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Um pequeno jardim zoológico em Santarém

Aves e animais de companhia em exposição no CNEMA

Águias, araras, abutres e flamingos foram algumas das aves que no último fim de semana criaram um clima de exotismo no Centro Nacional de Exposições, em Santarém. Para os mais pequenos visitar a Avisan foi quase passear pelo jardim zoológico. Mas houve também quem procurasse no certame um animal de companhia para levar para casa.

Edição de 04.12.2002 | Economia
Cinco araras e uma catatua, pousadas sobre um poleiro, aguardam tranquilamente a hora do espectáculo em frente ao grande auditório do Centro Nacional de Exposições, em Santarém. É um dos momentos de animação da Avisan, a exposição nacional de aves e animais de companhia, na sexta-feira à tarde.Em palco as aves coloridas tornam-se verdadeiros artistas de variedades – fazem contas, jogam basquete, andam de skate e representam a quadriga romana, explica Mónica Rosa, 25 anos, animadora de araras do parque aquático de Quarteira “AquaShow”.Dentro do grande auditório o espectáculo continua. As estrelas são as aves de rapina. O animador dá indicações a um bufo, mas o animal assustado ao fundo da sala não solta as garras das costas de uma cadeira.Mais à frente, no pavilhão que se assemelha a um pequeno jardim zoológico coberto, o chilrear das aves cruza-se com os sons emitidos pelos mais exóticos animais de companhia. É uma autêntica festa de bicharada que se espalha por dezenas de expositores.Em alguns espaços recria-se o habitat natural de algumas espécies. Os flamingos ocupam um espaço nobre da exposição. Uma pirâmide ladeada por um regato, onde passeiam alguns patos, evidencia a elegância da ave pernalta de grande porte. Os animais de companhia, como os cães, também cativam os visitantes. Um dos quatro dóceis rotweilers acomodados numa caixa de madeira aguça os dentes num dos cantos do caixote.Os expositores de aves de pequeno porte, distribuídas por pequenas gaiolas, são os mais numerosos. Vêem-se compradores afastarem-se do balcão com pequenos embrulhos de cartão onde transportam os pássaros. Aqui e ali há quem se debruce sobre os caixotes para observar pequenos roedores deitados, como os hamsters, ou bichos mais extravagantes como o cão da pradaria ou o porco do Vietname.Ao centro do pavilhão expõem-se as aves de rapina – o abutre zopilote, a águia das estepes, o falcão gerifalte, o bufo real... Para os mais novos a visita à exposição é quase um passeio pelo zoo. Foi isso que levou Judite Sauer, 39 anos, a trazer os três filhos à Avisan. As crianças de três, cinco e nove anos faltaram às aulas para ver a exposição numa tarde mais calma.A família de Cascais veio só para ver, mas os três jovens insistem em não regressar sozinhos. Gostaram dos póneis, mas não irão comprar nada. “Um porquinho da Índia, talvez...”, confidencia a mãe olhando os três jovens.Os pais de José Eduardo, dois anos e meio, também visitaram o certame para conhecer novos animais. O que mais chamou a atenção do jovem foi uma “lagartixa”. “Não nos passa pela cabeça a quantidade de bichos de estimação que existem”, constata o pai, Paulo Jorge, 33 anos. Há quem venha de longe, de perto da Serra da Estrela, para comprar animais de companhia, como Estevão Albuquerque, 61 anos, que há pouco tempo se começou a dedicar à criação de pássaros. Na Avisan comprou um casal de canários e dois casais de mandarins do Japão.Os criadores são os grandes clientes da Avisan. Rodomento Pinto, 73 anos, de Lisboa, e Abel Bernardes, 72, de Torres Vedras, detêm-se em frente ao expositor dos canários.Rodomento leva 10 canários com mais seis para reprodução. Gastou 360 euros. “É uma coisa que aprecio muito, estar sentado a ouvi-los cantar”, descreve.Abel Bernardes, criador de canários e ovelhas, optou por fazer a encomenda dos animais. Para os dois amantes das pequenas aves a criação de canários é uma forma de passar o tempo. Não fazem contas porque se soubessem quanto gastam não teriam pássaros. E estão todos os anos de visita à Avisan. “Onde quer que estejam pássaros nós estamos lá”.As raras aves de rapina O abutre zopilote foi uma das aves de rapina apresentadas pela empresa algarvia “Aquashow”. O animal, proveniente do Brasil, alimenta-se à base de carne, como pombos e frango. “O ideal é que comam as presas inteiras. Fazem uma bola que expulsa os ossos e pelos para limpar o organismo”, elucida Juan Bernabe, 34 anos, um profissional de falcoaria espanhol, que fez as demonstrações durante o certame. O abutre pode viver até 60 anos e custa cerca de 500 euros.No mesmo expositor das aves de rapina está empoleirada uma fêmea do bufo real, “igual à que por sorte ainda pode ser vista nas serras portuguesas”, sublinha Juan Bernabe.À semelhança do que acontece com as aves de rapina, na União Europeia são espécies protegidas e criadas em cativeiro. Possuem uma anilha e um documento da Comunidade Europeia.O bufo real ibérico vive na floresta e na montanha portuguesa. Pode encontrar-se ainda na Serra de Monchique, Serra da Estrela e em alguns pontos da floresta. “Quando os meninos vêem o show, o que mais lhe chama a atenção são os olhos dos bufos e a cara em forma de coração da coruja, que também vive ainda nas montanhas portuguesas”, descreve.O animal do homem modernoAs chinchillas, animais oriundos da Cordilheira dos Andes, na América do Sul, são o animal de estimação indicado ao ritmo de vida do homem moderno. “Dormem de dia e à noite entram em actividade para brincar com o dono”, explica Rui Loureiro, 33 anos, criador em Benavente.Os pequeno roedores, com dentes de crescimento progressivo, precisam de madeira para roer e de um poleiro que possam saltar. Comem duas colheres de granulado e algumas guloseimas (maçãs, sementes e passas) em pequenas quantidades.As chinchilas não podem ser molhadas. “É como se tivéssemos um grande casaco e nos molhassem e deixassem a secar no corpo”, esclarece o criador.Para tomar banho rebolam-se em areia vulcânica, libertando-se dos pêlos mortos e retirando o excesso de gordura existente. Não podem ser expostas a altas temperaturas e não devem ser colocadas perto de aves – o seu principal inimigo no habitat natural. São animais dóceis e inteligentes. Existem em várias cores: cinzento, branco, preto, bege, castanho violeta e safira. O preço varia entre os 135 e os 200 euros.Ana Santiago

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