Crónicas do Brasil | 11-03-2026 09:01

A Estética do Imperialismo – O Eixo Israel/EUA

Vinicius Todeschini

"Corrige-te, ó Jerusalém! Ouve a minha advertência, para que Eu não me afaste de ti totalmente e faça de ti um amontoado de escombros, uma terra desolada e deserta!". (Jeremias 6:8)

O desencantamento da vida ( : ) acontece porque a amargura já atravessou as paredes finas da alma e fez morada. Condenados por esta marca que transforma todo o tempo em fardo e todo desejo em cupidez, assim voltam os soldados que sobrevivem às guerras, ainda são novos, mas não podem ser mais jovens, porque trazem a decadência da civilização, corroída pelo veneno do homem.

Ciro o Grande tinha como fundamento o respeito aos costumes e às religiões dos povos conquistados e, através destas práticas, transformou a Pérsia no maior império, até aquele ponto da história. Ciro é reverenciado no Irão como um modelo de administrador, estrategista e estadista e a sua postura em relação aos direitos humanos serviu de referência às civilizações orientais e ocidentais. Em 538 A.C., Ciro libertou os judeus do cativeiro na Babilônia, parte da sua política de direitos humanos e tolerância religiosa, propiciando que pudessem voltar a Jerusalém e reconstruíssem o Templo, providenciou até a devolução de utensílios sequestrados, saqueados por Nabucodonosor. Em Isaías 45, Ciro é descrito como “um messias” escolhido por Deus, mesmo não sendo judeu. Ciro está para Trump, assim como Jesus está para Nero. No entanto, Israel, através de manobras políticas convenceu o belicoso império norte-americano a atacar o Irão e matar o seu líder máximo e mais de 200 pessoas do alto escalão iraniano, além de crianças e parentes desses líderes. Os EUA corroem o planeta com sua máquina de guerra, mas podem ter cometido o maior erro da sua história com esta ação esdrúxula e descabida.

Quando os jovens aprendem a matar e se transformam em cães de guerra, a vida já não possui mais nenhum significado, além dos criados pelos perpetradores do mal mais terrível, aquele que se transforma transformando o vivente, mas em nada daquilo que sonhou um dia. O desencantamento da vida, quando ela recém se abre com todo o encantamento e fúria da juventude, acontece porque à amargura já atravessou as paredes finas da alma e fez morada. Condenados por esta marca que transforma todo o tempo em fardo e todo desejo em cupidez, assim voltam os soldados que sobrevivem às guerras, ainda são novos, mas não podem ser mais jovens, porque trazem a decadência da civilização, corroída pelo veneno do homem. Talvez por isso, o ex-roteirista e dublador da série ‘South Park’, Toby Morton, esteja fazendo uma campanha para que o filho de Trump, Barron Trump, seja convocado pelo exército e participe das campanhas militares que o seu pai promove pelo planeta. A sátira, além de criticar este algoz que acossa o mundo com seus exércitos, serve, principalmente, para mostrar que os senhores da guerra nunca participam diretamente dela, nem querem os seus entes queridos envolvidos nas escaramuças, criadas por eles mesmos. Todas elas engendradas por interesses vis e mesquinhos, onde a crueldade comanda as ações e a mente a contagem dos despojos.

O martírio para os iranianos xiitas não é encarado por este povo como o fim, mas como a forma mais honrosa de sacrifício pelo seu país, pelo seu povo e por Alá. O martírio (shahadat) e o mártir (shahid) se tornam um só, como Imam Husayn, neto de Maomé, que morreu em martírio na Batalha de Karbala lutando contra a opressão, em 680 d.C., são diferentes dos soldados profissionais que se espelham em Rambo, ou coisa parecida, os soldados iranianos se espelham em Imam Husayn e entregam o seu corpo e a sua alma na luta contra o invasor, morrer não é o fim para eles, por isso não encaram a morte na guerra contra o Grande Satã (EUA) como uma desgraça, mas como uma honra e uma oportunidade de alcançarem a suprema realização do guerreiro, ser um mártir. Imam Seyyed Ali Khamenei é agora um mártir e em torno do seu sacrifício o país está unido e disposto a ir até o fim para fazer justiça, ou morrer tentando, e isso nem todos os povos são capazes de alcançar.

Diferente de Israel, o Irão é profundamente religioso e Israel é um dos Estados mais agnósticos do mundo. A antiga Pérsia é uma civilização muito antiga, mais de 2.500 anos, e já foi o maior império do mundo na época de Ciro o Grande, mas a sua língua não vem das língua semíticas, como o árabe e o hebreu, mas o seu idioma, o farsi, pertence ao subgrupo das línguas indo-arianas e a sua gramática é semelhante à de muitos idiomas europeus, inclusive o português. Os xiitas são maioria apenas no Irão, Iraque, Bahrein, Azerbaijão, Afeganistão e Iêmen e representam 10% da população muçulmana. Quanto à guerra em si, os prognósticos dos especialistas são tendenciosos, a Grande Mídia, por exemplo, é sempre favorável aos EUA, para se ter um contraponto a isso é preciso muito garimpo na internet, só assim é possível se aproximar da verdade dos fatos que estão acontecendo em uma velocidade hipersônica. O mundo prende a respiração por alguns segundos, porém logo depois tem que se adaptar à nova ordem mundial que começa a se esboçar desde que Donald Trump voltou ao poder. Não faltaram avisos que elegê-lo era uma aposta arriscada, porque Trump não tem nenhum escrúpulo, nenhum resquício de compaixão e a vingança, como ele mesmo declarou em uma entrevista à atriz e apresentadora, Bruna Lombardi, aqui no Brasil, em 1990, “creio na pena de morte e na vingança que é algo ótimo” e mais adiante ele fala sobre os inimigos e o que se deve fazer com eles: “Tem que lidar com eles. Enterrá-los”. Eis o homem...

Vinicius Todeschini 09-03-2026

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