Economia | 13-04-2023 10:00

Uma região unida pela solução do novo aeroporto em Santarém

Uma região unida pela solução do novo aeroporto em Santarém
Brazão, accionista principal da empresa Magellan 500, apresentou projecto para o aeroporto de Santarém perante autarcas e empresários

Convento de São Francisco recebeu autarcas de vários distritos do Centro do país, empresários e dirigentes associativos para a apresentação pública do projecto Magellan 500 Airport que tem como localização a região de Santarém.

A sessão pública de apresentação do projecto para a construção do novo aeroporto em Santarém, iniciativa que teve lugar no Convento de São Francisco, juntou autarcas de vários distritos do Centro do país, nomeadamente Leiria, Santarém, Guarda, Covilhã, Portalegre e Castelo Branco. Empresários e dirigentes associativos da região também participaram na iniciativa, que se realizou a 11 de Abril e que procurou simular a experiência que se vive num aeroporto, com assistentes de bordo, um comandante e outras particularidades.
Coesão territorial foi a expressão mais utilizada pelos oradores. Ricardo Gonçalves, presidente da Câmara de Santarém, foi o primeiro a discursar começando por definir a solução Santarém para a construção do novo aeroporto como a mais sustentável e ambiciosa e a que representa mais benefícios para o país. “Este projecto aproxima Portugal e não apenas uma região. A coesão territorial tem de fazer parte das nossas políticas públicas”, disse. Para Ricardo Gonçalves é importante enaltecer o facto do projecto ser financiado, na sua quase totalidade, por privados sem que seja necessária a utilização de capitais públicos. Também evidenciou o facto de ser um projecto que vai ao encontro da sustentabilidade ambiental aproveitando o momento para lançar uma farpa às outras soluções que estão em avaliação pela comissão técnica independente. “Outros querem passar a mensagem que são uma solução sustentável, mas não são”, vincou, acrescentando que o aparecimento de novas possibilidades para a localização do novo aeroporto deu mais força à opção Santarém.
Anabela Freitas também subiu ao palco, enquanto presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), para reafirmar que a região recebeu de braços abertos a solução Santarém sobretudo pelo impacto que a localização tem para toda a população do país. No seu ponto de vista, “não podemos continuar a dizer que o país está inclinado para o litoral e continuarmos a definir políticas públicas” que não respeitam a coesão territorial. “Este não é um projecto regional, mas sim nacional. Somos uma região com convergência negativa, com perda de população e de PIB (Produto Interno Bruto)”, lamentou.

“É difícil fazer melhor que isto”
Carlos Brazão, fundador do Magellan 500 Airport, captou a atenção de mais de duas centenas de pessoas durante a apresentação do projecto que durou cerca de 40 minutos. Explicou que foi um trabalho exaustivo de dois anos e que há um ano sentiram que tinham um projecto válido e que era preciso apresentá-lo publicamente. A intervenção serviu para explicar as principais razões que fazem de Santarém uma localização “única” para o novo aeroporto, considerando Carlos Brazão que “é difícil fazer melhor que isto”. O accionista principal da empresa Magellan 500 elencou as principais vantagens: acessibilidade única, conectividade de excelência, promove a coesão territorial, proximidade com a Grande Lisboa, é um projecto desenvolvido com a sustentabilidade no topo das prioridades e, por último, o impacto económico que pode criar, nomeadamente com a criação de mais de 70 mil postos de trabalho.

Fátima gera tráfego superior a 2 milhões de passageiros

Pedro Machado, presidente da Entidade Regional Turismo Centro de Portugal, diz que a construção de novo aeroporto é desígnio nacional. José Couto afirma que entre a zona Oeste e Viana do Castelo estão localizadas 60% das exportações portuguesas”. “Se 66% da população se situa geograficamente entre a Península de Setúbal e a cidade de Braga é neste espaço que estão reunidas todas as condições para que se avance com o novo aeroporto de Lisboa na região Centro. Este é o momento de avançar”, afirma. Pedro Machado destacou também a importância do turismo, sublinhando que o turismo religioso em Fátima gera um tráfego anual superior a dois milhões de pessoas. Em 2017, quando o Papa Francisco visitou Fátima, houve um crescimento que poderá ter atingido as 600 mil dormidas só no perímetro de Fátima. “Existem muitos indicadores que justificam a opção de construir um aeroporto na zona centro”, reforça. E acrescenta que é um desígnio nacional decidir se se aposta ou não na descentralização entre Lisboa e Porto e criar um destino entre as duas maiores cidades do país. “Isto é claramente uma decisão política que tem que ser tomada”, reforçou.
O presidente do Turismo Centro de Portugal considera que a zona centro não pode ser apenas uma zona de passagem entre Lisboa e Porto. “Tem de ter músculo próprio e vida própria. Esta infraestrutura é decisiva. Mesmo por razões de coesão. O Magellan 500 é uma opção de investimento público estruturante”, defendeu, acrescentando que Portugal é hoje uma marca reconhecida internacionalmente como um óptimo destino turístico.
Para o presidente da mesa da assembleia-geral da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP), Bruno Bobone, é urgente tomar uma decisão em relação ao novo aeroporto, embora tenha dúvidas que os políticos queiram tomar uma decisão sobre o assunto. “Atrai-me a ideia do projecto privado, tem interesses empresariais que se vão juntar para criar uma alternativa de um aeroporto internacional. Um projecto privado tem uma capacidade de decisão diferente. Não vai custar ao Estado o que vai custar as outras alternativas e vai demorar menos tempo a ficar concluído”, afirma.
O receio de Bruno Bobone é a insegurança existente em relação aos políticos em Portugal. “Qualquer projecto privado que corra bem corre o perigo de abrir a gula por parte do Estado”, destacou. O presidente do Conselho Empresarial do Centro, José Couto, considera que se o novo aeroporto nacional se situar a norte do rio Tejo será um pilar que contribuirá para um maior desenvolvimento e dará mais competitividade ao território nacional. “Exportações portuguesas. Se vamos construir uma infraestrutura desta envergadura fora do centro onde se produz, acrescenta e cria riqueza, é dar um tiro no pé”, alerta, acrescentando que o novo aeroporto deverá contribuir para a coesão económica e social nacional.
Filipe Durval Ribeiro, comandante de aviões, reformado, alertou que Lisboa é a segunda cidade da Europa com maior poluição, incluindo a sonora. O antigo comandante da TAP explicou que a opção Montijo é limitada no espaço e no tempo e tem um risco elevado de colisão com aves, o que é um risco para a aviação. “Alcochete já poderia estar concluído e poderia ser uma solução, mas apresenta elevados custos de infraestruturas.

Brazão, accionista principal da empresa Magellan 500, apresentou projecto para o aeroporto de Santarém perante autarcas e empresários

Magellan 500 transmite confiança e é uma mais-valia

Bruno Bobone defende que a sociedade civil tem obrigação de acompanhar o Estado, assim como condicioná-lo, convencê-lo e controlá-lo, o que não tem sido feito. “Somos preguiçosos e não queremos dar-nos ao trabalho de fazer a nossa parte de responsabilidade para garantir que o Estado vai fazer aquilo que é útil e melhor para o país”, criticou o presidente da mesa da assembleia-geral da CCIP, na sessão de encerramento de apresentação do projecto Magellan 500.
O dirigente afirma que Portugal está excessivamente concentrado em Lisboa e que não vivemos o país como um todo. Sobre o Magellan 500, Bruno Bobone considera que é um projecto que transmite confiança. “O problema é que a construção de um aeroporto não dá votos nas eleições, por isso não é uma grande ambição a decisão política, o que é uma pena”, referiu. Bruno Bobone sugeriu falar-se mais do projecto e do mérito de ser privado para dar confiança aos portugueses. “Um projecto privado lança um grande desafio na relação com o Estado. O Estado vai ter a tentação de interferir excessivamente no desenvolvimento do aeroporto. Há que ter a coragem de levar o projecto para a frente porque é uma grande mais-valia”, defendeu, acrescentando que há que trabalhar em conjunto, público e privado. “As parcerias público-privadas, quando bem utilizadas, são a melhor coisa do mundo. O Estado existe para servir os cidadãos e é isso que tem de ser feito. Comuniquem mais e melhor porque é muito importante e este é o momento certo”, concluiu em jeito de aviso.

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