Opinião | 27-07-2023 09:35

O que a região de Loures-Vila Franca de Xira merecia que lhe tivesse dado a conhecer quanto à solução aeroportuária HUB Alverca-Portela

É difícil de entender como benefícios tão amplos e relevantes para os concelhos de Loures e Vila Franca de Xira não foram até hoje dados a conhecer às respetivas populações. Ou objeto de debate para recolha de sugestões. Razões haverá, mas uma coisa é certa, não foi por falta de a equipa de desenvolvimento do projeto não ter tentado.

É objetivo deste artigo dar a conhecer à região de Loures-Vila Franca de Xira em particular, os benefícios menos conhecidos da solução em referência, cuja amplitude vai até ao nível do país por envolver o HUB aéreo e o HUB ferroviário, com os seus impactos mais visíveis na faixa ribeirinha de Lisboa a VFX, com epicentro em ALVERCA.

A solução HUB Alverca-Portela é global, integrando e harmonizando os desenvolvimentos aeroportuário, ferroviário, logístico com o urbano (reconversão & requalificação). Será uma revolução na mobilidade − ao nível do que de melhor se faz pelo mundo – , na competitividade e na qualidade de vida das populações.

O conceito-diretor: maximizar o aproveitamento do existente. O HUB Alverca-Portela será o primeiro «1 aeroporto-2 terminais». A fusão de dois aeroportos que passam a um só mediante interligação por comboio-automático dedicado (passageiros), o qual terá quatro “portas”: C. Grande-Portela-St. Iria-Alverca. Ao HUB aéreo em Alverca será acoplado o HUB ferroviário de interface dos comboios suburbanos (bitola ibérica) com os comboios de longa distância (bitola europeia), o qual integra uma ponte baixa com um tramo móvel para o atravessamento ferroviário do Tejo pela ligação AV Lisboa-Madrid.

A estação Alverca-aeroporto será o primeiro HUB ferroviário nacional: todas as ligações suburbanas, todas as regionais e todas as de longa distância pararão em Alverca. Será em Lisboa o equivalente à futura estação Chamartin em Madrid (que está a ser remodelada/ampliada), com a vantagem sobre esta última de, em Alverca, a estação estar encostada ao aeroporto.

A paragem intermédia em St. Iria é estratégica na estruturação funcional: A paragem do comboio-automático dará acesso direto aos dois núcleos aeroportuários. Será o parque-auto dissuasor / rent-a-car e centro de facilidades, podendo ainda incluir o apoio terrestre ao lago artificial mais à frente descrito.

Polinucleada reconversão-requalificação: abrange diretamente os núcleos da Portela-matriz aeroportuária, o de Póvoa de Santa Iria-centro de serviços e o de Alverca-estação de última geração.

Toda a área abrangida, de alguma forma, já é urbana e tem acesso AE sem portagem a Lisboa.

A intervenção aérea-ferroviária rentabiliza a janela de oportunidade da migração dos parques de contentores para o polo logístico Castanheira-Azambuja-Alenquer, zona que será servida pelo terminal fluvial de Castanheira, conectada ao porto marítimo por barcaças. Nada melhor que a agigantada reconversão que está a ser feita neste momento em Madrid envolvendo ferrovia e aeroporto, para ter uma melhor perceção do que estamos a apenas a esboçar. É ir à net e procurar por “Madrid Nuevo Norte”, cujo desenvolvimento assenta na estação de Chamartin e sua interligação ao aeroporto de Barajas, e procurar por Valdebebas, urbanização adjacente ao aeroporto de Barajas. A escala de Madrid é evidentemente maior, mas os conceitos-base são similares.

Upgrade de acesso ciclístico e pedonal à margem sul: Está previsto um passadiço lateral na ponte ferroviária móvel. Deste modo, o percurso dedicado desde VFX até Lisboa, doravante já com a nova ponte sobre o rio Trancão, poderá ter uma bifurcação para acesso de passeio à margem sul.

Contrapartida de lago artificial / pista de remo e canoagem: em Póvoa de Santa Iria, a jusante do local onde a A30 inflete para a A1, é possível (e fácil) implantar um lago artificial / pista de remo e canoagem de 2.200m X 125m (a cala tem de largura à volta de 250m) para uso de toda a AML. Suprime uma carência e potencia a reconversão do devoluto parque de contentores da Bobadela.

Estes são apenas os benefícios que serão mais percecionados pelo seu impacto visual e direto. Muitos mais haverá, muitos deles discretos, outros indiretos, no seu conjunto mais importantes por se refletirem em novos empregos e requalificação e/ou melhoria dos existentes.

É difícil de entender como benefícios tão amplos e relevantes para os concelhos de Loures e VFX não foram até hoje dados a conhecer às respetivas populações. Ou objeto de debate para recolha de sugestões. Razões haverá, mas uma coisa é certa, não foi por falta de a equipa de desenvolvimento do projeto não ter tentado.

*José Furtado é Engenheiro, faz parte da equipa que propõe como solução para o futuro Aeroporto Internacional de Lisboa a solução Alverca.

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