Cultura | 22-05-2020 15:00

Persistente nos mínimos à espera do retorno à actividade dos seus clientes

Persistente nos mínimos à espera do retorno à actividade dos seus clientes
ESPECIAL ASCENSÃO

Nuno Castelão diz que há que ter esperança mas também cautela.

Financiamentos no âmbito do apoio às empresas andam a velocidades diferentes. Numa instituição podem demorar três semanas e noutras mais de dois meses.

A Persistente - artes gráficas, da Chamusca, é o exemplo de uma empresa que está a ser afectada pela crise gerada pela pandemia devido à maior parte dos seus clientes não estar a funcionar em pleno. Por esse motivo, o gerente, Nuno José Ascenso Castelão, está atento ao regresso à actividade de muitos sectores da economia.


“É desolador ter uma capacidade produtiva instalada e não conseguirmos colocá-la em funcionamento. Como se trata de artes gráficas os nossos clientes são, fundamentalmente, empresas e entidades públicas e poucas são as que estão em pleno funcionamento. E as áreas de livros, revistas e publicidade também pararam ou reduziram a sua actividade”, refere o gerente.


Sem encomendas, a Persistente reduziu a sua actividade e foi forçada a colocar trabalhadores em lay-off parcial. A situação é considerada como uma das mais tristes da história da empresa, fundada em 1929, por César Castelão.


O gerente diz que o recurso ao lay-off simplificado funcionou bem, mas que o mesmo não se passou com outros apoios anunciados pelo Governo.
“Recorremos aos financiamentos pela linha de apoio à economia Covid-19 mas têm tardado. Aqui sim, estes constrangimentos têm trazido problemas graves para o tecido empresarial. Uma parte da Banca não tem conseguido responder de forma célere às necessidades. Temos uma entidade que, em pouco mais de três semanas, disponibilizou o financiamento, mas há outras que, apesar de já terem passado dois meses, ainda não o conseguiram fazer”, sublinha.


Nuno Castelão quer ser optimista mas sabe que o slogan “Vai ficar tudo bem” não se aplica à economia.
“As maiores dificuldades virão a partir de agora. O mercado não vai responder como seria necessário, nem irá conseguir compensar as perdas acumuladas. Este processo de retoma, que se antevê lento, irá inviabilizar muitas empresas que não podendo recorrer ao despedimento, por imposição legal ou por impossibilidade de cumprir as obrigações, nomeadamente, as respectivas indemnizações, terão que fechar. Por outro lado, os saldos de dívidas a fornecedores, que irão ser exigidos por estes a curto prazo, criarão dificuldades acrescidas para quem quiser reiniciar”, analisa.


Em tempo de Ascensão, data celebrada na Chamusca com uma festa que se prolonga por vários dias, Nuno Castelão, espera que no próximo ano seja possível o reencontro de toda a comunidade.


“Os chamusquenses vivem a sua festa transformando esse momento num espaço social e cultural vincando a ouro a sua identidade colectiva. É o reflexo de uma história de vida, construída diariamente por este povo de raízes fundamentalmente agrícolas, onde os hábitos, usos e costumes tão bem são expressos durante esta semana. Com um sentimento profundo e uma envolvência invejável, manifestam-se nestes dias, libertando as preocupações e as dificuldades que a vida lhes impõe diariamente. É neste conjunto de vontades e vivências que se vai rescrevendo, ano a ano, uma cultura tão própria e apaixonante”, sublinha.

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