O MIRANTE | 25-11-2022 12:00

Conflito com a tropa levou à descoberta da vinha e criou uma marca de prestígio

Conflito com a tropa levou à descoberta da vinha e criou uma marca de prestígio
GALARDÃO EMPRESA DO ANO
Nuno Falcão Rodrigues é o administrador do Casal da Coelheira

A marca Casal da Coelheira surge da aposta da família Falcão Rodrigues na agricultura

A marca Casal da Coelheira surge da aposta da família Falcão Rodrigues na agricultura e a entrada no mundo da viticultura deveu-se ao amor a uma parcela de vinha que estava na propriedade que a família tinha comprado depois de uma guerra com o Exército. Na altura os vinhos eram vendidos a granel e em garrafão, mas a empresa acompanhou a evolução do sector e com uma aposta na qualidade contribuiu para a mudança da imagem dos vinhos do Tejo.

Quando o Casal da Coelheira se dedicou à vitivinicultura os vinhos eram vendidos a granel e em garrafão. A empresa acompanhou a evolução do sector e contribuiu para a mudança valorizando as castas nacionais e fazendo vinhos de forma moderna mas respeitando as características tradicionais. Esta adega de excelência da região do Tejo só aposta em vinhos maduros e não pretende ir em modas de vinhos leves, por exemplo.
É muito provável que hoje não existissem vinhos Casal da Coelheira se a família Falcão Rodrigues não tivesse entrado em conflito com o Campo Militar de Santa Margarida, onde tinha uma propriedade que era frequentemente alvo de danos dos exercícios da unidade do Exército. Entre incêndios, danos nas culturas, pedidos de indemnizações, o caso acabou por resolver com o Estado a decidir comprar a propriedade onde a família se dedicava essencialmente à criação de gado e floresta.
Os pais de Nuno Falcão Rodrigues, o actual administrador do Casal da Coelheira, no Tramagal, podiam ter aproveitado o dinheiro para outras coisas, mas decidiram continuar a investir na agricultura. Na mesma altura em que vendem a propriedade ao Estado é colocado à venda o Casal da Coelheira, onde se produzia essencialmente milho, cultura de que a família não tinha conhecimento. Mas havia também uma pequena parcela de vinha que chamou a atenção, embora o amor à primeira vista tivesse ficado a amadurecer por três anos quando a família compra uma vinha num terreno confinante e em 1989 adquire a adega da família do metalúrgico Duarte Ferreira, no Tramagal.
Nuno Falcão Rodrigues começou a interessar-se pela viticultura e a brigar com uma casta predominante nos terrenos. A Bual dava muito vinho, mas não o vinho com a qualidade que pretendia. Depois de um trabalho de investigação em França sobre vinhas e vinhos o timoneiro da quinta introduz algumas castas francesas para dar o salto para a qualidade que perseguia e depois começou a substituí-las para valorizar as variedades portuguesas. Quando o Casal da Coelheira começou a dedicar-se à vitivinicultura as vinhas eram plantadas com castas misturadas, havia pouco conhecimento das potencialidades das castas portuguesas e os vinhos eram vendidos a granel e em garrafão.
A empresa acompanhou a evolução do sector, apostou na imagem e em vinhos modernos com técnicas de vanguarda. Mas a quinta sempre respeitou as características tradicionais, ao ponto de nunca ter embarcado na moda dos vinhos leves e centrando a sua aposta nos vinhos maduros. Em 1992 e 1993 foram considerados os melhores produtores de vinho branco a nível nacional, o que abriu portas para uma maior procura e a internacionalização começando a exportar para a Holanda. “Começou a falar-se no Casal da Coelheira e a terra também ganhou com isso porque se falava também no Tramagal, o que foi muito motivador para seguirmos a nossa estratégia”, recorda Nuno Falcão Rodrigues.
Nuno Falcão Rodrigues sabe a importância de vender vinho mas tem apostado numa estratégia de equilíbrio entre a qualidade e o preço apresentando produtos que sejam acessíveis à generalidade dos apreciadores. Mas o que gosta mesmo é fazer vinho e é nisso que investe toda a sua energia e tem sido isso que tem também mantido a marca no topo do prestígio e excelência. Acompanhando as tendências do mercado lançaram vinhos monovarietais tanto em brancos como em tintos e em 2020 apresentaram o monocasta Fernão Pires que obteve o prémio de melhor vinho branco nacional.

Uma gestão que não se rebaixa à grande distribuição e enfrenta o aumento de custos

A empresa Casal da Coelheira destaca-se também pela sua forma de estar no mundo empresarial, a começar pela política de preços e distribuição. Com uma filosofia arrojada e firme a quinta prefere colocar os seus vinhos no retalho em vez de na grande distribuição, para onde só vende cerca de 10% da produção destinada ao mercado nacional. Porque a administração da quinta não concorda com as estratégias dos hipermercados de imporem preços altos para fazerem promoções com elevada percentagem. A empresa tem também apostado na vindima manual como forma de valorizar as pessoas, mas também e apesar de ser mais dispendioso para obter vinhos com mais qualidade.
O Casal da Coelheira está presente actualmente em 22 países da Ásia, Europa e América, exportando cerca de 65% do total da sua produção, que é de cerca de 350 mil litros por ano. Tem em permanência oito colaboradores e sazonalmente chega a ter um grupo de três dezenas de trabalhadores.
Uma das situações que tem colocado desafios difíceis à empresa é o aumento do custo de produtos como as garrafas. Segundo o administrador do Casal da Coelheira, Nuno Falcão Rodrigues, as garrafas já subiram este ano por duas vezes cerca de 20%. Outro desafio é a reconversão de algumas parcelas da vinha que já têm 30 anos, idade a partir da qual as videiras começam a diminuir a capacidade de produção apesar de uma videira poder atingir os 50 anos. A vinha ocupa cerca de 50 hectares dos cerca de 300 hectares de terrenos da quinta.

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