O MIRANTE TV | 25-04-2024 14:42

Santarém está feliz a celebrar Abril

As celebrações do 25 de Abril em Santarém exaltaram valores como os da liberdade e da democracia mas chamaram também a atenção para o crescimento dos populismos e autoritarismos. Na série de discursos ficou uma ideia clara: é imperioso continuar a valorizar e consolidar o legado que os militares de Abril construíram há meio século.

“Hoje Santarém está feliz!” sublinhou o presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), durante a sessão solene comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril, onde destacou a forte adesão da população às actividades que têm sido desenvolvidas para evocar a efeméride. O autarca realçou o compromisso assumido em 2016 de, juntamente com a Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril e muitos outros parceiros, fazer de Santarém um dos principais palcos das comemorações da Revolução dos Cravos, considerando-o um “dever histórico” pela ligação que a cidade tem aos valores da liberdade e da democracia. Por isso agradeceu a todos os envolvidos.

No Jardim dos Cravos, junto à estátua evocativa do Capitão Salgueiro Maia, o autarca voltou a destacar a coragem e determinação dos militares que há meio século derrubaram a ditadura e a evocar o seu exemplo para evitar que sejam postas em causa conquistas alcançadas, como a liberdade e a democracia. “Que a memória de Salgueiro Maia nos inspire a continuar a lutar por um mundo mais justo, mais livre e mais democrático. Que o seu exemplo de determinação, desapego e coragem permaneça vivo em cada um de nós”, afirmou Ricardo Gonçalves, que finalizou a série de discursos.

Tópico comum a todos os discursos foi o das sombras que pairam sobre os regimes democráticos com o florescimento de populismos e autoritarismos. Joaquim Neto, presidente da Assembleia Municipal de Santarém, destacou a sociedade mais livre, mais justa e igualitária que nasceu da revolução e referiu que não são admissíveis retrocessos. “Graças ao 25 de Abril, desfrutamos de liberdades que antes eram impensáveis: liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de associação e, mais importante, liberdade de cada um ser o que quer ser”.

O autarca socialista diz ser “imperativo resistir a qualquer tentativa de minar os direitos das mulheres e das minorias, bem como os princípios democráticos que tanto lutamos para alcançar”. Exortou ainda as novas gerações a reconhecerem e valorizarem a transformação profunda que o 25 de Abril trouxe a um país que alimentava uma guerra nas colónias para onde eram mobilizados anualmente milhares de jovens, “permitindo-nos viver num Portugal onde a democracia é um direito garantido e onde o futuro é moldado pelas escolhas e aspirações de cada um”.

O coronel Correia Bernardo, em representação da Associação 25 de Abril, também se mostrou apreensivo quanto aos tempos que vivemos, considerando que os valores de Abril estão ameaçados, não só em Portugal como noutros pontos do mundo, e que há que continuar a lutar por uma sociedade mais justa e solidária. “É imperioso assumir com coragem e determinação a defesa da liberdade conquistada nessa madrugada”, vincou.

Madeira Lopes, presidente da Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril, realçou os avanços que se conseguiram com a Revolução dos Cravos e deixou críticas a episódios relacionados com os últimos governos, que ajudam a alimentar os populismos. João Andrade Silva, da Associação Salgueiro Maia, realçou que o Portugal de hoje comparado com o de há meio século “é uma maravilha, um sonho”, mas também advertiu que “não está tudo feito”. Deixou um apelo aos jovens para que valorizem o que foi alcançado e transformado com a revolução, terminando com um recado: “Se alguma coisa falhar não é por culpa dos militares de Abril”.

Catarina Maia, filha de Salgueiro Maia, leu uma carta dirigida ao pai, num testemunho emotivo e muito aplaudido.

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