Crónicas do Brasil | 02-12-2022 09:58

O sósia de Lula

Em 2018 o nível de fake news era tão absurdo quanto o desconhecimento dessa nova ferramenta usada pela extrema-direita, por isso muitas pessoas embarcaram no tsunami bolsonarista.

Os delirantes bolsonaristas dizem agora que Lula morreu e um sósia assumiu em seu lugar, por isso ele não está aparecendo. Dizem mais, que o sósia teria cinco dedos na mão esquerda, onde Lula, sabidamente, sofreu uma amputação no dedo mínimo por conta de um acidente de trabalho em seus tempos de torneiro mecânico. Nem os melhores caricaturistas do país conseguiram igualar esses fanáticos, eles esbanjam criatividade em sua saga diária para tentar manter vivo o fascismo brasileiro. Celulares na testa para invocar extraterrenos, orações de joelhos diante dos quartéis, invocação do patrono do exército, Duque de Caxias, entre tantos outros desatinos. Lula, na verdade, sofreu uma laringoscopia e está bem.

O deputado federal, Eduardo Bolsonaro, foi flagrado no Catar com a esposa assistindo aos jogos da Copa do Mundo, enquanto os fantoches bolsonaristas estão acampados ao lado dos quartéis Brasil afora. Diga-se de passagem, que muitos dos que estão acampados são pagos, porque o pastor Silas Malafaia, um dos mais ardorosos defensores de um golpe militar para manter Bolsonaro no poder, estava descansando em um resort de luxo no nordeste do país. Evidentemente não podemos ser tão ingênuos a ponto de crer que algum empresário bolsonarista se daria o trabalho de participar desses acampamentos, eles apenas apoiam com recursos financeiros a tropa de lorpas que batem continência para os milicos estupefatos com tanta desrazão. Palavras de ordem que nos remetem ao “Navio dos Loucos” de Bosch.

Figuras como, Carla Zambelli, só poderiam ocupar espaço na cena política a partir da onda fascista que varreu o país, enquanto o ex-juiz Sergio Moro comandava a Lava Jato com a caneta e as chaves dos cárceres. Joice Hasselmann, ex-deputada federal (ela não conseguiu se reeleger após romper com bolsonarismo) durante uma audiência da CPI da Covid, disse que Bolsonaro perguntou a ela se a deputada Zambelli teria se prostituído quando morou na Espanha, na presença da própria. O nível dos debates entre bolsonaristas e ex-bolsonaristas é tão baixo quanto as suas fake news. Carla Zambelli vive de factoides, ela, por exemplo, acusava a filha da ex-presidenta Dilma Rousseff de ser uma das donas das Lojas Havan, que todos sempre souberam pertencer a um dos mais radicais bolsonaristas do país, Luciano Hang.

Em 2018 o nível de fake news era tão absurdo quanto o desconhecimento dessa nova ferramenta usada pela extrema-direita, por isso muitas pessoas embarcaram no tsunami bolsonarista. Mentiras sem nenhuma base real foram espalhadas aos quatro ventos e causaram ao país um estrago sem precedentes, mas em 2022 foi diferente. A entrada do deputado federal, André Janones, na campanha de Lula fez com que a clara desvantagem da Esquerda nas redes sociais se igualasse, porque a resposta era imediata. A verdade é que a extrema-direita quando governa, além de uma pauta de costumes medievais que tenta impor, com um escopo autoritário e golpista, é tão neoliberal quanto qualquer governo de direita, aprofundando desigualdades e criando ainda mais miséria em um país com uma dívida social imensa.

Outra cena protagonizada por essa deputada foi durante o jantar de confraternização do PL, partido de Bolsonaro, segundo testemunhas ela insistiu com o presidente para que participasse das manifestações pró-golpe, Bolsonaro disse não e se irritou com a insistência da deputada. Ela é uma das acusadas pelos bolsonaristas pela derrota nas eleições, em função da cena de perseguição de um homem negro de arma em punho, após uma discussão política no bairro Jardins em São Paulo. O dono da lanchonete, onde ela entrou armada ao final da perseguição, confirmou o fato e acrescentou que ela estava acompanhada por um homem de terno cinza, também armado com uma pistola automática.

A própria facada que Bolsonaro teria levado em 2018 é questionada por muitos até hoje, por tudo que cerca o incidente e pelos seus desdobramentos. O apoio da maior parte dos médicos e do próprio Conselho Federal de Medicina, que deveriam ficar ao lado da ciência, mas preferiram apoiar a panaceia de remédios sem comprovação científica que o presidente divulgava insistentemente, além de advogados caros e renomados que, prontamente, se ofereceram para assistir ao perpetrador da facada, Adélio Bispo, são pontas de um jogo complexo e envolto em mistérios, mas que poderão ser desvendados em um futuro próximo. Por enquanto o Brasil precisa reaprender a respirar sem aparelhos, depois de quatro anos na UTI.

Vinicius Todeschini 01-12-2022

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