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Sensações de corrida

TODO-O-TERRENO: O MIRANTE a todo o gás com Frederico Roque

Frederico Roque e a Renault Scenic Proto foram os protagonistas de uma jornada de confraternização de final de época de Todo-o-Terreno, juntando no Terródromo de Arraiolos patrocinadores e amigos que ao longo da época apoiaram o piloto de Santarém, e em que O MIRANTE teve oportunidade de participar. Emoções fortes vividas no passado sábado que demonstraram que para ser piloto de competição é preciso talento e trabalho, mas também uma boa dose de “loucura”.

Edição de 04.12.2002 | Desporto
Quem vê as corridas do campeonato nacional de Todo-o-Terreno na televisão ou mesmo ao vivo, está longe de imaginar as emoções que se sentem quando se está no lugar do navegador. Os carros parecem lentos na televisão, mas dentro do habitáculo a sensação é bem diferente e poucos terão “coração” para mandar acelerar ainda mais.Para confraternizar com patrocinadores e amigos que apoiaram ao longo da época de todo-o-terreno, Frederico Roque fez uma série de convites e os mais “afoitos” tiveram mesmo a possibilidade de sentir a emoção de andar a alta velocidade por um percurso em que as nossas estradas esburacadas até parecem novinhas em folha.O Terródromo de Arraiolos tem cerca de seis quilómetros de extensão e prolonga-se num amplo espaço aberto num percurso inclinado, marcado por curvas bastante fechadas e algumas rectas que, feitas a descer, a fundo, impõem bastante respeito.A Renault Scenic Proto de Frederico Roque, um carro que “tem o preço de um Porsche”, como comparou o piloto, dispõe de um motor Turbo Diesel de 2800 centímetros cúbicos de cilindrada, com um pouco mais de 200 cavalos de potência.Quando se entra no interior vêem-se inúmeros botões com funções diversas, um volante próprio de competição e contra-rotações, uma alavanca da caixa de velocidades com seis relações, além de barras protectores da estrutura interior. O restante espaço do carro à frente e atrás é motor.Prontos para arrancar, Frederico Roque explica que para pôr o carro em marcha tem que se engrenar a primeira velocidade, carregando no pedal da embraiagem enquanto nos restantes andamentos o pé esquerdo já vai a descansar.A partida é forte e o barulho do motor não o é menos, à medida que se vai sentindo o estalido da mudança de velocidades. Chegam as curvas apertadas e parece que vamos tombar mas é só impressão do co-piloto, porque os baquets dos bancos e o poderoso cinto de segurança não nos deixam mover. Quanto ao carro, as suspensões e travões, além da condução experimentada de Frederico Roque ,fizeram o resto.O “susto” seguinte surgiu depois de uma recta com descida prolongada em sexta velocidade sobre terra, buracos e piso escorregadio, ainda para mais com uma curva de 180 graus no final. Mas é impressionante o poder de travagem da Renault Scenic Proto. A partir dos primeiros 600 metros de traçado, a habituação chegou finalmente e o percurso restante foi divertimento até à meta e até se queria mais do que aqueles cerca de dez minutos.Depois de guiar cerca de 30 pessoas, Frederico Roque teve o merecido descanso, pelo que houve uma refeição para todos. Quem experimenta pela primeira vez tem uma boa impressão desta aventura com a possibilidade de viver uma realidade de corrida que ainda terá ficado bem aquém do andamento que se impõe numa corrida verdadeira. Balanço da época e novas perspectivasFazendo um balanço da época desportiva que acabou em Fronteira, Frederico Roque acabou por considerá-la positiva. “Das cinco corridas que acabámos obtivemos quatro nonos lugares e um décimo enquanto as cinco desistências se deveram a pequenos problemas que nada tiveram a ver com a fiabilidade do carro”, explicou, acrescentando que em termos de motor, transmissões, diferenciais e caixas de velocidades, o carro se encontra cem por cento fiável.Para a próxima temporada Frederico Roque não vai ficar parado, dependendo dos apoios e patrocinadores a conseguir, o seu destino. Segundo explicou “uma das hipóteses é fazer o campeonato nacional de Todo-o-Terreno, que possivelmente para o ano só terá oito provas, o que será melhor em termos de orçamentos. A outra hipótese é fazermos o campeonato do Clube Aventura, composto pelas três provas de resistência juntamente com a Baja Portalegre e a Baja 1000”, referiu.Dada a anunciada desistência da Mitsubishi e da Toyota e a falta de orçamentos de algumas equipas privadas, Frederico Roque pensa que caso consiga reunir condições semelhantes às da época transacta poderá “andar muitas vezes entre os cinco primeiros e lutar sempre por ser o primeiro piloto em viatura diesel”.É no sentido de ser mais competitivo que a Renault Scenic Proto irá ser totalmente desmontada, peça a peça em França. De acordo com o piloto escalabitano o carro está a 90 por cento das suas capacidades, assegurando que pode evoluir nalguns aspectos, como nas suspensões, alterando a relação da caixa, modificando todo o sistema de travagem e tentando fazer evoluir mais um pouco o motor em termos de potência.

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