A Obnóxia Fascista
O retrocesso na qualidade de vida das pessoas que não pertencem aos círculos das elites e das classes médias, que são à base de apoio dos donos do mundo, é um fato A perda de direitos trabalhistas e previdenciários, o aumento do tempo de aposentadoria, com a rarefação das pensões e do acesso aos serviços básicos, tornaram a sobrevivência uma nova forma de escravidão.
O discurso fascista sempre insistiu em estigmatizar o socialismo com a outorga de atraso e do subdesenvolvimento, quando na verdade é o contrário. As ideias socialistas partem do pressuposto que é preciso dar condições iguais a todos para uma vida digna e produtiva. Em outras palavras; todos os seres humanos têm os mesmo direitos à vida, à saúde, à educação, para que sejam cidadãos e não servos. No entanto, o capitalismo criou a ficção chamada ‘mercado’ para comandar, mas o mercado nada mais é que a soma das grandes corporações nas mãos de alguns poucos, que ditam as regras e não desejam que haja igualdade, só eles e os seus apaniguados são dignos de uma vida extremamente confortável e plena de realizações materiais. Os embargos econômicos a Cuba e Venezuela asfixiam esses dois países, porém os capitalistas, poderosos e onipresentes no planeta, não suportam a ideia de que alguém se oponha à ordem reinante. Cuba suporta o embargo norte-americano há 63 anos e a Venezuela enfrenta, desde 2015, sanções cada vez mais duras e restritivas, nos setores de petróleo e de finanças. Não bastasse isso, os EUA impõem aos seus parceiros que os sigam nessas práticas ‘lesa-pátria alheia’. O efeito é imediato e acumulativo, mas a culpa é do socialismo. A monetização total levará a níveis insuportáveis de exclusão.
A ideia generalizada e divulgada exaustivamente pelos poderosos de que o socialismo significa atraso econômico é uma das maiores mentiras já contadas, mas como sabemos, toda mentira repetida, infinitamente, se transforma em uma verdade e disso a Grande Mídia se encarrega. Porém, as fake news, uma velha prática do fascismo, agora aplicada e desenvolvida em novas tecnologias, já não conseguem o mesmo êxito de antes, quando não eram checadas pelo público. A vitória do bolsonarismo, em 2018, foi o auge dessa prática, que colocou um sujeito sem a menor qualificação no cargo de presidente e com o projeto de uma nova ditadura para o Brasil. Bolsonaro foi preso antecipadamente no sábado, dia 21, quando estava próximo à proclamação do ‘trânsito em julgado’ (que decreta o início da sua pena de 27 anos e três meses). A tentativa de fuga para alguma das embaixadas de países governados pela Extrema-Direita, como os EUA, Argentina, Hungria e El Salvador estava em curso. A ideia era abrir a tornozeleira sem que ela disparasse, deixar o dispositivo intacto na casa e sair no meio das pessoas durante a vigília convocada pelo seu filho mais velho, o senador Flávio, na rotatória do condomínio onde mora o ex-presidente. Em teoria o plano poderia funcionar, mas não se pode chegar até o cofre de um banco sem um especialista para abri-lo e foi, justamente, isso o que aconteceu. A tornozeleira disparou quando tentavam abri-la.
O maior legado de Bolsonaro, sem sombra de dúvida, foi ter escancarado a escrotice nacional e desmoralizado, definitivamente, a velha ideia de que neste país não existiam supremacistas brancos, nazistas, fascistas, totalitaristas e racistas da pior espécie. Muitos estavam enrustidos na Direita, liderados por figuras como Aécio Neves, um sujeito que envergonha o legado do seu avô, Tancredo Neves. O estado de Santa Catarina -que sempre teve um enamoramento com o nazismo, não só pelo grande número de alemães que vieram colonizar aquelas terras, mas também pelos inúmeros ideólogos que mantiveram as mentiras nazistas acesas, como o pai de uma ex-governadora do estado, Altair Reinehr, que publicou inúmeros livros e que, entre outras coisas, negava o holocausto, alegando que o verdadeiro holocausto foram os alemães que sofreram e não os judeus- é o estado onde o bolsonarismo mais prosperou, porque ali ideias supremacistas e racistas já circulavam com toda a força. O experimento nazista nesse estado deu muito certo e hoje, Santa Catarina, é um dos lugares onde a Extrema-Direita brasileira se abriga. O filho de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro, será candidato ao senado e o filho mais novo, Renan, foi o vereador mais votado em Camboriú, o balneário das elites brasileiras na Região Sul.
O retrocesso na qualidade de vida das pessoas que não pertencem aos círculos das elites e das classes médias, que são à base de apoio dos donos do mundo, é um fato A perda de direitos trabalhistas e previdenciários, o aumento do tempo de aposentadoria, com a rarefação das pensões e do acesso aos serviços básicos, tornaram a sobrevivência uma nova forma de escravidão. Motoristas de aplicativos precisam trabalhar o dia inteiro para ganhar R$ 400,00 reais brutos, sem previdência e sem nenhum suporte da empresa, sem saber como será quando não aguentarem mais esta jornada diária. A lavagem cerebral, criou uma inversão de valores, que ficou evidente na revolta desses motoristas contra o governo, quando tentou criar leis de proteção a eles. Quando o escravo se revolta contra o libertador e apoia o seu algoz é sinal de que a estrutura já o engolfou. Mais que uma sina, ser pobre hoje em dia é uma condenação, porque o fascismo voltou e seus representantes se elegem com o apoio daqueles que exploram. A prisão antecipada de Bolsonaro causou uma explosão de comemorações no Brasil, que deverá acontecer nos EUA também, quando se livrarem de Trump. Os fascistas e totalitaristas, assim que eleitos agem como déspotas e tentam implodir as instituições que garantem a democracia, mas as coisas mudam e, apesar da manipulação sistemática da Extrema-Direita nas redes oficiais e sociais, a população, mesmo que contaminada, está demonstrando ter anticorpos suficientes para repelir o vírus do retrocesso e da morte.
Vinicius Todeschini 21-11-2025


