Todos por um
A liberdade que o neofascismo está pregando abertamente, hoje em dia, é uma aberração, um desregramento da sociedade, como se vê em Porto Alegre, atualmente nas mão do bolsonarista Sebastião Melo, onde você pode ser atropelado nas calçadas por patinetes em grande velocidade, ou bicicletas, que muitas pessoas usam para tele-entregas, mas sem demonstrar nenhum zelo pelos transeuntes.
Muitos documentários mostram belas imagens da cidade de Berlim, no ano de 1936, mas, logo após, passam as imagens da cidade em ruínas, destruída pelos bombardeios dos Aliados, em 1945. A ex-primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, que ficou 16 anos à frente do seu país, repetiu muitas vezes que, geração após geração, as lembranças das grandes tragédias, que marcaram e mudaram o destino da humanidade, vão se esmaecendo com o passar das gerações e com isso novas formas do mesmo mal crescem livremente, sem nenhuma vigilância ou resistência, para criar os mesmos males do passado. Elas vão se infiltrando nas fissuras abertas e nunca preenchidas pela falta de ressignificação daqueles fatos. O fascismo em suas novas vertentes não difere, basicamente, do velho fascismo criado por Mussolini (muito inspirado em Gabriele D'Annunzio, que misturava o seu nacionalismo extremista com a sua obsessão por guerras e rituais públicos de supostos atos heroicos), na verdade são as mesmas estratégias, o que realmente mudou foram as tecnologias que, de início, ainda estão longe de mostrar o potencial que possuem, tanto para o bem, quanto para o mal. Mussolini veio do PSI (Partido Socialista Italiano) e foi expulso do partido por defender à entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial. Ele saiu e fundou os Fasci di Combattimento, que deu origem ao PNF (Partido Nacional Fascista), no ano de 1921.
As apropriações das pautas tradicionais da Esquerda pelos fascistas, como as críticas ao liberalismo hegemônico e as elites, donas do capital, se dá como forma de cooptar a classe trabalhadora e torná-la massa de manobra para tomar o Poder e impor a vontade do capo, do duce, do fuhrer, ou o nome que se dê a quem comandará e imporá o pluribus na sociedade dominada, ou seja; milhões se movendo na direção que uma só cabeça determinará, “todos por um”. No caso de Mussolini foi muito fácil, porque ele tinha origem política no socialismo e no caso de Hitler, mais fácil ainda, porque o fascismo é anterior ao nazismo, assim, quando criou o NSDAP (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães), o modelo já estava ali, pronto para ser adaptado às suas ideias. Ao usar as palavras e jargões socialistas e escolher a cor vermelha em sua bandeira, assim como como colocar a palavra socialista no nome do partido, Hitler queria confundir o proletariado e assim atacar a base social dos partidos que usavam tradicionalmente esta cor, como o Partido Comunista, o Partido Socialista e o Social-Democrata.
O bolsonarismo, o trumpismo com o MAGA (Make America Great Again) e todos os fenômenos neofascistas que se espalham pelo mundo são reflexos de um humanismo que se desintegra como um picolé ao sol. Frases como aquela de Bolsonaro: "Nós somos pessoas normais. Podemos até viver sem oxigênio, mas jamais sem liberdade". O que é uma dupla inverdade, porque não podemos viver sem oxigênio, obviamente, mas a humanidade já viveu e, parte dela, ainda vive sob novas formas de escravidão, além de denotar uma imensa falta de profundidade sobre temas tão complexos e fundamentais para todos, mas que, atualmente, são manipulados e distorcidos por algoritmos e IA. No Brasil, quando se reconquistou a democracia, se criou uma falsa segurança de que alguma coisa conquistada está consolidada, isso abriu espaço para os fascistas implodirem o sistema democrático: nunca leve flores à cova do inimigo companheiro, porque ele pode não estar lá ou porque agora o inimigo já é outro.
A liberdade que o neofascismo está pregando abertamente, hoje em dia, é uma aberração, um desregramento da sociedade, como se vê em Porto Alegre, atualmente nas mão do bolsonarista Sebastião Melo, onde você pode ser atropelado nas calçadas por patinetes em grande velocidade, ou bicicletas, que muitas pessoas usam para tele-entregas, mas sem demonstrar nenhum zelo pelos transeuntes. Acidentes acontecem a toda hora, mas eles não são registrados devidamente e não há lei que regulamente, verdadeiramente, o uso desses veículos, que atingem velocidades de 32 km/h, no caso dos patinetes. O que pregam, sem nenhum constrangimento, aliás, é o direito “à liberdade de expressão” (uns com mais liberdade que outros, evidentemente, porque quanto mais poder econômico mais liberdade), direito ao porte de armas, direito de dirigir rápido sem usar capacete, direito de arremessar carros, de arremessar anões, como acontece na pátria modelo dos neofascistas, os EUA, um país onde 47 milhões de pessoas não ganham o suficiente para a sua subsistência.
Fenômenos como “o pobre de Direita” não são exclusividade desta época, Marx os chamava de lumpemproletariado e mesmo que alguns acadêmicos possam discordar disso, eu diria: que no es lo mismo, pero es igual. Não há muita saída para quem vive sob o jugo do capitalismo, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, porque é um jogo de cartas marcadas, é ‘o sistema lagarto’, pois se alimenta do próprio rabo, precisa criar crises para que possa se reinventar ainda mais monstruoso e explorador. Quem diria, por exemplo, que, trabalhadores se revoltariam contra os que lutam para que tenham direitos, como acontece com os motoboys e motoristas de aplicativos, que são majoritariamente bolsonaristas, e se revoltam contra quem tenta criar projetos para defender os seus reais interesses. É algo irreal, ou surreal, ou bizarro, ou qualquer coisa meu irmão, mas talvez seja, simplesmente, o desconhecimento dos seus reais interesses, aliadas a uma extrema incapacidade de pensar com profundidade por mais de um minuto.
Vinicius Todeschini 21-09-2026


