Crónicas do Brasil | 21-05-2024 11:32

O Governador e o Prefeito - Uma calamidade interminável

Vinicius Todeschini

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, um misto de dândi e coach ( : ) publicou um vídeo pedindo a suspenção das doações para que o comércio local não seja impactado. Rapidamente o vídeo circulou e para tentar diminuir o dano causado a sua já, esfarrapada imagem, pediu desculpas, mas de forma pernóstica, é claro.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, um misto de dândi e coach, reiteradamente se apresenta como um gestor moderno e está sempre pronto para se promover em busca das melhores condições para a sua candidatura à presidência decolar, mas comete muitos atos que entregam a sua real personalidade e o seu ideário. Ele publicou um vídeo pedindo a suspenção das doações para que o comércio local não seja impactado. Rapidamente o vídeo circulou e para tentar diminuir o dano causado a sua já, esfarrapada imagem, pediu desculpas, mas de forma pernóstica, é claro. Nenhuma alusão na palavra sublinhada aos farroupilhas da “revolução” que, mesmo sem nunca ter pretendido revolucionar nada, a não ser confirmar o poder dos caudilhos mais importantes da época e dos seus interesses, marcou a identidade gaúcha. O estado e a sua capital, Porto Alegre, foram vítimas da falta de um projeto definitivo para se defender das intempéries naturais, cada vez mais recorrentes na região em função das novas configurações do clima, além da falta de manutenção e do aperfeiçoamento das defesas já existentes

Todos agora já sabem o que o governador Leite e seus apaniguados fizeram com o Código Ambiental, fruto de um trabalho longo e incansável de grandes ambientalistas, como Henrique Roessler e José Lutzenberger, e de um grande debate da sociedade. Foram alterados cerca de 480 itens, assim no mais. Isso aconteceu em 2019 e, de lá para cá, inúmeros eventos da natureza, potencializados pelo desequilíbrio ambiental, confirmaram que isso foi, radicalmente, no sentido contrário do Interesse Público e do Meio Ambiente. O retrocesso que aconteceu no Brasil e levou negacionistas, como Bolsonaro, e pseudomodernos, como Eduardo Leite, ao poder, se deu (em parte) pela falta de reação da Esquerda diante da campanha movida em conjunto (:) pelos conservadores mais radicais, parte dos promotores federais -que inventaram a Lava Jato- e a Grande Mídia, todos alinhados com neoliberalismo e políticas que favorecem o lucro e um desenvolvimento que estratificou a Exclusão Social e ataca o Meio Ambiente de forma deliberada. Um exemplo é o vice-prefeito de Porto Alegre, Ricardo Gomes, que tem uma produtora chamada “Brasil Paralelo”, onde dissemina conteúdos negacionistas sobre as mudanças climáticas.

Já o prefeito, Sebastião Melo, que lançou há pouco a sua candidatura à reeleição, em ato político no Edifício Santa Cruz, centro da cidade -em 15 de abril- tem como projeto maior ser governador e para isso pretende ganhar o próximo pleito, só para renunciar dois anos depois e concorrer ao governo do estado, como fez José Fogaça, o responsável por abrir a Caixa de Pandora da prefeitura de Porto Alegre, que trouxe uma sucessão de maus prefeitos, desconstrutores da Coisa Pública em favor da Inciativa Privada. Melo privatizou há pouco a Carris-Companhia Carris Porto-alegrense e votou, como deputado estadual, a favor da privatização da CEEE, entretanto para evitar desgastes com setores populares adotou uma outra estratégia -típica do seu perfil populista: quando há polêmica sobre alguma privatização ele fala em parceirização, como está fazendo na Saúde e em outros setores, trazendo mais precarização aos serviços e não chamando os concursados para ocupar as vagas conquistadas. O prefeito não investiu, sequer, na manutenção do sistema de contenção de cheias, porque quer parceirizar tudo e com isso desestruturar serviços que funcionavam bem, mas precisavam de atualizações.

Dos 34 deputados federais gaúchos, só Fernanda Melchionna (PSOL) destinou emendas parlamentares visando a prevenção de desastres climáticos, junto ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Os outros três; Márcio Biolchi (MDB), Carlos Gomes (Republicanos) e o senador Paulo Paim (PT), destinaram emendas ao projeto, “Ações a Projetos de Desenvolvimento Sustentável Local Integrado”, com possível impacto indireto. Mas tudo será diferente depois dessa calamidade e muitos que estavam desligados, alienados e condicionados a pensar que, os inúmeros alertas sobre as consequências das drásticas alterações do clima pela ação humana, era coisa de fanáticos ambientalistas, ou “ambientalóides e esquerdopatas”, como disse o deputado federal gaúcho, Alceu Moreira (MDB) -quando questionado se mudou de ideia em relação ao seu Projeto de Lei 364, que retira proteção ambiental de biomas e tem um potencial de destruição -segundo o Observatório do Clima- em 48 milhões hectares. É tudo pelo agro, “o xodó” das elites. “O agro é pop”.

Não haverá uma solução definitiva para um estado, cujo sistema hídrico desemboca, quase tão somente, no Guaíba e na Lagoa dos Patos, é preciso uma solução efetiva e permanente para o problema, porque o custo de reconstrução, além de ser absurdamente caro, jamais cobrirá o preço de vidas perdidas. A população também precisa acordar para esses fatos e definir para si mesma o que é o Bem Público e o que ele tem a ver com as populações que mais precisam dele. As elites entronizadas e ricas jamais se curvarão ao social, lutarão com todo o poder e o dinheiro que possuem para manter esta Estratificação Social imposta e catapultar ainda mais os seus ganhos. É preciso um Estado que regule tudo isso e faça Justiça Social, porque isso jamais será concedido de boa vontade pela Iniciativa Privada.

Vinicius Todeschini 17-05-2024

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