Opinião | 29-08-2023 10:00

Aeroporto: melhorar ou encolher os ombros; eis a questão para Vila Franca de Xira

Melhorar/revigorar/amplificar ou encolher os ombros: Eis a questão (que se coloca à região de Vila Franca de Xira). Uma região tem de ter uma Visão para o seu futuro que, no tempo, se irá ajustando à evolução da envolvente. Em 2006, a região de Vila Franca de Xira tinha uma Visão. O HUB Alverca-Portela quer ser a sua atualização.

Enquadramento no tempo: em 2006, o aeroporto na Ota, base aérea a norte (13km) da cidade de Vila Franca de Xira (VFX), estava decidido, mas era controverso. A área aeroportuária rondava 1.100ha (similar a Barcelona-El Prat) e a pista existente não era aproveitada, as duas novas pistas (3.600m) rodavam em relação a ela.

Visão VFX-2006: As forças da região, em bloco, viam uma solução dual “Portela + Alverca” como melhor solução para o país que o grande aeroporto da Ota.

O jornal O MIRANTE (maio 2006) reportava a ampla adesão da população à formada Comissão Pró-Aeroporto em ALVERCA e destacava o apoio da presidente da Câmara Municipal e da Junta Metropolitana de Lisboa (Maria da Luz Rosinha) e dos eleitos de todos os partidos, à aviação comercial na base. O único cuidado digno de reparo era que a OGMA não deveria sair de Alverca.

Na época, os ambientalistas preferiam a solução dual com Alverca: para a Quercus, a Ota era um elefante branco e, citamos, “há outras soluções mais baratas e com melhor operacionalidade, ainda que mais pequenas”. E, distinguiam, “tal como a já existente pista de Alverca”.

E, também, os especialistas em transportes preferiam Alverca: no mesmo artigo de maio, O MIRANTE dava nota que o especialista professor José Manuel Viegas, era da opinião que ALVERCA era uma excelente solução como segundo aeroporto, citamos, “a pista é grande, reúne condições técnicas, tem bons acessos ferroviários e rodoviários e está a 15 minutos de Lisboa”. Outra vantagem apontada, citamos, “não implicava um investimento megalómano como o da Ota porque todos os terrenos à volta são do Estado”.

O que interrompeu a Visão VFX-2006: no ano seguinte, a solução dual com Alverca foi descartada pelas empresas públicas ANA (gestão dos aeroportos) e NAV (Navegação Aérea) por a direção da pista existente (04-22) conflituar com a da pista da Portela (03-21), a razão, com força, para a exclusão (Assembleia da República em 11/6/2007 – Por que não Portela + Alverca).

A NOVA REALIDADE-2023: A radical mudança no status quo aeroportuário

Em 2008 ocorreu a crise financeira e depois é a história que todos conhecem. Até que, em 2016, a empresa ANA – então já no universo VINCI – apresentou a solução dual “Portela + Montijo”, antes por ela chumbada quando era empresa pública. E a NAV aprovou a solução que antes tinha chumbado. O tabu de uma solução dual para Lisboa estava quebrado.

A inovação HUB Alverca-Portela, apresentada logo a seguir (2017), veio colocar em evidência o “ilógico” da posição ANA e NAV sobre Alverca em 2007: a inovação mostrou que, na época, teria sido suficiente rodar a sua pista – apenas dez graus para ficar paralela à pista da Portela – para deixar de haver conflito. Atente-se que o procedimento seria então igual ao da Ota, onde as novas pistas rodavam em relação à existente pista militar. Nas duas bases aéreas as pistas rodavam; contudo, na Ota era para ter um só grande aeroporto (o sonho da ANA e NAV), enquanto em Alverca a pista rodava para ter um conjunto dual (então mal-amado pelas duas entidades).

A inovação HUB Alverca-Portela mostrou o equívoco da NAV ao colocar a nova pista de Alverca no meio do rio: a NAV pressupôs que, para as pistas da Portela e Alverca serem “independentes”, o afastamento transversal mínimo teria de ser 5,5km (diagrama exposto em programa televisivo), quando, de facto, ele é muito inferior com a metodologia (usual) de separação de altitudes (300m) na aproximação de duas aeronaves ao aeroporto. Esta questão está esclarecida e ultrapassada.

A nova pista de Alverca, totalmente sobre o mouchão da Póvoa, tem um posicionamento que otimiza o seu comportamento funcional. As trajetórias são sobre água dos dois lados e o afastamento transversal em relação à população é o máximo possível (está no limite do mouchão).

Chegados aqui, é recolocada na ordem do dia a interrompida Visão VFX-2006, recordemos: solução dual Portela + Alverca, como a melhor para a região e o país, mantendo a OGMA em Alverca. Nessa altura, a alternativa (Ota) distava 40km de Lisboa e 13km da cidade de V.F. Xira.

Em 2007, a solução dual foi banida por o alinhamento da pista existente em Alverca não ser adequado. Esquecendo que a pista é apenas um instrumento, não a Visão. Assim, não procurando outro instrumento. O que se confirma com a nova pista Alverca 03-21, que a viabiliza inequivocamente, com métricas.

Pista de 4.000m x 60m, cujas trajetórias sobrevoam plano de água e só têm edificado (distante) de um lado. A norte, o edificado é industrial (complexo Sobralinho-Cimpor) e, a sul, a população está a mais do dobro da distância em relação à pista atual. Será a mais eficiente pista europeia.

Em 2006, a Visão-VFX defendia a solução dual contra a Ota a 13km de Vila Franca de Xira. Agora defenderá contra CT Alcochete (que a Comissão Técnica “Independente” coloca em primeiro lugar), que fica a mais de 75km.

Em 2006, a Visão-VFX sabia que a solução dual era mais económica que o aeroporto na Ota. Era clara a redução do custo, mas não se sabia quanto. Agora sabe, a diferença em relação a CT Alcochete é, em números redondos, 10 mil milhões de euros.

Uma abordagem holística melhorada que terá o reforçado apoio dos ambientalistas e dos especialistas de transportes, que no passado a entendiam como a mais apropriada. E, por fim, mas não por último, uma abordagem amplificada: a OGMA não sai; pelo contrário, a sua atividade irá crescer; e o aeroporto comercial não será low cost de baixa receita e fraco impacto económico direto (logística e afins), será antes um aeroporto full service de última geração.

A região tem agora um cabal conhecimento da história. Pode escolher entre uma revigorada Visão VFX-2006 ou encolher os ombros. Pode recuperar o tempo perdido e enriquecer a região, e o país, ou abster-se.

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