A culpa é do mensageiro
Quem tivesse aterrado recentemente de Marte e ouvisse o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) Lezíria, Pedro Marques, a falar na última reunião de câmara de Santarém poderia ter a ideia de erigir uma estátua ao gestor.
Quem tivesse aterrado recentemente de Marte e ouvisse o presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) Lezíria, Pedro Marques, a falar na última reunião de câmara de Santarém poderia ter a ideia de erigir uma estátua ao gestor, tão cor-de-rosa foi o cenário pintado pelo gestor aos autarcas, após ter completado um ano de mandato. Isto quando há realidades preocupantes como: um Hospital de Santarém com urgências de algumas especialidades a fechar frequentemente, que se reflectiu, por exemplo, na diminuição do número de partos; um hospital que se debate com instalações insuficientes e/ou degradadas, que tem inclusivamente uma cozinha fechada pela ASAE; um aumento do número de utentes sem médico de família; uma dívida da ULS de quase 45 milhões de euros. E, como cereja no topo do bolo, um administrador com ar professoral que critica quem relata e denuncia os problemas, deixando a entender que essas publicações dão má fama ao hospital e contribuem para afastar os profissionais de saúde. Ou seja, mais uma vez a culpa é do mensageiro, garantindo-se assim, pelo menos, que não acaba por morrer solteira….


