Crónicas do Brasil | 18-11-2022 14:05

A ressaca de Bolsonaro

Vinicius Todeschini

Sergio Moro tentou ajudar, mesmo se auto demitindo do funéreo governo bolsonarista por não acatar ordens, como Ministro da Justiça. Moro calçou “as sandálias da humildade” e foi servir o mito -já decadente- nos debates contra Lula. Moro se acha um especialista em desestabilizar Lula e no primeiro debate do segundo turno ele foi colaborar. Deu uma trégua na sua campanha para o senado do Paraná, onde enfrentou o seu padrinho político, Álvaro Dias, que foi seu mentor, inclusive encaminhado à sua filiação ao Podemos.

Acordou de uma farra que parecia um sonho, onde era o rei e o idolatravam lhe chamando de mito. Com um cartão corporativo sem limites de gastos, além de garçons, mordomos e mil empregados sempre prontos para servi-lo a qualquer hora, liderou motociatas pelo país, entre um discurso inflamado e outro. Disparou diatribes, como se fosse o operador de uma metralhadora ponto 50 lançando 600 petardos mortais por minuto, logo você, um amoral no país dos falsos moralistas. Convenhamos, não deve ser nada fácil passar quatro anos nesse gozo e ter que acordar assim, abruptamente, depois de achar que continuaria eternamente em berço esplêndido sonhando o sonho sonhado. Acordaram o Bolsonaro, mas ele não suporta ser contrariado, não suporta quem pense diferente dele, não tem um centavo de paciência com quem não tem milhões e, principalmente, não atura pessoas que estão além do espectro da extrema-direita. O sonho acabou, mas engolir um sapo barbudo será uma tarefa hercúlea para ele e o seu passado de atleta (se existiu de fato) não lhe servirá de nada nesta nova fase.
Sergio Moro tentou ajudar, mesmo se auto demitindo do funéreo governo bolsonarista por não acatar ordens, como Ministro da Justiça, para intervir em Órgãos de Estado, como a Polícia Federal. Moro calçou “as sandálias da humildade” e foi servir o mito -já decadente- nos debates contra Lula. Moro se acha um especialista em desestabilizar Lula e no primeiro debate do segundo turno ele foi colaborar. Deu uma trégua na sua campanha para o senado do Paraná, onde enfrentou o seu padrinho político, Álvaro Dias, que foi seu mentor, inclusive encaminhado à sua filiação ao Podemos, mas Moro não decolou em sua campanha para presidente e como é de cuspir nos pratos em que come, não teve dúvida alguma de mudar de legenda e de escopo político. Ele se mudou de mala e cuia para o União Brasil, outra sigla cartorial, e tentou se candidatar em São Paulo, mas foi barrado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Aí voltou para o seu “amado” Paraná e partiu com tudo contra o ex-padrinho, Álvaro Dias, renegando esse apadrinhamento bem ao seu estilo: “Ele nunca foi meu padrinho. Minha notoriedade veio do meu trabalho como juiz e ministro”. Meias verdades, ele realmente apareceu em função da Lava Jato, mas a Vaza Jato fez escoar pelo ralo o seu prestígio, tanto isso é verdade que a sua candidatura à presidência não decolou.
Mas voltemos ao ressacado Bolsonaro e a sua nova saga para fugir das garras da Justiça. Os seus filhos, o senador Flávio e o deputado federal, Eduardo Bolsonaro, correram para a Embaixada Italiana agilizar os pedidos de cidadania e parece que os outros pimpolhos seguirão o mesmo caminho. Temem retaliação, porque quem teme alguma coisa, teme aquilo porque ele mesmo faria se tivesse oportunidade. Eles tentaram enterrar Lula vivo, mas magistralmente ele ressurgiu e ganhou as eleições mais difíceis da história, lutando contra uma máquina estatal poderosa e um exército de manipuladores de fake news. Lula é um fenômeno, admirado inclusive por Steve Bannon, que não nega a sua fascinação pelo presidente eleito do Brasil. Bannon, com as suas estratégias perversas conseguiu eleger o pior presidente da história americana, Donald Trump, e a receita deu tão certo que pode ser copiada e aplicada também no Brasil, levando Bolsonaro ao poder e criando uma desgraça de quatro anos para o Brasil, tragédia que só terminará, efetivamente, em primeiro de janeiro quando o presidente eleito tomar posse.
O Brasil precisa assumir o seu papel como protagonista e para alcançar isso precisa superar a fome e a pobreza de um terço da sua população. Tarefa complexa em dificuldade e grandeza para o novo governo que, além disso, enfrentará uma transição difícil com informações rarefeitas e truncadas, algumas por má intenção e outras por absoluta incompetência do atual governo. Bolsonaro se antecipou e mandou reformatar todos os computadores do Palácio do Planalto, o MPF (Ministério Público Federal) pediu explicações a respeito, porque a formatação prejudica perícias digitais e seria, além disso, uma medida extrema, só tomada quando do sequestro de dados, os famosos ransomwares, mas um presidente que decretou sigilo de cem anos sobre o seu próprio cartão de vacina, por exemplo, tem muito a esconder, mas, logo ele, que adora citar a Bíblia, deveria ter-se lembrado daquela passagem em Lucas 12:3, muito citada nas igrejas evangélicas pentecostais, justamente as que lhe apoiam; “Pois não existe nada escondido que não venha a ser revelado, ou oculto, que não venha ser conhecido”. O mito esboroou.
Vinicius Todeschini 15-11-2022

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