O Reich catarinense e as migalhas do ultraneoliberalismo ao povo
O estado de Santa Catarina está cada vez mais presente no noticiário e com a aproximação das eleições deste ano, a tendência é o acirramento cada vez maior de litígios e violências típicas dos fascistas contra a Esquerda e a democracia. Com governantes como Jorginho Mello só se pode esperar o pior; violência, miséria e mentiras.
O que leva um estado a se tornar uma base da Extrema-Direita em um país mestiço como o Brasil? Santa Catarina não é constituída só por alemães, muito embora tenha índices onde os brancos são a maioria, entretanto, isso não justificaria isso, a não ser que a maioria da população fosse, acintosamente, supremacista e racista... Vivemos tempos de neofascismo explícito, onde a agressividade está se naturalizando em vários segmentos da sociedade, incentivada pelas lideranças bolsonaristas, seja pela criação em escala industrial de fake news, seja pela criação de políticas para armar os cidadãos, como fez Bolsonaro quando presidente e que permanece como pauta fundamental das políticas da Extrema-Direita para o Brasil. O estado possui incontáveis células neonazistas e se transformou em um 'puxadinho' da família Bolsonaro, que agora trouxe o filho número 2 de Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, para concorrer a senador pelo estado, aquele que esteve no mesmo dia, em 2018, em um clube de tiro com o suposto esfaqueador do seu pai, Adélio Bispo de Oliveira.
O governador Jorginho Mello, foi vendedor de amendoim aos 8 anos de idade e fez carreira como bancário no BESC, Banco Estadual de Santa Catarina, onde chegou ao cargo de diretor. Ele ascendeu ao poder graças ao crescimento da Extrema-Direita, sempre com um discurso marcado pela truculência verbal e agressividade contra as minorias. Jorginho sancionou a Lei estadual 19722/2026 em 22 de janeiro de 2026 proibindo no estado de Santa Catarina a adoção de cotas raciais em universidades públicas e privadas, que recebem, por conta disso, verbas do governo. A lei prevê multa em caso de descumprimento. Criticada maciçamente por professores, juristas, entidades e estudantes, a Lei foi suspensa em 27 de janeiro pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). Quando o STF pediu explicações ao governo de Santa Catarina, a resposta veio assim: "o perfil demográfico catarinense difere do restante do país, com maior proporção de população branca. Ao mesmo tempo, reconhece que há crescimento expressivo da população preta e parda, embora a maioria ainda seja branca, o que, segundo o governo, reforça a necessidade de critérios objetivos e sociais”.
O projeto da Extrema-Direita para o Brasil se espelha em um esforço internacional para obter total domínio sobre o mundo, agora balizado por Donald Trump, o sociopata da Nova Era, e o seu projeto prepotente de um imperialismo total dos EUA. Para o povo migalhas caídas das mesas dos poderosos, enfastiados de tanto lucro e entupidos de tanta comida e bebida em infindáveis banquetes, onde discutem o destino do mundo e dos negócios. No banquete dos mendigos, entretanto, apenas sobras catadas nos lixos, entre baratas e ratos. O empreendedorismo, mito amalgamado com “a teologia da prosperidade”, onde a maioria vai a falência e os ricos ficam mais ricos, como no caso das franquias onde o risco é todo do empreendedor e o sucesso sempre fica ao lado do dono da marca, porque, independente do resultado do empreendimento, o empreendedor já pagou um valor vultoso pela concessão e se conseguir manter as portas abertas continuará dando lucro ao dono da marca, mas trabalhará à exaustão para manter um negócio que depende de altos níveis de consumo para sobreviver, o que se torna cada vez mais difícil, porque cada negócio que prospera, momentaneamente, é bombardeado em seguida por uma concorrência cada vez mais feroz no mesmo segmento.
Adélio Bispo esteve no mesmo clube de tiro que Carlos Bolsonaro, em São José, na grande Florianópolis. Em julho de 2018 os dois estiveram no Clube 38 praticando tiro. Carlos era sócio do clube e Adélio um homem sem a menor condição financeira de estar ali. Carlos Bolsonaro foi o responsável, indicado pelo próprio pai, para fazer a sua segurança no comício em Juiz de Fora, Minas Gerais, onde ocorreu a famosa e discutível facada, para muitos uma ‘fakeada’, uma farsa para culpar a Esquerda e ganhar as eleições mais facilmente. Por aí se pode depreender muitas coisas, mas nenhuma delas favorece o enredo bolsonarista. Visto pelos melhores ângulos a facada não parece ter sido profunda, se é que aconteceu de fato, nem sangue aparece e, logo após, Bolsonaro é cercado pelos seus defensores e levado ao hospital Santa Casa de Misericórdia, em Juiz de Fora e um dia depois transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo. A névoa que envolve esta trama continua produzindo mais perguntas que respostas, porque é visível, desde o início da campanha, que Jair Bolsonaro tinha uma hipertrofia abdominal totalmente desproporcional ao seu tipo físico, porque ele não é gordo, e as inúmeras cirurgias que se sucedem durante este tempo indicam algum quadro patológico anterior e possivelmente de ordem oncológica.
O estado de Santa Catarina está cada vez mais presente no noticiário e com a aproximação das eleições deste ano, a tendência é o acirramento cada vez maior de litígios e violências típicas dos fascistas contra a Esquerda e a democracia. Com governantes como Jorginho Mello só se pode esperar o pior; violência, miséria e mentiras. A “ideologia” serve apenas para criar um formato para o que o realmente os move, a intenção descarada de montar uma máfia em nível nacional para comandar o país junto com os poderosos, que são aqueles a quem servem. A receita é sempre a mesma; privatizações, onde as estruturas e empresas públicas são entregues a preço de banana a Iniciativa Privada, para que em seguida troquem os quadros dessas empresas por mão de obra mais barata e menos qualificada e, cobrem preços cada vez maiores por serviços cada vez menos eficientes. Exemplos não faltam, aqui mesmo no Rio Grande do Sul, onde o governador ultraneoliberal privatizou a CEEE e a CORSAN. Na parte social, a retirada de direitos e de aposentadorias é a tônica, tornando a vida dos trabalhadores uma luta incessante para sobreviver. O projeto maior nesse nível é acabar com o SUS e assim determinar a morte de milhões de pessoas. Migalhas continuarão caindo da mesa dos ricos e poderosos, assim como as suas ações nefastas e prodigiosas de enriquecimento ilícito, pois o capitalismo criou uma hierarquia intransponível para os que vem de baixo, não há saída a não ser se colocar a serviço dos poderosos e esperar uma oportunidade, como Jair Bolsonaro e Jorginho Mello esperaram e aproveitaram, diga-se de passagem, porque, muito embora, doentes da alma e do corpo, estão ricos e isso é a única ideologia de qualquer canalha.
Vinicius Todeschini 04-02-2026


