Um legado de ossos
O Estado de Israel alterou para sempre a nossa concepção de vítima e carrasco, porque o perseguido virou perseguidor e o prisioneiro o algoz ( : ) Nesse grande baile de máscaras a orquestra muitas vezes nem é percebida, mas é ela que conduz a dança das peças nos tabuleiros intrincados do Poder. O mundo não é um experimento, nem uma obra feita, é a pulsação cega e surda aos perigos da existência, que impulsiona sempre para a frente, repetindo roteiros e substituindo os atores.
Diante dos nossos olhos (O privilégio é nosso ou seria somente o nosso carma?) o mundo se convulsiona em guerras e negociações sem nenhuma credibilidade, mas o que sempre esteve posto para ser remediado morre à míngua. Se Netanyahu assina o acordo vai preso por corrupção e se Trump não consegue o acordo é derrotado de forma acachapante nas eleições de outubro. ‘Se correr o bicho pega/Se ficar o bicho come/É preciso pagar para ver/Se é desejo ou é fome’. Não há um porquê, nem um indício de que qualquer acordo será cumprido. No ocidente se naturalizou muitas verdades falsas que nem a ironia mais refinada poderia transformar em falsas verdades. Trump é um mestre em jogar com isso e, enquanto as pessoas seguem as suas declarações, ele está ganhando muito dinheiro através da manipulação da opinião pública em sua corrida para ser primeiro trilionário do mundo. Biden saiu do exílio morboso em que estava posto e em uma simples declaração definiu Donald Trump: ”É o presidente mais corrupto da história dos EUA”. Trump nem precisa responder, porque todos sabemos como ele responde aos seus críticos...
Fecha o Estreito, abre o Estreito e assim, de tanto abrir e fechar, o estreito ficou largo e o preço mais salgado. A conta virá e nós que fomos criados em plena compaixão e solidariedade ao povo judeu pelo Holocausto perpetrados pelos nazistas, tivemos que aceitar os fatos: o Estado de Israel alterou para sempre a nossa concepção de vítima e carrasco, porque o perseguido virou perseguidor e o prisioneiro o algoz. A lavagem cerebral diária que a propaganda ocidental usa para manter o maniqueísmo para criar dicotomias palatáveis à grande massa alienada dos meios que as manipulam, é hoje em dia baseada em oráculos “gratuitos”, que não passam de instrumentos de pesquisa de mentes, manifestas em opiniões tendências, gostos, hábitos e declarações. Nesse grande baile de máscaras a orquestra muitas vezes nem é percebida, mas é ela que conduz a dança das peças nos tabuleiros intrincados do Poder. O mundo não é um experimento, nem uma obra feita, é a pulsação cega e surda aos perigos da existência, que impulsiona sempre para a frente, repetindo roteiros e substituindo os atores.
A mídia oficial é incansável em repetir a versão doutrinária e qualquer contradição apontada será vista como um posicionamento contrário a Israel que, mesmo com a imagem aparentemente abalada, continua entranhado no controle das engrenagens do Poder nos EUA. As críticas feitas aos sionistas e ao seu primeiro-ministro genocida por Trump e o vice-presidente, J.D. Vance, é apenas uma forma de mitigar a pressão sobre os EUA e ao seu presidente, cujo objetivo maior é se perpetuar, indefinidamente, como primeiro imperador dos norte-americanos. Israel não tem nenhum prurido em mostrar o que é, mas o superego dos norte-americanos exige “uma formação de compromisso” (Freud explica) para salvar a alma do império, já que o corpo está em plena putrefação, lenta, mas gradual.
O mundo se dividiu entre os poderosos e os seus apaniguados e aliados, mas aqueles que ainda acreditam em um mundo impossível através do modelo que está posto, onde cada vez menos pessoas têm o mínimo necessário para uma vida digna, os ditos progressistas, esses estão tão aburguesados, quanto os que defendem os plutocratas e seu regimes. Os EUA perderam nos últimos 50 anos mais de 20 % da sua classe média, que empobreceu de forma drástica, impondo à muitas pessoas, que deveriam estar gozando os seus últimos anos em uma aposentadoria confortável, a volta ao mercado de trabalho a qualquer custo e por qualquer salário, simplesmente para sobreviver. A epidemia de fentanil (que pode ser até cem vezes mais potente que a morfina) e outros opioides sintéticos, estão devastando os EUA, porque com a desindustrialização permanente que se instalou a partir da globalização, muitas comunidades que surgiram em função das fábricas, depois que elas fecharam, praticamente desapareceram ou viraram antros de decadência. Os lucros incessantes que o ultraneoliberalismo exige das corporações é o altíssimo preço que "o deus mercado" cobra da maioria que, aliás, jamais fez esta escolha.
A colheita é obrigatória nesse mundo e muitas vezes, com extrema ironia, o tempo refaz o que desfez com outras configurações. Se o império decai a olhos vistos pelas suas próprias convicções é porque as suas escolhas nunca levaram em conta a maioria da população, foram decisões de cúpulas onde a população representa apenas números e estatísticas, baseadas em pesquisas que podem cometer enganos absurdos, mas mesmo assim são consideradas de alto valor científico pelos plutocratas. Assim como o sionismo é uma reconfiguração do nazismo, a decadência da população norte-americana é a ressignificação dos povos explorados pelas empresas norte-americanas em suas ações neocoloniais no chamado Terceiro Mundo. Assim caminha a humanidade nesta trilha que, cada vez mais tangencia o abismo inexorável da extinção. O ser humano tem demonstrado progressivamente com as novas gerações (pessoas com menos de 50 anos) a sua alienação crescente em relação ao que realmente está em jogo e os novos objetos de consumo e de entretenimento acabaram de vez com as possibilidades da reflexão mais profunda, fruto de leituras e estudos em textos realmente conectados com a vida e com a realidade.
Vinicius Todeschini 21-07-2026


