Política | 16-07-2026 21:00

Ausência de António Inácio inflama assembleia de freguesia sobre estacionamento pago na Póvoa de Santa Iria

Ausência de António Inácio inflama assembleia de freguesia sobre estacionamento pago na Póvoa de Santa Iria
Fregueses foram à última sessão da assembleia de freguesia manifestar-se contra a intenção do município de taxar o estacionamento - foto O MIRANTE

Dezenas de moradores da Póvoa de Santa Iria manifestaram-se contra a intenção da Câmara de Vila Franca de Xira de implementar estacionamento pago na cidade da Póvoa de Santa Iria. A ausência do presidente da junta, António Inácio, que se encontra de férias, gerou críticas e pedidos de demissão. A maioria das intervenções foi de rejeição à medida e de exigência de uma posição clara do executivo.

Dezenas de moradores da Póvoa de Santa Iria estão contra o estacionamento pago na cidade e mostraram a sua revolta na assembleia de freguesia extraordinária convocada para discutir este tema. Tendo em conta a importância do assunto e o impacto que terá na carteira dos moradores, caiu mal a ausência do presidente da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, António Inácio, eleito pela coligação PSD/IL, por se encontrar de férias no estrangeiro. Quem assumiu a presidência foi a vogal do executivo, Rosa Barral, braço-direito do presidente, que leu um comunicado do próprio edil a dar conta, mais uma vez, de que não será tomada posição a favor ou contra as tarifas de estacionamento, uma vez que o assunto ainda está em consulta pública até 16 de Julho.
Vários moradores manifestaram o seu desagrado e levantaram questões ao executivo numa reunião que decorreu no auditório da Escola D. Martinho Vaz de Castelo Branco, na Póvoa de Santa Iria. Foi o caso de Eduardo Silveira, que perguntou afinal qual é o objectivo da instalação dos parquímetros.
O eleito pelo Chega na Assembleia de Freguesia de Vialonga, Fernando Fernandes, morador no Forte da Casa e amigo de António Inácio, como fez questão de frisar, criticou a ausência do autarca, dizendo mesmo que lhe faltou coragem para estar presente e enfrentar a população, além de não assumir uma posição clara sobre se é ou não a favor da intenção da Câmara de Vila Franca de Xira em taxar o estacionamento.
A associação cívica Os Amigos do Forte também marcou a sua posição. Eduardo Vicente recordou que, ao longo dos anos, não foi acautelada a previsão do aumento do número de viaturas e que não faz sentido avançar para o estacionamento pago sem resolver problemas como criar mais bolsas de estacionamento, analisar se os transportes públicos estão ou não a responder às necessidades actuais e a concessão a privados das tarifas, sendo que quem faz o investimento inicial é a própria câmara.
António Infante, também da associação cívica, classificou o documento que está em discussão pública como “não sendo um verdadeiro plano de mobilidade, mas de zonamento e taxação de espaço público para estacionamento automóvel”, sublinhando “que a construção de casas e mais casas é um dos principais factores para não se resolver o problema do estacionamento”.

Pedidos de demissão marcaram final da reunião
A assembleia contou com várias intervenções do público desfavoráveis ao estacionamento pago. Alguns moradores abandonaram a sessão descontentes com a não tomada de posição de António Inácio sobre se o assunto e pediram a sua demissão.
No que diz respeito às posições das bancadas da assembleia, Marco Santos, da CDU, disse estar contra a transformação do estacionamento num negócio e João Bernardo, do Livre, perguntou se a alternativa aos problemas é apenas instalar parquímetros, não considerando, por exemplo, transportes públicos adequados às necessidades.
Bruno Marquitos, da coligação Nova Geração (PSD/IL), recordou que o programa eleitoral da coligação referia estacionamento regulado, o que é diferente do pagamento, mas não excluiu essa hipótese, até porque votaram a favor da medida. Já o PS, através de Luís Prazeres, disse tomar boa nota das queixas dos moradores, comprometendo-se a fazê-las chegar à câmara e apelando aos residentes que submetam as dúvidas e opiniões oficialmente na consulta pública.
A bancada do Chega foi a mais assertiva. O eleito Francisco Fonseca disse que o partido é contra o estacionamento pago e instou várias vezes o executivo a tomar uma posição de sim ou não, a favor ou contra, o que nunca chegou a acontecer. No entanto, após as suas intervenções, os eleitos do Chega no executivo de António Inácio, Alexandre Reis e Júlio Runa, disseram também estar contra. Francisco Fonseca desafiou o executivo a realizar um referendo para ouvir a população, mas o assunto não teve seguimento.

Eleitos do Chega renunciam ao executivo da Junta da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa

Os três eleitos do Chega no executivo da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa apresentaram a renúncia aos cargos, alegando falta de condições para continuar a integrar um executivo que, dizem, falhou na defesa da população e na oposição ao estacionamento pago.

Os três eleitos do Chega no executivo da União de Freguesias da Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa apresentaram a renúncia às funções, anunciou o partido em comunicado divulgado no dia 10 de Julho. A decisão surge na sequência da polémica em torno do projecto de estacionamento pago e da instalação de parquímetros na freguesia, medida que o partido considera “uma linha vermelha inaceitável e intransponível”.
No comunicado, os eleitos Júlio Runa, Alexandra Rodrigues e Guilherme Medeiros justificam a saída com a alegada falta de condições para continuar a participar num executivo que, afirmam, “virou as costas à população” e se recusa a cumprir compromissos assumidos.
O Chega refere que, na reunião do executivo realizada a 8 de Julho, foi aprovada por maioria uma posição pública contra o estacionamento pago, com os votos favoráveis dos três eleitos do partido e de dois membros da coligação Nova Geração (PSD/CDS-PP/IL). Segundo o Chega, a presidente em substituição, Rosa Barral, votou contra a proposta e o presidente da junta, António Inácio, faltou à reunião, tal como faltou à assembleia de freguesia, conforme noticiou O MIRANTE.
Os eleitos acusam posteriormente António Inácio e Rosa Barral de não terem dado cumprimento à deliberação aprovada pela maioria do executivo, recusando assumir publicamente uma posição contra o projecto de estacionamento pago proposto pela Câmara de Vila Franca de Xira.
Além desta questão, o Chega aponta um conjunto de falhas no cumprimento do acordo político celebrado com o PSD após as últimas eleições autárquicas. Entre as críticas constam a não concretização de uma auditoria externa às contas da junta, alegadas deficiências na limpeza urbana, manutenção dos espaços verdes e do espaço público, falta de transparência na gestão e a ausência de uma posição firme da autarquia perante problemas na área da saúde, nomeadamente o encerramento da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados da Póvoa de Santa Iria.
Apesar da renúncia aos lugares no executivo, os eleitos do Chega garantem que continuarão a exercer funções na assembleia de freguesia, onde prometem manter a fiscalização da actividade da junta e a defesa dos interesses da população da Póvoa de Santa Iria e do Forte da Casa.

PS e Nova Geração viabilizaram discussão pública do regulamento

A submissão do regulamento a discussão pública foi aprovada em reunião do executivo da Câmara de Vila Franca de Xira, com os votos favoráveis do PS e da coligação Nova Geração (PSD/IL) e os votos contra da CDU e do Chega, que consideram a medida lesiva para a carteira dos automobilistas.

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