A Sucursal do Inferno “sob nova direção”
O mundo está preso em uma armadilha criada pelos seus maiores líderes, sob a bênçãos da burguesia e a alienação da maioria. Eles ainda recebem homenagens pelos seus malfeitos em monumentos, além dos nomes estampados em ruas e avenidas. Parece ironia, sarcasmo, bizarrice, mas são apenas fatos. Agora temos Trump e Putin, um no Oriente e outro no Ocidente.
Donald Trump está de volta e com ele um séquito de pessoas cujo interesse, único, é poder e dinheiro e sem nenhum escrúpulo quanto aos métodos para obtê-los, naturalmente. ‘Time is money my brow’. O império norte-americano é recente, começou com a derrocada da Europa e a elaboração do Plano Marschall, que colocou os EUA a frente de todos os outros países. Não há como fingir que nada está acontecendo, porque o planeta ficou pequeno e totalmente acessível aos senhores da guerra e eles nem precisam mandar soldados, porque agora podem matar à distância com drones que disparam mísseis. Não há como, nem para onde fugir. O mundo está preso em uma armadilha criada pelos seus maiores líderes, sob a bênçãos da burguesia e a alienação da maioria. Eles ainda recebem homenagens pelos seus malfeitos em monumentos, além dos nomes estampados em ruas e avenidas. Parece ironia, sarcasmo, bizarrice, mas são apenas fatos. Agora temos Trump e Putin, um no Oriente e outro no Ocidente.
O discurso de Trump não deixa dúvidas das suas intenções, mas o mundo não ficará paralisado diante de tantas ameaças, se elas realmente saírem do papel. O resultado final disso tudo é imprevisível, porém nenhuma das opções que se apresentam parecem, sequer, razoáveis. Ele perdoou os seus prosélitos que -incentivados por ele- em 2020, invadiram o Capitólio. O gesto demonstra um claro desprezo ao Poder Judiciário. Humilhou o ex-presidente Biden, fez ameaças ao Panamá e em termos energéticos propôs uma volta aos anos 40 e 50 do século passado. Trump não fala, ele literalmente despeja palavras ameaçadoras aos que não concordam com a sua visão destrutiva. A saudação aos estilo nazista de Elon Musk -o novo candidato a anticristo- ao final do seu discurso não deixa dúvida alguma sobre o tipo de gente que chegou ao Poder no maior império do nosso tempo e ainda mais empoderadas que em 2017. Nunca foi tão necessário resistir e nunca foi tão difícil achar formas para isso. O governo Biden tem uma grande parcela de culpa nisso, foi um governo cheio de dificuldades e no final -Deus Ex Machina- ele indultou seus parentes da Justiça, municiando ainda mais o discurso trumpista.
A doença de Trump não tem cura, mas o planeta também está doente, então a soma destes dois páthos poderá nos levar a um lamaçal sem saída, onde nada mais fará sentido e todas as previsões dos filmes e séries distópicas serão confirmadas. As outras grandes potências do mundo estão atentas ao discurso “do imperador do planeta”, mas os chineses, por exemplo, mantém seu pragmatismo e não demonstram, até agora, nenhuma dificuldade em assimilar o que foi dito. A China, nas últimas décadas, ultrapassou os EUA em quase tudo e a raiva de Trump é diretamente proporcional a isso. Ele não poderá enfrentar o gigante asiático sem criar sofrimento aos seus conterrâneos e muito desgaste político. Já com Putin e o seu projeto de reunificação de um império desfeito o assunto é mais complicado. O dono do poder na Rússia possui o maior arsenal de armas nucleares do planeta e o míssil balístico hipersônico, a arma mais destrutiva que existe, segundo ele. Não podemos esquecer também da declaração do ex-chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Valery Zalujny: “Acredito que em 2024 podemos assumir absolutamente que a Terceira Guerra Mundial já começou”. Por sorte ele errou, mas agora podemos estar por um triz.
O desafio do governo Lula aumenta de magnitude com esta nova geopolítica planetária, não será tarefa fácil enfrentar a Extrema-Direita em 2026, agora anabolizada pelas Big Techs. A memória dos horrores produzidos pelos totalitarismos do mundo parece ter sido esquecida e o fascismo parece cumprir o ciclo dos cem anos para ressurgir, sempre associado a uma nova era tecnológica. Até parece que todo o sofrimento foi esquecido e a chama que alimenta o ódio, base para todas as guerras, renasce com todo fervor e as novas lideranças mundiais não trazem nenhum alento sobre a possibilidade de uma Era de paz e harmonia, muito pelo contrário. O mundo ficou ainda mais confuso com as novas tecnologias digitais com telefones que carregam toda a sua vida dentro deles. É o capitalismo mais voraz e destrutivo que já existiu.
Em 2024 surgiram 204 novos bilionários, em média 4 por semana, e a fortuna dos 10 homens mais ricos cresceu em média US$ 100 milhões ao dia, também existe a previsão que daqui a uma década haverá 5 trilionários no planeta, dados da organização não-governamental OXFAM, que também confirmou que 60% dessas fortunas vem de heranças, monopólios e corrupção. “O segredo de um grande sucesso do qual você não consegue prestar contas é um crime que nunca foi descoberto, porque foi executado corretamente”. (Honoré de Balzac). Toda a esperança que havia em relação ao novo século está se desfazendo como um picolé ao sol e as novas gerações já nem seguem mais o rito consagrado da juventude rebelde e idealista. No entanto, sempre haverá resistência ao mal, a Bispa Edgar Budde que diante do próprio Trump proferiu um discurso de louvação ao amor e a misericórdia deu o exemplo. Foi chamada de esquerdista radical por ele que exigiu um pedido de desculpa. Nos dias de hoje o amor tem que pedir desculpas ao ódio, por ser amor, simplesmente...
Vinicius Todeschini 23-01-2025