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Ninguém dorme descansado

Devido à passagem de camiões

“Estou sempre à espera que me caia uma bomba em cima e que nos mate”, o desabafo foi deixado por António Coelho, proprietário de uma moradia que já foi atingida por três camiões que se despistaram na Avenida do Castelo em Coruche. Moradores e peões temem a tragédia e alertaram, mais uma vez, a câmara que remeteu o assunto para a Direcção de Estradas de Santarém. O director responsável pela estrada visitou o local e apontou a colocação de semáforos como solução para reduzir o risco de novos acidentes.

Edição de 04.12.2002 | Sociedade
“Estou sempre à espera que me caia uma bomba em cima e que nos mate”, a frase ilustra o desespero de António Coelho, um dos moradores da Avenida de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche que dorme sempre a pensar no pior. Há muito que António e a esposa perderam o sono.Já são três avisos deixados por camiões que se despistam a descer a estrada que faz a ligação da EN 114 ao centro da vila de Coruche e que serve de passagem obrigatória para centenas de camiões que diariamente fazem a ligação à fábrica de beterraba instalada na zona industrial de Monte da Barca. “Uma vez a camioneta até entrou pela casa dentro. Já não consigo dormir. Assim que ouço um camião começar a descer a avenida o meu coração começa a acelerar”, disse António Coelho ao executivo da câmara de Coruche numa sessão pública.O munícipe tem dois netos, mas por razões de segurança evita recebê-los em casa. “Assim se morrer sou eu ou a minha mulher”, acrescentou.O presidente da Câmara de Coruche garantiu a O MIRANTE que serão colocados semáforos limitadores de velocidade a meio da avenida junto à passadeira colocada próxima da paragem do autocarro. Segundo o edil, esta foi a solução encontrada pela técnica que acompanhou o Director de Estradas de Santarém numa visita ao local no dia 27 de Novembro. “É uma solução que facilita a travessia de peões e impede os carros e camiões de circularem a mais de 40 quilómetros hora”, disse.A obra será adjudicada ainda este ano e o investimento que deveria ser suportado pelo Instituto de Estradas de Portugal foi assumido pela Câmara Municipal de Coruche para dar celeridade ao processo. “Não podemos perder mais tempo”, afirmou Dionísio Mendes.A intervenção ainda não está orçamentada, mas dado o montante a investir a autarquia está dispensada de concurso público e depois de consultar duas ou três empresas vai adjudicar os trabalhos.Pressionado pelos moradores para encontrar uma solução urgente, Dionísio Mendes afirmou que a resolução do problema não era tão fácil como parecia. “Reconhecemos a gravidade da situação. Temos de fazer alguma coisa, mas terão de ser os técnicos da Direcção de Estradas de Santarém a pronunciarem-se. As lombas não serão solução porque a passagem dos camiões causa muito ruído e prejudica os moradores. Resolvíamos um problema e criávamos outro”, disse numa sessão pública onde o assunto foi levado por António Coelho.Dionísio Mendes reconheceu que a circulação na Avenida do Castelo é perigosa devido às características da via , mas justifica o elevado número de acidentes com o excesso de velocidade dos condutores. “Circula-se com velocidade a mais para aquele tipo de estrada e com o piso molhado a situação agrava-se”, referiu.A opinião do edil é corroborada pelos próprios motoristas. Elídio Pardal, condutor de um camião que transporta mais de 30 toneladas assumiu que já excedeu o limite de 50 quilómetros/hora. “À noite quando há pouco movimento e vamos descarregados aceleramos um pouco mais”, confessou.Ailton Perez contou que já viu ultrapassagens incríveis na Avenida do Castelo e sugeriu a colocação de um traço contínuo para além dos sinais limitadores de velocidade. “Os ligeiros passam por nós a mais de 100 quilómetros hora, mesmo quando o piso está escorregadio”, lamentou.Apesar de perceberem que a estrada não é da competência directa da câmara, os moradores da perigosa Avenida do Castelo não poupam críticas ao executivo municipal. “Enquanto lá estiveram os outros não fizeram nada, mas estes vão pelo mesmo caminho. Prometem resolver, mas é só conversa”, afirmou uma moradora que pediu anonimato para “evitar chatices”.A vereadora da CDU, Helena Peseiro sugeriu que fosse feita uma intervenção imediata, ainda que provisória. “É um caso grave que envolve o risco de várias famílias e de dezenas de peões que ali passam todos os dias. Não podemos adiar mais a solução”, disse. “Este é um dos casos que deveria ser abrangido pelo estudo do trânsito da freguesia que já deveria estar concluído”, acrescentou. O presidente da câmara rebateu as críticas de munícipes e oposição e lembrou que tem feito as diligências possíveis para resolver a situação. Dionísio Mendes disse que a câmara não pode ser responsabilizada por uma situação numa estrada que não é da sua competência. “Se fosse uma via municipal.. Já tínhamos feito alguma coisa há mais tempo. Estávamos dependentes da direcção de estradas”, concluiu.

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