Ausência de António Inácio inflama assembleia de freguesia sobre estacionamento pago na Póvoa de Santa Iria
Dezenas de moradores da Póvoa de Santa Iria manifestaram-se contra a intenção da Câmara de Vila Franca de Xira de implementar estacionamento pago na cidade da Póvoa de Santa Iria. A ausência do presidente da junta, António Inácio, que se encontra de férias, gerou críticas e pedidos de demissão. A maioria das intervenções foi de rejeição à medida e de exigência de uma posição clara do executivo.
Dezenas de moradores da Póvoa de Santa Iria estão contra o estacionamento pago na cidade e mostraram a sua revolta na assembleia de freguesia extraordinária convocada para discutir este tema. Tendo em conta a importância do assunto e o impacto que terá na carteira dos moradores, caiu mal a ausência do presidente da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, António Inácio, eleito pela coligação PSD/IL, por se encontrar de férias no estrangeiro. Quem assumiu a presidência foi a vogal do executivo, Rosa Barral, braço-direito do presidente, que leu um comunicado do próprio edil a dar conta, mais uma vez, de que não será tomada posição a favor ou contra as tarifas de estacionamento, uma vez que o assunto ainda está em consulta pública até 16 de Julho.
Vários moradores manifestaram o seu desagrado e levantaram questões ao executivo numa reunião que decorreu no auditório da Escola D. Martinho Vaz de Castelo Branco, na Póvoa de Santa Iria. Foi o caso de Eduardo Silveira, que perguntou afinal qual é o objectivo da instalação dos parquímetros.
O eleito pelo Chega na Assembleia de Freguesia de Vialonga, Fernando Fernandes, morador no Forte da Casa e amigo de António Inácio, como fez questão de frisar, criticou a ausência do autarca, dizendo mesmo que lhe faltou coragem para estar presente e enfrentar a população, além de não assumir uma posição clara sobre se é ou não a favor da intenção da Câmara de Vila Franca de Xira em taxar o estacionamento.
A associação cívica Os Amigos do Forte também marcou a sua posição. Eduardo Vicente recordou que, ao longo dos anos, não foi acautelada a previsão do aumento do número de viaturas e que não faz sentido avançar para o estacionamento pago sem resolver problemas como criar mais bolsas de estacionamento, analisar se os transportes públicos estão ou não a responder às necessidades actuais e a concessão a privados das tarifas, sendo que quem faz o investimento inicial é a própria câmara.
António Infante, também da associação cívica, classificou o documento que está em discussão pública como “não sendo um verdadeiro plano de mobilidade, mas de zonamento e taxação de espaço público para estacionamento automóvel”, sublinhando “que a construção de casas e mais casas é um dos principais factores para não se resolver o problema do estacionamento”.
Pedidos de demissão marcaram final da reunião
A assembleia contou com várias intervenções do público desfavoráveis ao estacionamento pago. Alguns moradores abandonaram a sessão descontentes com a não tomada de posição de António Inácio sobre se o assunto e pediram a sua demissão.
No que diz respeito às posições das bancadas da assembleia, Marco Santos, da CDU, disse estar contra a transformação do estacionamento num negócio e João Bernardo, do Livre, perguntou se a alternativa aos problemas é apenas instalar parquímetros, não considerando, por exemplo, transportes públicos adequados às necessidades.
Bruno Marquitos, da coligação Nova Geração (PSD/IL), recordou que o programa eleitoral da coligação referia estacionamento regulado, o que é diferente do pagamento, mas não excluiu essa hipótese, até porque votaram a favor da medida. Já o PS, através de Luís Prazeres, disse tomar boa nota das queixas dos moradores, comprometendo-se a fazê-las chegar à câmara e apelando aos residentes que submetam as dúvidas e opiniões oficialmente na consulta pública.
A bancada do Chega foi a mais assertiva. O eleito Francisco Fonseca disse que o partido é contra o estacionamento pago e instou várias vezes o executivo a tomar uma posição de sim ou não, a favor ou contra, o que nunca chegou a acontecer. No entanto, após as suas intervenções, os eleitos do Chega no executivo de António Inácio, Alexandre Reis e Júlio Runa, disseram também estar contra. Francisco Fonseca desafiou o executivo a realizar um referendo para ouvir a população, mas o assunto não teve seguimento.
Eleitos do Chega renunciam ao executivo da Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa
Os três eleitos do Chega no executivo da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa apresentaram a renúncia aos cargos, alegando falta de condições para continuar a integrar um executivo que, dizem, falhou na defesa da população e na oposição ao estacionamento pago.
Os três eleitos do Chega no executivo da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa apresentaram a renúncia às funções, anunciou o partido em comunicado divulgado no dia 10 de Julho. A decisão surge na sequência da polémica em torno do projecto de estacionamento pago e da instalação de parquímetros na freguesia, medida que o partido considera “uma linha vermelha inaceitável e intransponível”.
No comunicado, os eleitos Júlio Runa, Alexandra Rodrigues e Guilherme Medeiros justificam a saída com a alegada falta de condições para continuar a participar num executivo que, afirmam, “virou as costas à população” e se recusa a cumprir compromissos assumidos.
O Chega refere que, na reunião do executivo realizada a 8 de Julho, foi aprovada por maioria uma posição pública contra o estacionamento pago, com os votos favoráveis dos três eleitos do partido e de dois membros da coligação Nova Geração (PSD/CDS-PP/IL). Segundo o Chega, a presidente em substituição, Rosa Barral, votou contra a proposta e o presidente da junta, António Inácio, faltou à reunião, tal como faltou à assembleia de freguesia, conforme noticiou O MIRANTE.
Os eleitos acusam posteriormente António Inácio e Rosa Barral de não terem dado cumprimento à deliberação aprovada pela maioria do executivo, recusando assumir publicamente uma posição contra o projecto de estacionamento pago proposto pela Câmara de Vila Franca de Xira.
Além desta questão, o Chega aponta um conjunto de falhas no cumprimento do acordo político celebrado com o PSD após as últimas eleições autárquicas. Entre as críticas constam a não concretização de uma auditoria externa às contas da junta, alegadas deficiências na limpeza urbana, manutenção dos espaços verdes e do espaço público, falta de transparência na gestão e a ausência de uma posição firme da autarquia perante problemas na área da saúde, nomeadamente o encerramento da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Póvoa de Santa Iria.
Apesar da renúncia aos lugares no executivo, os eleitos do Chega garantem que continuarão a exercer funções na assembleia de freguesia, onde prometem manter a fiscalização da actividade da junta e a defesa dos interesses da população da Póvoa de Santa Iria e do Forte da Casa.
PS e Nova Geração viabilizaram discussão pública do regulamento
A submissão do regulamento a discussão pública foi aprovada em reunião do executivo da Câmara de Vila Franca de Xira, com os votos favoráveis do PS e da coligação Nova Geração (PSD/IL) e os votos contra da CDU e do Chega, que consideram a medida lesiva para a carteira dos automobilistas.


