Crónicas do Brasil | 25-03-2022 05:59

O insuportável egoísmo das elites

Vinicius Todeschini

No Brasil temos uma das piores elites do mundo, não tenho a pretensão de dizer, a pior, porque há forte concorrência pelo mundo afora ( : ) Uma elite colonizada que adora ter casas em Miami e usar o pobre país natal para exploração e arrecadação de dinheiro, porque aqui é o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres.

Quando ficamos perplexos diante da estupidez humana nos perguntamos o porquê disso. Qual seria a causa de uma pessoa ou um grupo acreditar em algo insustentável em todos os aspectos? Criar ideologias baseadas em hipóteses, apenas arbitrariedades, e a divulgar isso como se verdade fosse. Os conflitos se sucedem porque inventam “novas ideologias” e cooptam fanáticos capazes de acreditar em qualquer coisa que os tire, momentaneamente, da pobreza existencial das suas vidas. Essas novas teorias são apenas reformulações de velhas fórmulas, como as exaustivas releituras de textos sagrados, tudo no interesse de justificar a superconcentração de poder e dinheiro nas mãos de poucos. O espiritismo explica que cada um tem o que merece e cada situação que está passando -em sua vida atual- é uma tentativa de resgatar os malfeitos em uma vida anterior. O catolicismo tem o purgatório, local onde as almas ficam para purgar o que não pagaram totalmente na vida terrena e poderem adentrar ao céu prometido pelos padres. Nas religiões evangélicas há uma miríade de teses sobre a vida posterior à morte. Reencarnação ou ressurreição? São crenças, apenas interpretações e mais interpretações. Tudo isso, no entanto, serve de argumentos para manter bilhões na miséria e sem nenhuma chance de ter uma vida verdadeira com realizações e bem-estar. O Brasil tem 100 milhões sem coleta de esgoto e 35 milhões sem água tratada.

                No Brasil temos uma das piores elites do mundo, não tenho a pretensão de dizer, a pior, porque há forte concorrência pelo mundo afora, mas nesse quesito é muito difícil ganharem do Brasil, infelizmente. Uma elite colonizada que adora ter casas em Miami e usar o pobre país natal para exploração e arrecadação de dinheiro, porque aqui é o paraíso dos ricos e o inferno dos pobres. Nesse momento vivemos sob o jugo de um governo neoliberal, predatório dos direitos dos trabalhadores e incansável na busca de criar mais vantagens para os ricos do país. O governo Bolsonaro entrará para a história desse país como um dos períodos mais tristes da nossa história, pela rarefação dos direitos dos trabalhadores, pela destruição do meio ambiente (liberação de inúmeros agrotóxicos e destruição de biomas fundamentais), pelo incentivo à violência com a liberação de armas, pela perseguição às artes e aos artistas, pela homofobia, pelo negacionismo da ciência (milhares de pessoas morreram pelo atraso da compra das vacinas, pelas fake news absurdas e, como se tudo isso não bastasse, nesta semana, o próprio ministro da Educação afirmou priorizar amigos de pastores a pedido de Bolsonaro. O jornal “Folha de São Paulo” obteve uma conversa gravada onde o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirma que o governo federal dá prioridade à liberação de verbas para aquelas prefeituras, cujas negociações para essas liberações, foram feitas por dois pastores sem cargos formais no MEC (Ministério da Educação), mas que atuam em um esquema informal para obtenção de verbas com o apoio do atual presidente.

Tudo que vivemos no Brasil de ruim, de decadente, de retrocesso é patrocinado por essas mesmas elites que financiaram a tentativa de destruição da reputação do ex-presidente Lula, patrocinado uma campanha com a ajuda de parte do Estado (Lava Jato) e da grande Mídia para colocar este des-governo no poder. E o que colhem hoje é lucro e mais lucro e o povo, miséria e mais miséria. Não podemos esquecer que parte do povo pobre e trabalhador votou em Bolsonaro, manipulados por uma campanha gigantesca de desconstrução de um projeto de inclusão social.  As elites são incansáveis e, mesmo que, a maioria realmente não acredite em Deus, usar o nome de Deus não lhes causa nenhum prurido. Trump também fez isso nos EUA, aliás, continua fazendo, porque permanece em campanha.

É o fim da picada! Não! É apenas o começo, porque depois do fim da picada começa um labirinto, onde as grandes manipulações continuam sendo engendradas através das milícias virtuais. O youtuber, Allan dos Santos, refugiado nos EUA e com mandato de prisão decretado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, continua livre e criando perfis no Telegram, como ontem foi noticiado. O ministro tinha mandado bloquear o Telegram no Brasil, mas o liberou novamente, porque o aplicativo russo teria feito mudanças na sua forma de atuação e nomeado um representante legal no país, mas parece que mudou muito pouco.

Vinicius Todeschini 22-03-2022

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