Crónicas do Brasil | 27-07-2022 14:16

Bye Bye Brasil

Vinicius Todeschini

Estamos prontos para ver e ouvir uma enxurrada de mentiras e atuações da extrema-direita em sua tentativa de permanecer no poder. Se toda a chuva de Fakes News e acusações sem provas não derem nenhum resultado, não será surpresa se o candidato derrotado se recusar a deixar o cargo tentando um golpe com o apoio de parte das Forças Armadas.

                O filme é de 1980, mas a despedida continua, porque estamos sempre chegando e nos despedindo, concomitantemente. Nesse círculo de repetições, mesmo que certos padrões permaneçam, a vida nunca é a mesma, e como disse Heráclito, ‘não se toma banho no mesmo rio duas vezes’. Cacá Diegues conseguiu sintetizar naquele momento, através de uma longa metáfora cinematográfica, um país que nunca olhou para si mesmo de forma realista e humana. O Brasil interiorano sempre foi uma espécie de reserva dos juízos mais retrógrados, frutos da imigração que manteve os valores dos países originários congelados através do tempo, mas, ao mesmo tempo, o lugar da produção agrícola e da expansão contínua do agronegócio em detrimento de um equilíbrio entre natureza e necessidades produtivas. Para entender a ligação do agronegócio com a extrema-direita é fundamental compreender esse processo de manutenção de valores reacionários e a expansão das fronteiras agrícolas além do que seria admissível em termos de equilíbrio ambiental.

                Na verdade, não sei se o diretor queria realmente apontar para isso, talvez fosse uma tentativa de mostrar o país em seu atraso e, ao mesmo tempo, as riquezas da criatividade de um povo abandonado à sua própria sorte. Os presidentes brasileiros, excetuando Getúlio e Lula, nunca viram nesse povo algum potencial, apenas uma boiada a ser conduzida e, como tal, controlada para ser devidamente usada e explorada ao seu bel-prazer. O Brasil com sua levas de imigração conseguiu criar vários países dentro do seu imenso território e os descendentes de alemães, italianos e japoneses, principalmente, depois de explorarem os territórios que lhe foram destinados partiram em busca de novas terras no Centro-Oeste e na região Norte do país, onde se depararam com um obstáculo quase intransponível e de interesse mundial, a Floresta Amazônica. Não foi só a exploração agrícola, o garimpo assumiu formas cada vez mais agressivas contra o meio-ambiente e os lugares onde passou se tornaram terras condenadas pelo uso de substâncias danosas ao meio ambiente. O governo atual liberou, tacitamente, os garimpeiros e produtores a invadirem as terras demarcadas dos povos originários e, oficialmente, o uso de agrotóxicos há muito tempo proibidos na maioria dos países.

               . O apoio do agronegócio e de megaempresários de outros setores, que buscam apenas os lucros, acontecerá naturalmente, porque detestam profundamente qualquer tentativa de mudar a estrutura da sociedade e jamais aceitaram de boa vontade algum nível de justiça social, por menor que seja. Querem apenas socializar os custos dessa sociedade e maximizar os seus lucros, muito embora já tenha acumulado patrimônio e dinheiro para várias gerações. A tempestade das eleições se aproxima e não haverá trégua, muito menos resignação da extrema-direita.

                Dizem que quem não tem remédio, remediado está, mas o Brasil tem remédio, porque a principal doença brasileira é comum e já foi tratada em outros países com bons resultados. Muitos querem saber qual o nome da principal doença brasileira e, principalmente, qual o tratamento. O povo brasileiro não é melhor e nem pior que os outros povos, no entanto, foi submetido a tamanha lavagem cerebral pelo colonialismo histórico e pelos seus efeitos que, superar essa herança maldita  não será tarefa fácil, porque é um processo que envolve partes inconscientes da mentalidade individual e coletiva, portanto, se rompermos com esse processo definitivamente em algum momento chegaremos ao patamar de nação que almejamos e outros já alcançaram, mas é preciso reconhecer o estágio em que estamos, o tamanho e a quantidade de inimigos ao nosso redor, eles não são tantos assim, mas tem muito poder. O ópio dos poderosos é o controle, o mando, o capital, contudo, só aprenderão viver sem essa droga quando ela não existir mais para eles, assim perceberão, ou, pelos menos seus descendentes, que há vida além do lucro.

Vinicius Todeschini 25-07-2022

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