Crónicas do Brasil | 24-06-2022 09:59

Evoé Gustavo Petro

Vinicius Todeschini

O continente latino-americano está mudando e é pela grande quantidade de informação disponível para milhões de pessoas que isso está acontecendo. Hoje em dia, mesmo os mais pobres sabem da importância da informação e estão mais informatizados do que se esperava. Com isso cresceu muito o número de pessoas que aprenderam a cotejar informações e conhecimentos e desenvolveram o seu próprio senso crítico.

Finalmente chegou a vez da Colômbia ter um governo popular, com a eleição do seu novo presidente, Gustavo Petro. Foi uma eleição renhida, com 98,86% dos votos apurados, ele obteve 50, 49% contra 47,25% do representante da direita, Rodolfo Hernández, popularmente conhecido como “Trump colombiano”. Com um histórico de guerrilheiro, ele fez parte do grupo armado M-19 que foi desestruturado em 1990. Preso em 1985, cumpriu 18 meses de pena, mais tarde o seu grupo político transformou-se no partido, Aliança Democrática M-19, pelo qual foi eleito. Como deputado participou da criação da Constituição do seu país. Ele sofreu sucessivas ameaças de morte até que decidiu exilar-se na Europa por dois anos. Ao voltar do seu país, elegeu-se deputado e se notabilizou por denúncias feitas contra o presidente da época, Álvaro Uribe. Suas graves denúncias tinham como teor as relações espúrias entre políticos e facções criminosas. Tentou a presidência em 2010, ficando com 9% dos votos e em seguida elegeu-se prefeito de Bogotá. Pela sua proximidade com o ex-presidente Hugo Chávez também foi acusado, assim como o ex-presidente Lula, de querer transformar seu país em uma Venezuela.

Os objetivos de Petro são ambiciosos, pretende revogar a Reforma Tributária feita durante o governo do presidente Iván Duque e a taxação das grandes fortunas, essa última um desafio notável que, o candidato à presidência, Lula, também pretende empreender aqui no Brasil. O melhor do novo presidente da Colômbia está no seu projeto de desenvolvimento baseado na produção e não na extração, resumido em uma frase em entrevista à CNN chilena, em julho de 2021: “ Não é possível ter uma América Latina – chame de esquerda ou direita- que viva de gás, petróleo ou cobre. A única possibilidade de desenvolvimento sustentável na América Latina é o conhecimento, é a produção”…

O continente latino-americano está mudando e é pela grande quantidade de informação disponível para milhões de pessoas que isso está acontecendo. Hoje em dia, mesmo os mais pobres sabem da importância da informação e estão mais informatizados do que se esperava. Com isso cresceu muito o número de pessoas que aprenderam a cotejar informações e conhecimentos e desenvolveram o seu próprio senso crítico. Perceberam que países, como a Colômbia e o Brasil, que ocupam os primeiros lugares em falta de mobilidade social, ao mesmo tempo que tem elites cada vez mais ricas, são exemplos de nações onde o neoliberalismo concentrador de renda é o regime desses governantes defensores do mercado e das suas leis fictícias, criadas em escritórios das grandes corporações e empresas do mundo e, cujo objetivo, é manter um sistema de econômico que exclui a maioria das pessoas da prosperidade.

Aprender a identificar os seus reais inimigos é tarefa fundamental para transformá-lo apenas em adversários e conseguir, através de mecanismos democráticos, derrotá-los, provando assim que é possível criar uma sociedade mais justa e mais democrática, onde as oportunidades, mesmo que não sejam iguais não sejam tão desiguais e injustas como atualmente. Só existe uma maneira para se alcançar isso, é conquistando legitimamente o poder e implementando um projeto inclusivo e eficiente em todos os seus aspectos. Enfrentar a desigualdade também é desagradar os poderosos, acostumados a não serem contrariados em seus interesses, seja em governo de direita ou de esquerda, pelo menos até agora. O presidente Lula, em seu tempo de presidência ou mesmo a sua sucessora, Dilma Rousseff, não conseguiram em seus melhores anos implementar o imposto sobre as grandes fortunas, por exemplo.

O Brasil penitente, a partir de outubro, vai mudar seu rumo e através da informação e da informatização das urnas eletrônicas, definir um novo começo. A Colômbia campeã e o Brasil vice-campeão, em falta de mobilidade social, anseiam o fim de governos que nunca tiveram coragem de enfrentar os seus reais problemas, nem de desagradar os que sempre mamaram em suas tetas imensas de pátria mãe. Por último, o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi preso pelo escândalo dos pastores que vendiam verbas do Ministério nos municípios do país. É o começo do fim do pior governo da história, um final melancólico e previsível, afinal, só os fanáticos poderiam acreditar em um maníaco como Bolsonaro, que disse que colocaria a cara para queimar pelo ex-ministro, mas agora afirmou: “ele que responda pelo que fez”.

Vinicius Todeschini 22-06-2022

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