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Jovens criadores abordam a loucura em Residência Artística de Santarém

Jovens criadores abordam a loucura em Residência Artística de Santarém

Iniciativa cultural reuniu 11 artistas na incubadora de artes da cidade

Edição de 21.09.2017 | Sociedade

O artista plástico João Maria Ferreira liderou o projecto da Residência Artística de Santarém (RAS) que decorreu entre 9 e 15 de Setembro tendo como tema principal a “Loucura”. O escultor e pintor convidou um grupo de jovens artistas da área do cinema, fotografia, pintura e escultura para participarem na iniciativa. Ana Xavier, Daniel Xavier, Diana Amado, João Afonso Januário, João Espinho, Marta Madeira, Pedro Malaca, Rita Alfaiate, Rita Silvestre e Teresa Pessoa criaram obras de arte na Incubadora de Artes da cidade, situada na antiga Escola do Salvador.
Participou ainda nesta iniciativa uma aluna do projecto “Incluir – Uma oficina para todos e para cada um”, um projecto de voluntariado do Hospital de Santarém que promove a interacção entre cidadãos, de modo a combater a exclusão social e a diminuir o estigma da doença mental. O objectivo foi cada um apresentar uma obra na exposição inaugurada na sexta-feira, 15 de Setembro, no Fórum Actor Mário Viegas, que vai estar em exibição até final do mês.
Pedro Malaca tem 25 anos e estudou na Escola de Belas-Artes e também tirou o curso de Arte e Multimédia, vertente de Animação. Na sua folha branca está o desenho de um rosto, com a zona da cabeça interligada por fios. O jovem artista quer criar uma imagem que demonstre que os media, nomeadamente a televisão, jornais e rádio, controlam a mente das pessoas e que as pode levar à loucura. Daniel Xavier, de 23 anos, veio de Almada para participar nesta iniciativa. Licenciado em Pintura, curso que terminou há cerca de um ano, pretende criar um projecto que relacione e faça um balanço fotográfico sobre o que é ser louco e não ser.
Ana Xavier e Teresa Pessoa, ambas licenciadas em Pintura, participam na RAS com o objectivo de partilharem experiências e adquirirem novos conhecimentos para a sua vida profissional. “Estas iniciativas são muito produtivas porque aprendemos sempre mais qualquer coisa e na nossa área é fundamental”, diz Ana Xavier.
Diana Amado tem 25 anos e, apesar de ser da área de cinema, decidiu participar na RAS uma vez que gosta de todas as áreas da cultura. “Estou a fazer uma máscara e umas mãos, em escultura, em que pretendo retratar a loucura através da velhice. Muita gente desvaloriza os idosos e acham que eles enlouquecem quando na verdade estão lúcidos. Quero fazer essa representação”, explica a O MIRANTE durante o seu processo criativo.
João Espinho, 25 anos, natural de Santarém, frequenta o curso de Som e Imagem na Escola Superior de Artes e Design nas Caldas da Rainha. Quando falamos com ele estava a cortar cartão que vai servir de suporte à instalação que pretende criar para abordar o medo. “Estou num método criativo, vamos ver o que vai sair daqui. É a minha primeira experiência e está a ser desafiante, porque é uma forma de me conhecer a mim próprio e à minha criatividade”, explica.
A Residência Artística de Santarém nasceu da vontade de juntar jovens criadores de áreas diferentes, fomentando a partilha de ideias, com o objectivo de desenvolver um projecto artístico em conjunto e de incutir na cidade de Santarém um espírito cultural diferente, tentando quebrar a ideia de que coisas boas só acontecem nas capitais. Participaram na iniciativa onze artistas jovens, com idades entre os 20 e os 26 anos, oriundos de vário pontos do país. Para além dos trabalhos apresentados na exposição final, foram feitas outras intervenções de arte urbana na cidade.

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