O Debate
Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, é um sujeito que tem muito mais que ligações com o crime organizado, ele é uma espécie de ‘capo’ de um grupo armado no estado do Rio de Janeiro, formado por ex-policiais militares e civis, conhecido como Milícia ( : ) Flávio, inclusive, já defendeu abertamente a Milícia, afirmando que ela exerce a função de polícia e com algumas vantagens implícitas, porque não precisa cumprir à Lei ou seja: “uma nova forma de policiamento”, mas na verdade muito velha, basta ler ou ver filmes sobre a máfia para saber como isso funciona.
Aconteceu finalmente um debate entre as duas forças antagônicas e absolutamente majoritárias na política brasileira atual. Mediado pela apresentadora, Adriana Araujo e por Eduardo Oinegue (um declarado apoiador do “mercado”, leia-se Faria Lima), da Rede Bandeirantes, o debate aconteceu dentro dos baixos padrões esperados. Flávio Bolsonaro (que acredita que já ganhou o pleito) repetiu incansavelmente os velhos clichês da extrema-Direita, sem jamais responder à nenhuma pergunta ou propor algo concretamente, apenas velhas e vagas promessas. Aqui o neofascismo se comporta exatamente como o velho fascismo. Lula, por sua vez, do alto dos seus 80 anos, foi seguido durante todo percurso no palco do debate pelo candidato neofascista, que tentava desestabilizá-lo e dificultar os recortes que as coordenações de campanha fazem, logo após o enfrentamento para ressaltar os destaques do seu candidato. Lula cometeu uma gafe em determinado momento, ao criticar a Flávio o chamou de ‘malandro carioca’, foi uma infelicidade do presidente, e, no intervalo, a assessoria de Flávio o avisou e ele praticou mais uma demagogia. Lula, um político sagaz, mas condicionado a debates propositivos e ideologizados, se viu frente a frente com um vigarista profissional, onde mentir é algo inerente à sua própria condição.
Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, é um sujeito que tem muito mais que ligações com o crime organizado, ele é uma espécie de ‘capo’ de um grupo armado no estado do Rio de Janeiro, formado por ex-policiais militares e civis, conhecido como Milícia. que controla territórios, cobrando pela segurança dos moradores, pelos serviços de TV e internet, fornecimento de gás de cozinha, além de alugar territórios para os traficantes comercializaram drogas. Flávio, inclusive, já defendeu abertamente a Milícia, afirmando que ela exerce a função de polícia e com algumas vantagens implícitas, porque não precisa cumprir à Lei ou seja: “uma nova forma de policiamento”, mas na verdade muito velha, basta ler ou ver filmes sobre a máfia para saber como isso funciona. A sua atuação como senador segue o mesmo sentido, ele é o autor de um projeto de lei que prevê o fim da identificação de munições adquiridas por Órgãos de Segurança Pública e, quando questionado sobre isso em entrevistas e no próprio debate pelo presidente Lula, ou não responde, ou afirma que isso é só um detalhe, mas, na verdade, sem balística não há como provar de que arma a bala foi disparada e por isso a marcação dos projéteis é fundamental.
O currículo de Flávio é mais uma ficha corrida policial, porém com o agravante de estar sempre acima da Lei, livre dos julgamentos e das punições devidas. Começou a sua carreira como funcionário fantasma da Câmara Federal em Brasília, no gabinete do pai, Jair Bolsonaro, enquanto estudava Direito na capital carioca. Em novembro de 2020 foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, ele e seu ex-assessor Fabrício Queiroz, um ex-policial militar e miliciano, além de outras pessoas, por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita de cerca de R$ 6,1 milhões com funcionários fantasmas. Tem o caso da Loja de Chocolate que lavava dinheiro, a exploração na administração dos hospitais federais do estado do Rio de Janeiro, a mansão em Brasília que vale mais que 14 milhões de reais, paga praticamente à vista, enfim é uma lista tão extensa de crimes, que não cabe em um texto sucinto, e, finalmente, o caso do filme sobre o seu pai, “Dark Horse”, onde ele recebeu 134 milhões de Daniel Vorcaro, que está preso por produzir o maior escândalo de corrupção da história brasileira, só nesse caso: há suspeita de lavagem de capitais; evasão de divisas; corrupção ativa e corrupção passiva.
A direção da atuação teatral de Flávio Bolsonaro no debate foi de Pablo Marçal, o sujeito que protagonizou uma das cenas mais bizarras da política brasileira. Ele foi atingido por uma cadeira, durante um debate à prefeitura de São Paulo, em 15 de dezembro de 2024, pelo apresentador de televisão, José Luiz Datena, que estava na disputa. Ele provocou Datena inúmeras vezes durante o debate e o ápice foi quando o chamou o de “arregão” (aquele que se acovarda) e citou uma antiga acusação de assédio sexual contra o apresentador. Datena foi um péssimo e despreparado candidato escolhido de forma eleitoreira pelo PSDB, partido de Aécio Neves, um dos piores quadros políticos produzidos neste país, mas Pablo Marçal é, simplesmente, um bandido brasileiro da pior espécie, sem nenhum resquício de ética ou de moral. Durante o transcurso do debate Flávio, além de seguir o presidente, fazia caretas e maneios com a cabeça tentando desacreditar Lula, mas sempre seguindo à batuta do titereiro Marçal.
Nas imagens pós-debate se pode ver ele gesticulando com as mãos para Flávio, que cumpria fielmente os comandos. Tudo isso aconteceu o tempo todo e sem nenhuma admoestação dos apresentadores ao candidato. É evidente a plena conivência desses mediadores, que são os representantes dos interesses do Grupo Bandeirantes, a quem interessa mais a derrota de Lula e do PT, do que a vitória de Flávio, mas não existe um fato sem o outro e todos serão responsabilizados pelas suas escolhas, mais cedo ou mais tarde. Tivemos também o ex-juiz ladrão, Sergio Moro, eleito governador do Paraná e Deltan Dallagnol, ex-procurador da República, eleito senador pelo mesmo estado, no entanto, ainda existe uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral sobre o deferimento ou indeferimento da sua candidatura. Ele foi como convidado de Flávio Bolsonaro ao debate, vestindo uma camiseta com a frase; "Eu prendi o Lula, o STF soltou" e uma imagem do PowerPoint da Operação Lava Jato, uma das maiores farsas à brasileira da história, farsa essa que foi, exaustivamente, comprovada pelos áudios da Vaza Jato. O que está em jogo, no entanto, é o próprio país, pois entregar a Flávio Bolsonaro e o que ele representa, à presidência, significa, literalmente, entregar o país ao crime organizado e poderá ser um caminho sem volta.
Vinicius Todeschini 20-10-2026


