Ana Paula Tavares veio a Santarém falar de Angola e de poesia
A angolana Ana Paula Tavares, prémio Camões de 2025, veio a Santarém falar da sua Obra e da sua vida.
A angolana Ana Paula Tavares, prémio Camões de 2025, veio a Santarém falar da sua Obra e da sua vida. O cenário foi a biblioteca Bernardo Santareno, num sábado às 16 horas.
Num país de poetas e romancistas, Ana Paula Tavares falou do alto dos seus setenta e muitos anos para pouco mais de uma dezena de ouvintes. E claro que a culpa foi da organização que não fez a publicidade suficiente ao evento. Foi assim também há trinta e muitos anos quando Sophia de Mello Breyner Andersen também veio à capital do Ribatejo, a convite do Círculo Cultural, e na sala estavam meia dúzia de gatos. Poetas nem vê-los, nem hoje nem há trinta anos, quando Sophia já era, tal como Ana Paula Tavares é hoje, uma figura marcante da literatura e da cultura portuguesa.
Para quem não foi lá fica este desabafo de uma poeta e Historiadora que sempre foi professora e disso se orgulha. “No meu tempo íamos para a universidade para encontrarmos os rapazes mais bonitos. Esse era o grande objectivo das meninas. O problema é que os mais bonitos não estavam lá. Então tínhamos que namorar os soldados portugueses e um ou outro camionista que parava pelo caminho.” Quem não foi ouvir Ana Paula Tavares perdeu uma grande lição de vida de uma poeta que um dia escreveu “Ouço-te respirar entre as sílabas do poema (:)
Quando vinhas com palavras
bater-me à porta”.


