Crónicas do Brasil | 14-06-2022 16:53

A perigosa arte de enganar o povo

Vinicius Todeschini

Neymar ficou famoso por ser o jogador cai, cai. Enganar o povo tem um preço, vejam vocês o triste destino do ex-juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, que se tornou alvo de deboches pelos constantes fracassos. Por último, foi indeferida a sua transferência de domicílio eleitoral, assim não poderá concorrer por São Paulo. O pato de Maringá acabou sem sequer voar. Quem diria.

Enganar para criar um caminho bem-sucedido na política é uma tradição firmada no maior país da América do Sul. O jogo lembra muito mais o pôquer que o xadrez, muito embora a comparação com o xadrez seja a preferida, porque remete a algo mais intelectual, mas o xadrez é um jogo silencioso e o blefe dos jogadores, em momentos decisivos do pôquer, remete a cenas análogas na política brasileira. É claro, na condição de ex-colônia de Portugal, o Brasil não tem uma cultura nacional com tanto substrato e consistência como a dos europeus, mas em matéria de corrupção não devemos nada a ninguém.

                Estamos vivendo a entropia do sistema montado pela extrema-direita para tomar o poder o que, diga-se de passagem, foi bem-sucedido, mas, pela incompetência costumeira e pela ganância indissociável, caiu novamente no velho brete de não saber o que fazer com os pobres, além de explorá-los e torná-los miseráveis, agora são –oficialmente- 33 milhões de brasileiros passando fome. Os números negativos oficiais são sempre menores do que a realidade demonstra, na verdade 1/3 da população brasileira vive na corda bamba entre a pobreza e a miséria absoluta, números alcançados graças a este governo atual que não tem poupado esforços para aprofundar essa situação.

                A ideia de que os brasileiros são acomodados e não reagem às injustiças e opressões dos poderosos é inteligível: é que os colonizadores criaram bases sólidas para uma cultura calcada na manutenção de uma ordem, onde o pai fundador tem prioridade sobre os bens, incluindo terras e riquezas em geral e os pobres têm direito a diversões populares regadas a bebidas baratas, como a aguardente e a cerveja. O futebol é parte fundamental do velho esquema pão e circo e, talvez por isso, o Brasil tenha sido campeão do mundo por cinco vezes. Hoje em dia, na medida que os campinhos de bola foram desaparecendo e as escolinhas de futebol prosperando, aquelas caraterísticas únicas do futebol brasileiro foram se perdendo, até que os jogadores brasileiros se tornaram comuns.

                Reconstruir é preciso, viver não é preciso! Aqui é assim, quando parece que estamos no caminho certo, logo ali adiante, no caminho nacional, aparece um retrocesso do tamanho do que estamos vivendo, apenas para nos lembrar que nunca reviramos o suficiente a nossa própria história para realmente saber como chegamos a isso. Parece que nunca sabemos exatamente o que aconteceu e as explicações sempre parecem infantis demais para justificar tamanhos erros, além disso, desculpas só confirmam porque somos assim. O nosso egoísmo nacional continua intacto e por isso preferimos esquecer.

                Esta semana, o ministro da Economia pediu –encarecidamente- aos donos de supermercados para diminuir um pouco a sua margem dos lucros. Qualquer coisa como pedir aos leões que comam menos zebras e gnus, algo que não está em seu DNA. A tentativa é para criar alguma chance de enfrentamento nas eleições que, praticamente, já estão perdidas, no entanto, existe o desejo de mitigar mais um fiasco dos poderosos, que, apesar disso tudo, continuam tendo oportunidades históricas para governar e confirmar que o povo ainda não reconhece seus reais inimigos. O povo lembra um pouco aqueles rebanhos de zebras e gnus que pastam solenes nas savanas africanas ao lado de matilhas de leões e hienas.

                Este ano tem Copa do Mundo, mas a seleção brasileira há muito perdeu aquela relação especial que tinha com os torcedores. Hoje em dia poucos realmente torcem pela seleção, aqui no sul do país se torce mais contra que a favor e como dizem os portugueses, a seleção brasileira nas últimas Copas tem jogado ao pé coxinho. Além disso, alguns jogadores são muito antipatizados pela torcida, Neymar é o maior exemplo. Ao contrário de Messi que aos poucos foi conquistando os argentinos, Neymar não demonstra nenhum interesse e nenhuma humildade quando recebe críticas ao seu futebol, cheio de manias que os torcedores detestam, como cair frequentemente e reclamar muito, ao contrário de Messi, que suporta a carga dos adversários e raramente cai. Neymar ficou famoso por ser o jogador cai, cai. Enganar o povo tem um preço, vejam vocês o triste destino do ex-juiz da Lava-Jato, Sérgio Moro, que se tornou alvo de deboches pelos constantes fracassos. Por último, foi indeferida a sua transferência de domicílio eleitoral, assim não poderá concorrer por São Paulo. O pato de Maringá acabou sem sequer voar. Quem diria!

Vinicius Todeschini 14-06-2022

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