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As ameaças e as guerras nunca deixaram de existir e não existe nenhum momento da história humana que não esteja permeada por sangue e lágrimas.
O mundo já está se acostumando às disrupções do sociopata Donald Trump, colocado na presidência dos EUA, um império em franca decadência há algumas décadas. Os EUA ficarão para a história como um dos impérios mais cruéis e intervencionistas de todas as Eras e um dos que, mais rapidamente, entrou em declínio. O sequestro de Maduro, que ocupava o cargo de presidente da Venezuela ilegitimamente, porque, segundo os especialistas enviados para fiscalizar o pleito, as eleições foram fraudadas e as atas, que comprovariam a vitória ou a fraude, nunca foram apresentadas pelo governo venezuelano, surpreendeu a maioria. Maduro com a sua arrogância e brutalidade conseguiu fazer com que as conquistas sociais que Hugo Chávez trouxe para o povo venezuelano, explorado e vilipendiado pela elite do seu país, que, assim como as elites brasileiras sempre agiram de forma subserviente aos interesses dos norte-americanos e de forma soberba e cruel com o povo, descesse ao seu nível mais baixo.
As acusações do governo Trump à Venezuela não passam de jogadas midiáticas para se apossar das riquezas petrolíferas da Venezuela, todos sabem disso, mas a máquina bélica norte-americana é eficaz contra quem ela aponta o seu poderio militar. E assim foi com Maduro, sequestrado dentro do seu próprio país e humilhado como um preso comum, algemado em Nova York, ele e sua mulher, Cilia Flores. A humilhação imposta por um déspota a outro déspota, rende muitos debates e opiniões e nisso Trump é um especialista, porque, além de manipular os fatos, ele adora ser, além do maestro, o compositor da obra que os outros vão escutar e dançar. Porém, a pergunta que deveria ser feita e não está, é: se Maduro não representa uma coisa boa para a Venezuela, o que será que representa Donald Trump para os EUA? Trump tem ultrapassado, assim como Hitler o fez em outra época, todos os limites éticos estabelecidos pelo Direito Internacional, ele não respeita ninguém, apenas teme aqueles que não pode submeter aos seus ditames. É um homem cruel e sem nenhum escrúpulo, um verdadeiro sociopata, mas o povo dos EUA irá conseguir detê-lo?
Os alemães não conseguiram deter Hitler e ele levou a Alemanha a um abismo que até hoje se reflete em sua trajetória de nação. Os alemães naquela época ficaram orgulhosos das suas conquistas e da recuperação da sua autoestima, após a derrota na Iª Guerra Mundial, porém esqueceram que o fanatismo e o culto a um líder messiânico sempre acaba em algum tipo de desastre. Nos estertores do seu regime, Hitler, em seu fuherbunker, pouco antes de se suicidar, quando Goobbels disse que iria oferecer ele e a sua família em holocausto ao Fuher e ao III Reich, ele enalteceu o gesto do prosélito, mas comentou amargamente: “eu conquistei a Europa e agora os russos estão em Berlim”, mesmo neste momento, Adolf Hitler, era incapaz de perceber todo o sofrimento que causou, apenas o seu fracasso o amargurava.
As ameaças e as guerras nunca deixaram de existir e não existe nenhum momento da história humana que não esteja permeada por sangue e lágrimas. O mundo tangencia, mas as linhas dos conflitos sempre se cruzam. Não é inerente ao ser humano a capacidade de superar definitivamente um ambiente tóxico e carregado de tensões. As invenções do mundo digital criaram mais ferramentas de endoidecer e as redes sociais se transformaram em arenas de guerras ideológicas, com pouquíssima qualidade e nenhuma possibilidade de convergência. O ciclo que estamos vivendo não nos aponta um futuro melhor, muito pelo contrário, as perspectivas são sombrias e para isso milhares de sociopatas estão, neste momento, desenvolvendo teses, como fazem os arautos do Iluminismo Sombrio, para cooptar outros iguais a eles e multiplicar ideias sem qualquer halo de humanidade. Uma configuração, como a atual, não vai passar como por mágica, porque foi uma longa noite de construção e desconstruir um império de maldades exige sabedoria e ação, onde ninguém poderá se dar ao luxo de não participar da luta, mas em uma época onde o individualismo calcado no consumismo se sobressai a qualquer movimento coletivo, o altruísmo está desaparecendo.
Vinicius Todeschini 07-01-2026


