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A morte de um toiro na praça é mais digna que no matadouro
Hélder Esménio, Simão Neves com a mulher e a filha e o crítico tauromáquico Maurício do Vale

A morte de um toiro na praça é mais digna que no matadouro

Simão Neves é picador de toiros profissional e trabalha em Espanha, mas gostava de ver corridas com toiros de morte em Portugal e de poder actuar no seu país. É natural de Salvaterra de Magos, onde foi inaugurada uma exposição dedicada à sua carreira.

Edição de 17.05.2018 | Sociedade

“É mais bonito um toiro morrer dignamente na praça do que ir morrer no matadouro”. A polémica sentença é proferida por Simão Neves, natural de Salvaterra de Magos, que trabalha como picador de toiros, sobretudo em Espanha. Uma actividade que não existe nas corridas de toiros à portuguesa, em que é proibida a morte do toiro na arena. O MIRANTE falou com o picador após este ser homenageado pela Câmara de Salvaterra de Magos e assistir à inauguração da exposição “Simão Neves: A dedicação ao campo, ao toiro e ao cavalo”, no edifício do Cais da Vala, em Salvaterra de Magos, no dia 10 de Maio.
Apontado como o único português que se dedica exclusivamente à arte de picador, Simão Neves considera que a morte de um toiro na arena “é algo tão essencial num espectáculo” que não faz sentido ser proibido pelo Governo.
Quanto aos grupos anti-taurinos, Simão Neves não tem dúvidas: são constituídos por “pessoas leigas na matéria que provavelmente recebem dinheiro de alguém para fazerem barulho”. Diz que criticam sem saberem o que é a vida no campo e quanto custa criar um toiro bravo. “Se vissem um ganadeiro a cuidar quatro ou cinco anos de um toiro, o dinheiro que gastam em veterinários, não falavam assim”, defende.
A trabalhar neste momento unicamente fora do país, Simão Neves admite que esta é uma das mágoas da sua carreira de 10 anos como picador de toiros. “Qualquer pessoa a trabalhar na tauromaquia quer trabalhar no seu país”, admite.

Uma vida ligada à tauromaquia
Casado e pai de uma filha, Simão Neves, 49 anos, tomou gosto pelo mundo dos toiros por influência do avô, Manuel das Neves, ligado à construção da Praça de Toiros de Salvaterra de Magos, e do seu pai, Carlos Neves, empresário. Foi com 15 anos que se fardou de forcado pela primeira vez, na antiga Monumental de Cascais, vestindo a jaqueta do Grupo do Ribatejo. Ingressou depois no Grupo do Aposento da Chamusca.
Foi forcado durante 25 anos até decidir ser exclusivamente picador de toiros e actuar em Espanha. Uma arte que surgiu por carolice nos tentaderos da Ganadaria Conde de Murça e pela qual se entusiasmou. A sua estreia como picador foi às ordens do matador Nuno Casquinha, na Praça de Toiros de Moraleja (Cáceres).
A completar 10 anos como picador, Simão Neves já recebeu vários prémios e é o primeiro picador português a actuar, duas tardes seguidas, na maior praça de toiros do mundo, a Monumental de Las Ventas (Madrid), durante a Feira da Comunidade de Madrid. Um dos momentos mais marcantes da sua carreira que Simão Neves não esquece: “Foi uma sorte ter sido escolhido pelos novilheiros Daniel Menes e Miguel Maestro. Uma proeza que correu bem e espero que me abra novas portas”.
Entre colhidas e quedas do cavalo, Simão Neves admite que a vida de picador tem duas faces. Se, por um lado, tem de enfrentar animais com mais de 500 quilos e longas viagens de carro, por outro existem momentos de convívio em que se fazem grandes amigos. Simão Neves faz anualmente entre 15 a 20 corridas. “É uma vida cheia de riscos, mas que vale a pena”, revela. “Ainda me lembro”, conta, “do dia em que ganhei o prémio em Guadalix de la Sierra (2013). Nesse dia, da segunda vez que caí com o mesmo toiro, fracturei uma costela e tive de subir outra vez para o cavalo para continuar a picar o animal”.

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