Crónicas do Brasil | 29-12-2022 21:09

A posse de Lula da Silva

Vinicius Todeschini

O desfile oficial da posse de Lula da Silva em carro aberto ou fechado ainda está sendo discutido, Lula resiste ao carro fechado, mas seria a melhor opção para este momento, tenso e imprevisível. O Brasil mudou para pior e assumiu o seu lado belicoso, não há mais como negar isso.

Lula voltará ao poder depois de ter cumprido 580 dias de cadeia, ele foi acusado e condenado de forma arquitetada e organizada pelos procuradores de Curitiba, sob o comando do juiz inquisidor, Sergio Moro. Sem nenhuma prova real e baseado em delações premiadas, esta organização paralela dentro do Estado conseguiu montar uma operação contra o ex-presidente para que não concorresse às eleições de 2018 e assim o caminho ficou aberto para a vitória de Bolsonaro. Moro, em seguida, saiu do disfarce da toga e assumiu o cargo de ministro da Justiça. A Operação Lava Jato foi isso, um grande espetáculo de mídia para manipular a população deste vilipendiado país, mas a Vaza Jato descobriu os meandros dessa operação e aos poucos fomos entendendo este espetáculo dantesco de manipulação e autopromoção.
Não permitir que Lula tome posse parece ser a última cartada da extrema-direita, agora com facções milicianas, bem ao estilo norte-americano. É preciso que a Polícia Federal, depois de desbolsonarisada, se transforme em algo nos moldes do FBI para infiltrar-se e prender os novos terroristas que, certamente, farão escola aqui no Brasil daqui por diante. O silêncio de Bolsonaro é eloquente e indica que ele está usando os códigos subliminares consagrados pela extrema-direita mundial. Sair do país, antes da posse, e deixar as ações nas mãos dos terroristas apoiados por militares da mesma ideologia é o escopo. O terrorista, George Washington de Oliveira Sousa, preso em Brasília, confirmou ter estado em contato permanente com um general do Exército. A gravidade desta situação não permite tergiversações.
O desfile oficial da posse em carro aberto ou fechado ainda está sendo discutido, Lula resiste ao carro fechado, mas seria a melhor opção para este momento, tenso e imprevisível. O Brasil mudou para pior e assumiu o seu lado belicoso, não há mais como negar isso. É preciso que transformações ocorram para o país não correr mais riscos de retrocesso, através de atentados e coisas do gênero. As ameaças são reais e não há razões para achar que isso vai ser alterado por uma boa governança do presidente eleito e da sua equipe. As milícias serão alimentadas nos próximos anos e tentarão agir para criar crises e justificar, através do caos, intervenções militares e golpes de estado. É fundamental aparelhar o Estado para enfrentar esses grupos e desarticulá-los, antes das suas ações, para isso é necessário profissionalizar a Inteligência dos órgãos de segurança para estar à altura dos novos desafios.
Com a colocação de Simone Tebet no ministério do Planejamento, Lula assenta de forma racional os seus principais aliados e confirma a sua grande capacidade para o diálogo, mas é preciso mais, o presidente eleito terá que sair do caminho do meio e radicalizar em relação ao enfrentamento do terrorismo dos milicianos. O Rio de Janeiro, por exemplo, é um estado controlado pelas milícias há tempos e os últimos governadores deste estado sempre estiveram envolvidos em escândalos de corrupção. Sérgio Cabral Filho, governador por quase dois mandatos (renunciou no final do último mandato), depois de seis anos de cadeia cumprirá pena domiciliar com tornozeleira eletrônica e aguardará os julgamentos que ainda virão. A Justiça decretou cinco prisões preventivas ao ex-governador, mas ele não tem nenhuma condenação com trânsito em julgado (quando não cabe mais nenhum recurso). Todos os governadores eleitos desse estado, que ainda estão vivos, foram presos ou afastados.
O agravamento da violência política no país é um fato e se deve muito à forma passiva com que os políticos, que participaram dos governos liderados pelo PT, assistiram ao ovo da serpente ser gestado pelos extremistas. A indulgência e a falta de rigor diante da gravidade desse fato contribuíram para dividir o país e agora terão que enfrentar a serpente. O novo ministro da Defesa, Múcio Monteiro, usou de eufemismos durante uma entrevista com o novo ministro da Justiça, Flávio Dino. Ele afirmou que “os patriotas” acampados ao lado dos quartéis continuarão ali enquanto quiserem, sem dúvida uma liberalidade impensada para os movimentos de trabalhadores, como MST e MTST, por exemplo.
Estes acampamentos, apoiados pelos setores mais reacionários das Forças Armadas, são bases de apoio, com recursos humanos e logísticos, para atos terroristas. O que poderia ter se consumado em tragédia, caso a bomba tivesse explodido o caminhão lotado de querosene, passa por ali. O terrorista, George Washington, foi a Brasília no dia 12 deste mês para participar dos protestos que desandaram em atos violentos com carros e ônibus queimados e conversou com os policiais militares responsáveis pela segurança, que afirmaram a ele que não iriam conter os vândalos. Muito preocupante também é a nota publicada pelo atual ministro da Defesa, o general Paulo Sérgio, confirmando que sairá dois dias antes, criando uma vacuidade de poder que pode, inclusive, ser intencional e articulada. Assustar a população e criar uma situação para o povo clamar por uma intervenção militar é o objetivo. Evitar isso é fundamental!
Vinicius Todeschini 28-12-2022

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