leandro que teve um ano a recuperar e de cadeira de rodas.
Recuperado, trabalhou como ajudante de electricista em Rio Maior, um emprego a que virou costas passados poucos meses, e esteve durante dois meses na fábrica de tomate em São João da Ribeira. Aos 18 entrou na empresa de Rui Barreira como caixeiro. Está na loja de comércio de produtos agrícolas e pecuários há 15 anos e diz que faz um pouco de tudo. Vende adubos, rações para animais, produtos fitofarmacêuticos e ainda comida para cães e gatos, vedações ou parafusos. “É uma empresa num meio pequeno e convém ter uma oferta maior”, aponta.
Leandro diz atender um grande leque de clientes numa empresa onde trabalha ao lado de Rui Barreira e do seu filho, Miguel Barreira. “Tem sido um segundo pai e um amigo”, diz o jovem autarca sobre o seu patrão. “Se sou presidente de junta é porque o meu patrão me deixa”, diz, “porque muitas vezes as pessoas batem à porta da loja para falar de problemas da freguesia”.
O autarca diz mesmo que por vezes sente-se “incomodado porque nem sempre as pessoas sabem distinguir as coisas e demoram tempo a falar comigo”. No entanto afirma que nunca houve problemas. “E quando faço trabalho de escritório e perguntam por mim o patrão diz que estou no gabinete da junta de freguesia, que é o escritório da loja”, diz entre risos.
Filiado no PSD desde os 16 anos e actual vice-presidente da concelhia de Rio Maior, Leandro lidera a união de freguesias pela coligação PSD-CDS. Diz que o “bichinho da política” está para ficar e admite que nestas lides se fazem “bons amigos, amigos de ocasião e pessoas que gostam menos de nós”.
E o que é mais fácil? “Ser funcionário da empresa”, responde. “Tenho as funções clarificadas, ordenado e o horário definido. Ser presidente é mais difícil mas também é mais estimulante e costuma-se dizer que um euro aqui vale dez na câmara. Temos de aproveitar bem os poucos recursos que temos”, acrescenta.
Admite não conseguir dar atenção aos dois filhos mas tem na família, na junta e no trabalho os apoios necessários para se conseguir desdobrar em funções. E quando há tempos livre? “Aproveito para estar com a família e os amigos. Ultimamente tenho feito umas fugidas para ver o Benfica ganhar na Luz”, conclui.

“Um euro na junta vale dez na câmara”

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