Opinião | 08-08-2023 19:50

Aeroporto em Alverca: a bondade do propósito de informar

Onde não existem condições para se ter o aeroporto de Lisboa, a região quer. Onde, em resultado de sete anos de pesquisa e desenvolvimento, se descobriram as condições mais favoráveis para um aumento de capacidade aeroportuária, há vozes (mal informadas e poucas, ao que parece) que repudiam. No mínimo é estranho.

O sucesso do turismo, dos grandes eventos mediáticos e da atratividade empresarial é a prova por esse mundo fora de que a proximidade do aeroporto é importante. Não é indiferente ter um aeroporto a quinze, cinquenta ou noventa quilómetros. Bem pelo contrário.

A preocupação dos artigos publicados pelos autores do HUB Alverca-Portela tem sido só uma, o cabal esclarecimento da solução pela sua novidade mundial «1 aeroporto-2 terminais» e, também, pela singularidade de ter “porta” em três concelhos. A principal, a “porta” Portela, é há muito tempo vivenciada, o que levou a equipa a concentrar a clarificação dos benefícios nas novas “portas” em Loures (em Stª Iria) e em Vila Franca de Xira (em Alverca).

O desígnio-motor é dar a conhecer, de forma clara, simples e livre de amarras políticas e corporativas, o potencial que a solução representa para a região. E para o país. Polémica construtiva é polémica informada. E concreta, com métricas.

Apesar da bondade do propósito de informar, verificamos pelas notícias recentes que ainda existe um desconhecimento total (ou quase) dos marcos básicos da solução, mesmo de entidades em que tal não seria de esperar, pela intervenção direta. É esta a razão de neste artigo fazermos uma pausa de reflexão, para, depois, com acrescida transparência, prosseguir a série de artigos clarificadores da matriz técnica / socioeconómica da solução.

Assim, antes do mais, deve ser dito que o HUB Alverca-Portela começou a ser desenvolvida no ano 2016 e que a sua estruturação concetual foi apresentada à Câmara de VFX em fevereiro de 2017. Ora, a Comissão Técnica Independente (CTI) só foi formada no início do ano corrente.

Não havendo a CTI, é caso para se perguntar em quem antes a câmara confiava quando se decidiu o aeroporto de raiz na Ota. E em quem confiava quando em 2007 se decidiu que um mega aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete mais uma mega ponte rodoferroviária Chelas-Barreiro era melhor que um comedido aeroporto na Ota? E em quem confiava quando Portugal ia a caminho da bancarrota e foi preciso privatizar a ANA? E em quem confiava quando se desistiu da caríssima solução de raiz, optando-se então por uma solução dual com Portela?

É, também, a pausa de reflexão apropriada para perguntar em quem a câmara confiou nos últimos cinco anos antes de ter surgido a CTI. Será que foi na solução VINCI defendida pelo governo? Será que foi nas entidades públicas ambientais que certificaram a solução HUB Portela + Montijo? Será que foi na empresa pública responsável pelas trajetórias da nova pista no Montijo no EIA aprovado?

Agora, é público, passou-se uma esponja sobre o passado. Doravante, a câmara VFX confia cegamente na CTI e é com um aeroporto de raiz que se sente confortável, seja ele em Santarém (Casével), ou até em Benavente. Só a localização Alverca não é válida nem positiva para VFX.

Para se avaliar a razoabilidade da posição da atual direção camarária (é preciso separar a entidade das diretorias do momento), apreciemos em concreto, com métricas. Para melhor clareza, cingimos a análise só a Alverca.

1 – Situação atual: A distância total de Alverca ao aeroporto na Portela é de 18km (15 em linha férrea quadruplicada + 3 em metro). Para cobrir a distância até à G. Oriente, a população dispõe dos serviços de suburbanos de elevada cadência Sintra-Alverca / Stª Apolónia-Azambuja /Alcântara-Castanheira e, ainda, de alguns comboios regionais de baixa frequência. Uma excelente e barata acessibilidade por ferrovia e também por rodovia (sem portagem).

2 – Situação com CT Alcochete (em ramal ferroviário): a distância total de Alverca até ao aeroporto será de 70km (15 até G. Oriente + 55 por shuttle até ao aeroporto). O percurso é mais de três vezes o atual e o shuttle do aeroporto terá um custo suplementar na ordem de 15-20€ (transporte aeroporto não é subsidiado). Por rodovia, além da bem superior distância, paga-se três portagens.

3 – Situação com Santarém-Casével (em ramal ferroviário): não há serviço de suburbanos. O shuttle do aeroporto usará a congestionada via férrea até Santarém e depois segue por um novo ramal (20-22km) até ao aeroporto na zona de Casével . O shuttle será direto até Santarém, onde recolhe o tráfego da rede, e depois segue para o aeroporto. O que significa que a população de Alverca terá de vir à G. Oriente (15km) para apanhar o shuttle para o aeroporto (90km). A distância total será de 105km, o tempo será superior ao de CT Alcochete e o custo suplementar também será maior (20-25€). Por rodovia, além de cerca de cinco vezes a distância, existe dispendiosa portagem.

Em contraste, pela positiva, com o HUB Alverca-Portela, a população de Alverca beneficiará de passar a ser o coração de um competitivo conjunto HUB aéreo / HUB ferroviário e sem portagem para Lisboa. Um HUB em sintonia com o século XXI e com a pista europeia mais eficiente.

Será que colocaram nestes termos as diferentes soluções aos alverquenses? Será que fizeram um inquérito aos empresários? Será que existe um estudo secreto que assegura, sem sombra para dúvidas, a posição que a localização Portela não é positiva para VFX, nem para o cluster aeronáutico nacional?

Com o HUB Alverca-Portela em nenhum local da Área Metropolitana de Lisboa ou do país se gasta mais tempo ou mais dinheiro para chegar ao aeroporto do que hoje. Todos beneficiarão, uns mais (Alverca será o máximo), outros menos, mas todos os portugueses beneficiarão. Sem exceção.

Vá-se lá entender. Onde não existem condições para se ter o aeroporto de Lisboa, a região quer. Onde, em resultado de sete anos de pesquisa e desenvolvimento, se descobriram as condições mais favoráveis para um aumento de capacidade aeroportuária, há vozes (mal informadas e poucas, ao que parece) que repudiam. No mínimo é estranho.

No desenvolvimento da solução, olhámos para o futuro da aviação, para o ambiente, para os anseios das pessoas, para as necessidades das empresas e para as motivações dos turistas. E, principalmente, para o interesse público, de todos sem exceção. Sabemos, o sucesso de outros o comprova, que não é indiferente um aeroporto a quinze quilómetro ou a noventa quilómetros. É tão importante que até se constroem ilhas artificiais em mar aberto para o aeroporto estar mais perto. Outros, bem-aventurados, têm ilha protegida e próxima da cidade, mas preferem que o aeroporto seja longe, muito longe. Ou até noutra margem do rio. ”Dá Deus nozes a quem não tem dentes” diz a sabedoria popular.

*José Furtado é Engenheiro, faz parte da equipa que propõe como solução para o futuro Aeroporto Internacional de Lisboa a solução Alverca.

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