Abril com cravos, assobios e vaias
A sessão solene do 25 de Abril em Benavente teve cravos, discursos, democracia e uma pequena banda sonora improvisada, feita de assobios e apupos.
A sessão solene do 25 de Abril em Benavente teve cravos, discursos, democracia e uma pequena banda sonora improvisada, feita de assobios e apupos. O momento alto chegou quando a professora Cristina Brandão, representante do Chega, se atreveu a dizer que o 25 de Abril “não pertence à esquerda, não pertence ao Partido Comunista” e que a liberdade também não deve ser usada para transformar adversários em “inimigos do povo”. A plateia, onde estavam vários quadrantes políticos e muitos ouvidos sensíveis à propriedade simbólica da Revolução, respondeu com assobios - uma espontaneidade muito portuguesa quando não se gosta do que se vê ou ouve. O Cavaleiro Andante ficou sem perceber se a liberdade celebrada naquele dia incluiu o direito de dizer coisas incómodas ou apenas o dever de as ouvir quando vêm com determinado carimbo ideológico. No fim, Abril voltou a cumprir a sua função: cada um disse o que quis, cada um assobiou como pôde, e a democracia saiu da sala um bocadinho rouca.


