Crónicas do Brasil | 28-12-2015 16:51

Nuvens

Nuvens

Protótipo do político ardiloso, o mineiro Magalhães Pinto dizia que a política é como nuvem você olha e ela está de um jeito, olha de novo, e ela já mudou.

Protótipo do político ardiloso, o mineiro Magalhães Pinto dizia que a política é como nuvem, você olha e ela está de um jeito, olha de novo, e ela já mudou. Nem por isso políticos e jornalistas deixam de fazer previsões, antecipando movimentos do cenário nacional, e há mesmo aqueles que recorrem a cartomantes, feitiços e pajelanças. O próprio Magalhães Pinto fazia previsões, visto haver apostado – e participado – nas articulações que levaram ao nefasto golpe militar de 1964. A ânsia da oposição em antecipar o fim do mandado da presidente Dilma Rousseff, forçando a barra com essa história de impeachment, pôs em movimento, com uma antecedência jamais vista na história do país, as forças políticas que vão influenciar nas eleições presidências de 2018. São essas forças que estão aí, na mídia e nas redes sociais, mexendo-se como nuvens. Claro, tudo pode mudar de uma olhada para outra. Mas, se não há pecado em fazer previsões, por que não correr o risco? Dizer que o PMDB sairá da crise ainda mais dividido é redundância. Sairá esfacelado e sem a menor credibilidade. Que, aliás, não tem desde que se tornou legenda de aluguel. Embora o partido queira – como mostram os últimos movimentos – lançar candidatura própria à presidência, não terá nome de peso e mais uma vez deverá compor uma chapa, desta vez não com o PT ou qualquer outro partido de esquerda, mas com as forças mais conservadoras. Seu cacife será cada vez mais baixo. Haverá ainda partido capaz de confiar no PMDB de Michel Temer? O PMDB confiável que vai sobrar desse aí é o de Jarbas Vasconcelos, Roberto Requião e mais três ou quatro nomes de expressão nos estados. O PT, que nunca esteve livre de divisões internas, se junta e se recompõe na hora das eleições. É o que decerto vai acontecer de novo. Porém, o grande problema em 2018 será o nome. A presidente Dilma Rousseff chegará ao final do mandato tão perseguida e debilitada pelas mordidas raivosas da oposição no seu calcanhar que não terá a menor condição de fazer um sucessor. E nada indica que a economia – esse termômetro impiedoso – terá melhorado até lá. O PSDB certamente virá com Aécio Neves. Mas o candidato reagiu tão mal à derrota, tornou-se tão açodado na sua ânsia, e tem mostrado tão pouca compostura no comando da oposição – também, seu mestre FHC nunca lhe puxa a orelha! – que há muito deixou de honrar o nome do avô, que, a nosso ver, era o seu maior patrimônio. Se continuar como vai, poderá acabar se tornando um eterno candidato, como o José Serra. Para esses, o cavalo já passou. O partido de Marina Silva, o Rede, não tem se movimentado muito. Seja como for, não é ainda uma força expressiva, apesar da aceitação da ex-senadora entre ambientalistas, de um lado, e de evangélicos, do outro. É flagrante a ideia de rejeição entre essas duas correntes. Não vemos coincidência de propósitos nem de prioridades entre o conceito de sustentabilidade dos ambientalistas e o obscurantismo passadista predominante entre os evangélicos. O que resta? Resta um nome. Sim, no país em que os partidos ou não têm ou perdem muito depressa a credibilidade, os nomes é que têm força. Foi assim com Leonel Brizola, que se tornou maior do que o PDT. E com Lula, também maior do que o PT. Tanto é assim, que o PT se esfacela enquanto Lula – até o momento, pelo menos – permanece inteiro. Porém, ainda que nada se prove contra ele, Lula não deverá sair candidato. Mas aquele que tiver seu apoio virá com força total, e será esse a disputar a cadeira presidencial com o PSDB de Aécio e FHC. E esse nome, meus amigos, não deverá ser do PT, dado o desgaste monumental do partido. Ele terá de vir de fora, e contar com o apoio do partido – vale dizer, o apoio de Lula e da presidente Dilma Rousseff. Hora da profecia: o nome da vez é Ciro Gomes. Podem anotar. O paulista de Pindamonhangaba que virou cearense vai entrar no páreo, e com grandes chances de vencer.

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