Cultura | 21-05-2020 15:00

O dia de Ascensão era aproveitado pelos mais jovens para namoriscar

O dia de Ascensão era aproveitado pelos mais jovens para namoriscar
ESPECIAL ASCENSÃO

Primeiro presidente de câmara de Alcanena do pós 25 de Abril tem 98 anos.

Joaquim Pereira Henriques recorda as tradições da Quinta-Feira de Ascensão em Alcanena. Rumava-se aos Olhos de Água, nascente do Alviela, apanhava-se a espiga e punha-se a conversa em dia com as raparigas.

Joaquim Pereira Henriques, que foi o primeiro presidente da Câmara de Alcanena no pós 25 de Abril, tem 98 anos e recorda-se bem como era a Quinta-Feira de Ascensão dos seus tempos de juventude. Diz, em tom brincalhão, que, nessa altura, aproveitava o dia para dar uma palavra às meninas uma vez que nos outros dias normais era quase impossível conseguir falar-lhes.


Era habitual a população de Alcanena rumar a pé, de carroça ou bicicleta, até aos Olhos de Água, nascente do rio Alviela, e era nesse local e nesse dia que muitos namoros começavam. Foi o seu caso. “Já a conhecia de a ver passar na rua, mas foi numa Quinta-Feira de Ascensão que lhe falei a primeira vez”, conta, olhando uma fotografia da mulher que se tornou sua esposa, anos mais tarde.


Os tempos passaram e o ex-autarca já não liga à data e nesse dia nem sequer sai de casaapesar de ser feriado municipal. Algumas pessoas continuam a ir aos Olhos de Água, mas para Joaquim Henriques já não é com o mesmo espírito da altura. As tradições perderam-se, os jovens não ligam e é assim que se perdem tradições, defende. “Esta é uma data religiosa, a maioria dos jovens nem deve saber. Agora não ligam muito à religião e já não têm os mesmos valores de antigamente”, sublinha.


Recorda que nos Olhos de Água se juntavam centenas de pessoas, havia convívio e troca de farnéis. Os mais novos namoriscavam e ia-se pelo campo apanhar as espigas, papoilas e flores silvestres para fazer o ramo que se colocava em casa, atrás da porta, para atrair prosperidade.

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